A Cuca Recomenda: A Maldição da Rainha do Rock

“Suspense. Paranormalidade.Terror. Humor. Terrir… e muito rock’n’roll. Esses são os ingredientes desta que é a a primeira ópera-rock literária de todos os tempos.” Fonte

Essa é a história de um livro que poderia ser muito melhor. Essa é a história de um livro que ficou pela metade. Um livro em que páginas foram suprimidas e muitas coisas aconteceram em poucas páginas. Uma pena.

Tata é uma roqueira adolescente, fã ardorosa de uma cantora de rock muito sinistra chamada Samantha Fortune. O livro começa com Tata indo a um dos shows da cantora e lá sendo atingida por um raio; a partir daí, ela começa a brilhar quando está com sede e a tocar guitarra e compor maravilhosamente. É isso mesmo. Tipo um Pikachu do rock.

Até aí tudo bem. Coisas estranhas e bizarras podem acontecer nos livros e serem críveis. Grandes livros tem acontecimentos absurdos que, dependendo do escritor, nós acreditamos piamente. O problema é quando esses acontecimentos bizarros sucedem-se loucamente, com poucas explicações, às vezes nenhuma, outras vezes explicações nada elaboradas e você fica ali, sendo obrigado a engolir um monte de absurdos.

Tudo bem, eu entendo que o livro é de Terrir, ou seja, um humor com terror, e essas maluquices são esperadas. Eu gosto de maluquices! Mas eu gosto das coisas explicadas. Para que um livro seja bom, ele precisa fazer o leitor acreditar nas coisas mais incríveis, de maneira que ele ache que sim, essas coisas aconteceram de alguma maneira, em algum lugar. A questão é que tem que haver algum sentido nisso tudo. Mas nesse livro não há. As coisas mais impossíveis simplesmente acontecem, como por exemplo um submarino amarelo navegando pelos esgotos da cidade (mas a parte da referência a Yellow Submarine foi legal).

Há muitas referências musicais e nerds. Algumas são ótimas, outras nem tanto… e por quê? Porque são atiradas no livro só para estarem lá, sem um contexto, sem um sentido maior. Certas referências só estão lá para acumular referências. E aí o negócio perde todo o sentido.

Samantha Fortune, a vilã do livro, também deixou a desejar. No final ela se mostrou uma louca megalomaníaca tarada por limpeza (algo que foi a sua derrocada e, gente, apareceu assim, do nada na história). Era para ser engraçado, mas não foi. Foi triste. Para mim foi só a história morrendo. Talvez se houvesse mais páginas para explicar as coisas… mas, novamente, os acontecimentos se sucedem, com pouca ou nenhuma explicação, e o leitor apenas se vê perdido e enganado.

O livro é divertido, mas é só. É possível ler bem rapidinho, uma ou duas horinhas no máximo. É um passatempo e apenas isso. Talvez tenha sido a proposta do livro mesmo, mas para mim ficou a impressão de que comecei o livro em um ponto e terminei no mesmo ponto. Ou seja, nada realmente mudou na minha vida e nada foi acrescentado.

Ficha Técnica

Título: A Maldição da Rainha do Rock

Autor: Mathilda Kóvak

Editora: Escrita Fina

Páginas: 118

Onde comprar: Livraria Cultura

Avaliação: 

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  • Lany disse:

    Terrir? Existe isso? Juro que eu não sabia hahaha!
    Não li o livro, mas eu concordo com voce: o autor tem que saber como colocar “maluquices” em um livro. De algulma forma ele tem que fazer com que o leitor acredite naquilo que ele esta lendo! Qual vai ser o proposito se isso não acontecer?
    Eu acho que qualquer coisa é valida em um livro, desde que no universo da historia, tenha uma explicação!

  • Lany disse:

    Terrir? Isso existe? Juro que eu não sabia hahaha!
    Obviamente não li o livro, mas concordo com voce: o autor tem que saber como colocar essas “maluquices” no livro. Ele tem que dar alguma explicação. Se não… Qual o proposito do livro, se o leitor não consegue de alguma forma acreditar naquilo que ele esta lendo?
    Eu acho que o autor pode escrever o que quiser… Desde que, no universo que ele criou, aquilo tenha uma explicação!

  • Karen disse:

    Ah, existe sim, Lany! Em livros deram essa denominação “terrir”. Mas tem filmes também, que nem a Mel citou. Mas como você disse, mesmo sendo maluquice, a gente tem que acreditar. Tem que fazer sentido. Senão a história morre.

  • Melissa de Sá disse:

    Maluquice tem que ser bem bolada. É sério. Na verdade escrever comédia é algo bem difícil, não dá pra simplesmente sair colocando coisas absurdas achando que as pessoas vão rir. Porque elas não vão. E aí cai nessa coisa de ficar bem bobo mesmo, de matar a história. E não importa se o livro é pra criança/adolescente/adulto, a criação da comédia tem que ser bem bolada do mesmo jeito.

    E eu não sei, quanto a esse lance de zuar terror, eu gostei mesmo foi do jeito que aquele filme, “Garota Infernal”, fez. Achei bem legal. Você já assistiu?

  • Karen disse:

    Eu também acho comédia muito difícil. As poucas vezes que tentei foram fanfics e mesmo assim eu achava dificílimo. É um dos gêneros mais complicados, que é mais fácil você cair no ridículo…
    Não vi “Garota Infernal”, se você disse que é legal vou baixar. 🙂 Mas eu já vi “Zombieland”, que é bem zuado, mas muito, muito legal! Ah, e “Evil Dead”, né? Um clássico do humor trash.

  • Lucy disse:

    Eu adoro comédias e já me aventurei em escrever fan-fics do gênero, mas confesso que fazer uma pessoa rir de uma piada é muito difícil. Pena que o livro deixou a desejar, é gostoso qdo a gente vê uma história que dá pra soltar uma bela gargalhada esteja onde estiver. ahahah
    Bjos bjos

  • Carolina disse:

    Bom dia Karen, tudo bem?
    Eu não conhecia esse livro, não fazia idéia de que ele existia rsrs… sério!!
    Achei a proposta bem interessante, mas depois de ler a sua resenha, sinto que ficaria muito decepcionada com ele.
    Parabéns pela resenha!
    Beijos

  • Vania disse:

    O negócio é: pra escrever um livro bom, a pessoa tem que se esforçar muito. Pra escrever um livro bom e engraçado e que faça sentido… ah pra isso, tem que ter talento.

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