A Cuca Recomenda: Dias Contados – Volume III

“Nenhuma profecia sobre o final dos tempos se concretizou…até agora. Cometa, desastres naturais, invasões alienígenas, o apocalipse… Nas páginas deste terceiro volume do Dias Contados, você conhecerá várias formas do mundo como você conhece chegar ao fim. O desafio lançado aos profetas desta antologia foi o de escrever o que talvez seja os últimos escritos da humanidade, fazendo justamente o que todas as profecias não fizeram: trazer, de fato, o fim do mundo. Os mais atentos perceberão que, mais do uma antologia literária, este é um livro profético, onde, em um dos contos, pode estar a solução para a sobrevivência. O fim se aproxima. Prepare-se para o inevitável.” Fonte


Hoje a Cuca aqui vai falar do fim do mundo. Afinal, dia 21 de dezembro está aí, e temos que nos preparar. Pessoalmente, acho que vai ser um apocalipse zumbi, mas nessa antologia de contos vários autores imaginaram o fim dos tempos; cada um ao seu modo, cada um com sua própria visão apocalíptica do dia que todo mundo fala há tanto tempo – mas ainda bem que nunca acontece.

Sendo uma antologia de contos de diversos autores, é notável a diferença de qualidade entre eles. Lendo todos, percebe-se que algumas obras são ótimas, outras são boas mas tem algo a melhorar, e alguns autores tiveram boas ideias, mas faltou alguma coisa na execução. É algo perceptível e absolutamente normal, afinal, são autores iniciantes, e o texto de um escritor sempre tem o que melhorar – sempre. E uma das melhores coisas em livros assim é conhecer autores novos, que estão se esforçando para entrar em um mercado tão complicado e competitivo, e à sua maneira, enriquecem nossa literatura. E dar oportunidade a autores assim é algo notável.

A edição do livro está impecável, um ótimo trabalho. É um daqueles livros que ficam ótimos na estante, e não “apenas” pelo conteúdo. Mas vamos concordar que aparência é importante, e a editora merece aplausos pelo capricho.

Mas quanto aos contos, duas coisas me chamaram a atenção – de maneira boa e ruim. A boa notícia é que temos muitos contos retratando o fim do mundo no Brasil ou sob o nosso ponto de vista, e ainda outros retratando em um mundo alternativo, sem especificar exatamente onde, ou mundos quase fantásticos. Isso é ótimo, principalmente a parte sobre histórias retratadas no nosso país (OK, vocês sabem que eu sou uma defensora de histórias de autores nossos e que se passem aqui mesmo na nossa terra, mas bem, isso é porque eu sou a Cuca). Afinal, eu adoro ver filmes e ler livros estrangeiros, mas às vezes sinto falta dessas histórias aqui mesmo, histórias de terror, histórias apocalípticas, fantásticas, aqui mesmo, inseridas na nossa cultura e nossa vivência.

A má notícia é que há histórias no livro que não correspondem a essa (minha) expectativa. Talvez seja bom, diversificar, mas – e isso é totalmente minha opinião – eu gosto muito mais de ver autores brasileiros criando histórias por aqui, do que criando histórias nos EUA, na Inglaterra, no Japão, ou em qualquer outro lugar. Não é regionalismo… é questão de apreciar histórias que falem a nossa língua, e isso não quer dizer apenas o português, mas sim a nossa vivência.

Um ponto muito positivo no livro é que os contos em sua maioria nos levam à reflexão. Aliás, o organizador foi muito feliz em escolher contos que, mesmo em pequenas coisas, fizessem o leitor refletir sobre o que estamos fazendo ao nosso mundo, sobre conceitos como esperança, caridade, consciência, respeito, abnegação e até mesmo ecologia. Foi algo que me impressionou bastante, principalmente em alguns contos. Se o mundo acabar, acredito que a culpa será nossa, e não de um fator externo qualquer que seja “malvado” ou uma mera coincidência cósmica. Nós estamos acabando com o mundo, de um jeito ou de outro, e precisamos parar urgentemente.

(Apesar disso, tem um conto maravilhoso sobre o final do mundo através de um perigo que veio do espaço. “Os Cavaleiros do Apocalipse”, de Gabriel Valeriolete. E assim como a maioria na antologia, esse conto nos leva também a uma reflexão.)

Já que estou falando dos contos, vou citar alguns em destaque, que me impressionaram de maneiras diversas e algumas vezes surpreendentes.

“O Cálice”, de Alex Mir, é completamente aterrorizante. E por isso me conquistou – já que, se existe algo que eu adoro ler, é terror.

“A Luz do Céu, A Luz da Alma”, de Andy Azous, é sublime e de tocar o coração. Eu realmente me emocionei. E senti um calafrio ao pensar nas criaturas de luz.

“Uma Canção para o Fim”, de Melissa de Sáé poético e fantástico. O leitor consegue notar o universo complexo que foi criado na cabeça da autora ao escrever o conto e, apesar disso, a história possui começo, meio e fim, e nada fica faltando.

“Cerebrum Dominus”, de J. E. Scumparim, é um dos contos que mais me impressionaram na antologia. Fiquei na ponta da cadeira até chegar ao final. Direto e eletrizante, foi incrível como o autor conseguiu cativar o leitor em poucas páginas.

“Os Sete Selos”, de Danilo Pelloso, também é outro conto aterrorizante; ele reserva uma surpresa no final que faz o leitor parar de ler o livro por alguns instantes para conseguir respirar.

“Inumano”, de Juliana Lira, é outro conto tocante e reflexivo, uma daquelas histórias que ficam na cabeça após a leitura.

“Viagem ao Fim da Terra”, de Valter Pires, me conquistou por ser tão tipicamente brasileiro e trazer uma mensagem tão importante.

Por fim, “Dedetização Humana”, de Lucas Janini, bem, terei que ser sincera: é nojento, mas eu adorei. Lembrou-me de “A Metamorfose”, de Kafka, mas de uma maneira apocalíptica. E eu adoro essas coisas.

O livro ainda tem muitos outros contos, todos com seus méritos, que renderam uma ótima leitura. Ler “Dias Contados – Volume III”, da Editora Andross, é certamente uma ótima experiência, e ainda vale para você se preparar para o fim do mundo.

(Mas ainda acho que o apocalipse será de zumbis!)

Ficha Técnica

Título: Dias Contados – Volume III
Organizador: Alex Mirr
Autor: Vários Autores
Editora: Andross
Páginas: 110
Onde comprar: Blog Livros de Fantasia
Avaliação: 

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  • Melissa disse:

    Kakazinha,

    Em primeiro lugar, obrigada pela resenha! Você sabe que tenho sua opinião sempre muito em conta. :)

    No mais, concordo com você. Alguns contos surpreenderam por ser muito bons, outros por serem ruins e outros ficaram mais no potencial mesmo. Mas isso é normal, afinal, antologias assim costumam ser heterogêneas.

    E também concordo com você de tentar colocar mais fantasia em terras brasileiras. Confesso que eu costumo escrever coisas em mundos imaginários, mas tenho planos de escrever coisas que falem do Brasil. Não é regionalismo, como você disse, mas é que sabemos tanto do que vem de fora, tanto da cultura dos outros, que acabamos esquecendo do nosso próprio espaço. E isso é muito importante.

    Enfim, obrigada pela resenha! Só lembrando que quem quiser comprar um exemplar do livro, é só mandar um e-mail para melissacdesa@gmail.com. O valor do volume é R$20 + frete.

  • Karen Alvares disse:

    @Melissa, Imagine, Mel! Eu adorei o livro, li rapidinho! Foi uma boa seleção essa antologia.

    É, você entendeu bem. Não é regionalismo ou rejeição ao que vem de fora, é simplesmente que eu sinto falta de ler coisas acontecendo aqui. Do contrário a gente fica pensando que no Brasil nada acontece, e poxa, até vampiros portugueses já vieram pra cá! rs

    Sucesso nas tuas vendas, queridona!

  • Nivia Fernandes disse:

    A Cuca sempre recomenda bem. xD

    Apocalipse com zumbis: eu espero que não… *medo*
    Bom, tive o deleite de ler o conto da Mel, e ele realmente é muito criativo e forte. Impressionante a capacidade de síntese e ao mesmo tempo de complexidade do conto!
    Quanto aos que comentou, Cuca, poxa, tem até um nojento! \o/ Essa antologia deve estar demais! Terror, poesia de alma, reflexão, susto.
    Também concordo com a falta de histórias ambientadas aqui. Pena que os autores famosos que gostavam de fazer isso viveram há muitas décadas atrás, né?
    Mas temos que acreditar e impulsionar os novos autores que são bons e merecem atenção, ou tem potencial pra melhorar.

    Parabéns pela resenha! E parabéns pra Mel, porque o conto dela é sensacional e tinha mesmo que estar aí!

    Beijos!

  • Karen Alvares disse:

    @Nivia Fernandes, Nik, a antologia tá ótima mesmo. Foi uma boa seleção. E muito reflexiva, como comentei ali em cima, o que ficou muito bom com esse tema.

    Que bom que gostou da resenha! =)

  • Lany disse:

    Hahaha também acho que vai ser Apocalipse Zumbi. E nos vamos sobreviver, porque nos vamos dançar thriller, e ai ta tudo certo hahaha!
    (os zumbis piram no Gold Move!)
    Eu tenho o livro lalala e autografado pela Meeel! Mas não posso ler, porque meu livro esta la no Brasil… Uma pena!
    Gostei muito que voce falou que um texto sempre tem o que melhorar. E eu concordo totalmente com voce: por mais que a gente ame uma certa historia, sempre tem algo nela que poderia ser diferente!
    Antologias costumem ser heterogeneas, e acho que isso é um otimo exercicio para os autores. Afinal, voce so consegue melhorar a escrita… Escrevendo!
    E eu ja li antologias de “autores famosos” e fiquei com o mesmo sentimento. Historias curtas reunidas em um mesmo livro? Nao tem como gostar de todas da mesma forma…
    Beijos!

  • Karen Alvares disse:

    @Lany, Os zumbis piraaam no Gold Move!!!! hahahahaha =D

    Seu comentário me deixou com um sorriso no rosto, Lany! Obrigada! Logo setembro chega e você vai poder ler todas as nossas antologias! ^^

  • Carolina disse:

    Adorei o post da Cuca, parabéns!
    Pois é, acho que vou ter que votar no apocalipse zumbi também rs… Adorei o comentário da Lany sobre dançar thriller, eu comecei a rir na hora!
    E eu também concordo com a necessidade de se colocar mais fantasia nas terrar brasileiras. Adoro alguns autores internacionais, não tenho nada contra, mas seria bem legal ver isso por aqui também….
    Beijos

  • Karen Alvares disse:

    @Carolina, Obrigada, Carol! Isso aí, já se prepara porque o apocalipse vai ser zumbi mesmo! rs

    Eu também adoro autores estrangeiros, mas sinto falta das coisas acontecendo aqui. Por isso fico meio de birra quando um autor brasileiro escrever uma história sei lá… em Londres ou algo assim.

  • Vania disse:

    Parceirinha Cuconilda, adorei seu post como sempre! Confesso que seus comentários sobre os contos me deixaram com o pé atrás – não por alguns serem bons e outros nem tanto – mas por terem te dado medinho! Se você ficou na ponta da cadeira, imagine eu hahahaha. Ainda assim quero ler porque bem, MELZITA né!!! E concordo plenamente sobre termos coisas escritas no Brasil (apesar que eu não posso falar nada, tudo que escrevi até hoje se passa por aqui, mas bem né… *se esconde*)

  • Karen Alvares disse:

    @Vania, Sabia que você ia ficar com medinho, Parceira! Mas a maioria dos contos nos faz mais refletir do que assustar. E você não conta por ser brasileira mas escrever coisas fora daqui… é onde você vive. O que me irrita é um autor que vive aqui escrever coisas de fora. Às vezes nem esteve lá fora, nem teve vivência. Mesmo que eu viaje de férias para algum lugar, não tenho a mesma vivência que tenho aqui… lugares, costumes, maneira de viver. E isso é importante em um livro.

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  • Edmar disse:

    Adorei a resenha, sou um dos autores e acredito que meu conto se encaixe na categoria dos mais “fraquinhos” rs. Foi minha primeira publicação e espero continuar, muito obrigado!

  • Karen disse:

    Olá Edmar! :)
    Obrigada pelo comentário, fiquei feliz que curtiu a resenha. Sobre o seu conto, pense que se você foi selecionado para participar do livro, é porque tem sim méritos! Um escritor sempre tem o que melhorar, sempre, e a gente tem que começar é do começo mesmo. Continue escrevendo e correndo atrás dos seus sonhos!
    Abraços!

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