A Cuca Recomenda: Diário de um magro

“Um livro divertido e sensível, que conta a experiência de um magro que cai de pára-quedas num reduto de gordos e saí de lá com diversos bons amigos. Um texto irônico, descontraído e muito bem-humorado.” Fonte

Depois de ler algo longo e/ou pesado, eu gosto de ler um livro leve, depretensioso, geralmente um livro de humor ou de crônicas – ou as duas coisas juntas, como é o caso. Mario Prata nunca me decepciona nesses momentos (e em outros!).

Comprei Diário de um magro na Bienal de São Paulo, esse ano, e ele ainda estava lá até agora, paradinho na minha estante, esperando pelo momento certo de ser lido. E como eu esperava, o livro é uma delícia. Li em apenas dois dias – isso porque não o peguei para ler direto, apenas lia no ônibus ou antes de dormir.

Quando você leu esse título com certeza pensou em outro título, bem conhecido, de Paulo Coelho: Diário de um mago. A semelhança é proposital, na verdade, é uma piada. Mario Prata se internou em um SPA – não para perder as calorias do corpo, mas sim as da mente, e a secretária de lá lia muito Paulo Coelho. Em uma época que estava jururu, macambúzio, sorumbático, o autor a convite de um amigo se internou no mesmo SPA que se internaram também outras celebridades, como Antonio Fagundes, por exemplo, muito citado no livro. O lugar provou ser um verdadeiro recanto para a higiene mental, antes mesmo de ser um lugar para emagrecer. E, irônico e bem humorado, Mario Prata decidiu fazer o tipo de livro que gostaria de receber ao entrar nesse lugar – um diário das “aventuras” no recanto dos gordinhos.

E o livro é como um diário mesmo. Cheio de passagens do próprio Mario Prata no local, citações a várias personalidades, como Antonio Fagundes, já citado acima, que se internou lá antes do autor, bem como citações a Luis Fernando Veríssimo, já que um dos livros que Mario Prata levou para ler no SPA foi justamente um desse grande autor. Há notícias de jornal, pesquisas do instituto do câncer (uma das coisas que o SPA fez bem na época ao Mario foi parar – pelo menos por um tempo – de fumar). E claro, o mais importante, há passagens hilariantes. Tem uma especialmente hilária chamada “Exames”. Fala sobre cocô em um potinho e a indignidade desse ato. Rendeu ótimas gargalhadas para mim e meu marido, quando estávamos em uma mesa de bar, lendo crônicas.

Abaixo, um aperitivo:

Padaria (pág. 28/29)

Perto daqui, um ex-paciente montou uma padaria, a Real (talvez porque toda a comida aqui pareça imaginária), que não fecha nunca.

A especialidade: coxinhas de galinha recheadas com queijo Catupiry derretido (1.200 calorias, o equivalente para nós a quatro dias de café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia).

Alguns pacientes já foram flagrados tentando subornar passantes para descolar uma coxinha.

Dizem que a mulher de um conhecido industrial de São Paulo ofereceu ao porteiro setecentos dólares por uma unidade, me informou o Fernando Morais. O porteiro não cedeu.

Folclore? Muito provavelmente.

Mas que as coxinhas (comi uma, quando tive alta) são realmente uma maravilha, não posso negar.

Com seu humor descontraído, Mario Prata é sempre uma ótima leitura, que recomendo de olhos fechados. Vale lembrar que além das crônicas fantásticas, o livro também é recheado de ilustrações hilárias de Paulo Caruso. Vale muito a pena! Mas já vou avisando: não me responsabilizem se bater uma fome ao ler esse livro… como já disse, ele é delicioso!

Ficha Técnica:

Título: Diário de um magro

Autor: Mario Prata

Editora: Planeta

Páginas: 142

Onde comprar: Livraria Cultura

Avaliação: 

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