A Cuca Recomenda: Biofobia

Eu tinha curiosidade de conhecer a obra do autor Santiago Nazarian desde seu livro anterior, Mastigando Humanos, também da Record. A Lucy conseguiu o livro pra mim em um evento, porém, até o momento, a pilha de leituras não tinha permitido que o eu lesse. Quando vi na lista de lançamentos da editora um novo livro do autor percebi que era o momento de embarcar em sua obra. Fui com tudo, mas saí confusa; foi uma leitura que me empolgou a ponto de ler 130 páginas em uma noite… mas depois, o jeito como a obra caminhou, o final… É, meus sentimentos ficaram realmente confusos.

“Talento, voz, rosto, tudo murcha com o tempo. A natureza é madrasta e, para um roqueiro de meia-idade que já viveu todos os excessos de sua geração, a natureza só existe como ameaça, inimiga, perversa. Isolado numa casa de campo, após o suicídio da mãe, ele enfrentará suas frustrações e medos internos, enquanto o mato cresce lá fora, o solo espera por seu sangue. Biofobia é a volta de Santiago Nazarian ao thriller, seu primeiro romance ‘adulto’ em cinco anos, numa narrativa tão literária quanto cinematográfica. Prepare-se para o pior.” Fonte

O começo de Biofobia é incrível. A narração de Santiago Nazarian é envolvente, uma mistura de depressão, sarcasmo e acidez deliciosa. Nós conhecemos André, um roqueiro de meia-idade, falido e fadado ao ostracismo, que acabou de perder a mãe – ela se suicidou, era uma escritora de talento que foi razoavelmente conhecida em seu meio. Ela deixou especificado que desejava que todos seus objetos fossem distribuídos entre os amigos e a família, portanto André vai até a casa, que fica num lugar isolado e inóspito, no meio do mato, para, junto à irmã, receber os convidados que farão “a limpa” no lugar. André vai antes, “para se despedir da casa e da mãe”, e no fim acaba passando ali mais tempo do que deveria, travando uma guerra com a solidão, a natureza e seus próprios demônios.

Biofobia foi um livro muito bom até um pouco depois da metade. A leitura foi empolgante, envolvente – apesar de repetitiva às vezes, o que era uma característica fiel do personagem, um homem depressivo e, portanto, repetitivo – e perturbadora. Tudo o que um bom thriller psicológico deve ser. No entanto, depois de um tempo, o autor começa a bater demais nas mesmas teclas. Você começa a não ver mais sentido no porque André insistir em continuar naquela casa sombria (e não vê, portanto, mais sentido no próprio livro) e, quando finalmente isso é explicado, é tudo rápido e brusco demais, pouco desenvolvido, e o livro termina como um grande ponto de interrogação. Confuso, sem sentido, sem pé nem cabeça. O que era para ser um ótimo livro torna-se apenas mediano e, como leitora, fiquei triste, pois percebi que o autor poderia ter feito algo muito melhor, explorado muito mais o horror da situação, a loucura, o ambiente… enfim. Triste.

“Entraram na casa e ele viu a mãe por todos os lados. Os restos da mãe. Os livros. O pêndulo do relógio batendo. Era como uma prova viva de que ela existia. Não mais viva, insistia por todos os lados.” Página 17

O que restou foi uma sensação de vazio e perturbação após a leitura – mas não uma perturbação boa, daquelas que você fica em choque. Ficou a perturbação ruim de não compreender e aceitar aquele final, aquelas informações jogadas, aqueles sentimentos mal resolvidos. Foi como se o livro terminasse sem um ponto final, no meio de uma sentença. Você fica procurando mais, alguma maldita explicação, mas as páginas acabaram. É o fim.

Se a Cuca recomenda? Talvez, depende de como você é, leitor. Tem gente que curte essa vibe mais filosófica, mais cult, com finais abertos e pouca explicação. Eu não sei se curto, pelo menos não do jeito que foi feito. Talvez eu busque mais obras do autor, mas, para mim, Biofobia foi um livro cheio de potencial… e que se perdeu.

Esse livro foi gentilmente cedido para resenha pelo Grupo Editorial Record!

Ficha Técnica

Título: Biofobia
Autor: Santiago Nazarian
Editora: Record
Páginas: 240
Onde adquirir:  Livraria Cultura
Avaliação: 

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  • Fabiana Strehlow disse:

    Huuummm… pois, eu fiquei bem entusiasmada com o título, aí fui lendo a resenha e já não sei se quero ler. Meio estranho …
    Mas, quem sabe?
    Obrigada pela dica!

  • Ana disse:

    Que triste quando isso acontece, tem livros que começam tão bons e se perdem, mas a história tem tudo pra agradar, resta a dúvida se ela vai me agradar ou não né

  • Raquel Pereira disse:

    Confesso que nem a capa e nem a sinopse haviam me despertado interesse em ler o livro e depois de ler a sua resenha, aí foi que não sobrou interesse nenhum mesmo. Qe pena que você achou que o autor até teria potencial pra escrever uma boa história, mas acabou se perdendo.

    Bjok

  • Érika Rufo disse:

    Já tinha visto esse livro e ele ão despertou minha atenção, nem pela capa nem pela sinopse. Pela resenha deu pra perceber que é uma história que prometia bastante, mas se perdeu em alguns pontos. Não gosto muito de livros filosóficos e com finais abertos, então esse vou deixar passar.

    Beijos!!

  • Douglas Fernandes disse:

    De cara o livro tinha me cahamdo a atenção, mas agora que vc disse que é um livro pra quem curte uma vibe filosófica e com pouca explicação eu me desanimei um pouco.

  • Gustavo disse:

    Nossa, adorei o nome do livro, e a capa, mesmo sendo simples já deixa um pouco “temeroso” com o conteúdo. A sinopse também é super convidativa.
    Agora a resenha me deixou super empolgado pra ler o livro, até que li o que acontece depois da metade do mesmo. Odeio livro que deixa pontos abertos, sem explicação. Essa coisa mais filosófica de deixar sem muitas respostas pra você encaixar a resposta que acha melhor não é comigo (acho que o único livro que leria assim é o uma aflição imperial de a culpa é das estrelas kkkk). Essa leitura é uma que não sei bem o que pensar. Vou procurar mais opiniões pela internet.

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