A Cuca Recomenda em Outras Páginas: Revista Trasgo #2

A revista Trasgo estreou em dezembro do ano passado com a proposta muito interessante de disponibilizar literatura de ficção científica e fantasia nacional, variada e de qualidade, e de maneira acessível. Editada por Rodrigo van Kanpen, a revista já está na sua terceira edição (sim, eu estava um pouco atrasada na leitura), mas agora vim falar das minhas impressões sobre a segunda edição da mesma. Lembrando que vocês podem baixar gratuitamente qualquer uma das edições nesse link e tem resenha da edição piloto aqui.

“A revista Trasgo é uma revista de ficção científica e fantasia brasileira, editada trimestralmente. Para esta edição, contamos com a participação de Ana Lúcia Merege com Rosas, um belo conto escrito nas entrelinhas; Victor Oliveira de Faria resgata o sentimento dos clássicos da era de ouro da FC com seu Cinco Bilhões; e Jim Anotsu homenageia o teatro clássico inglês à la cultura pop em Hamlet: Weird Pop. Também temos um pequeno conto cyberpunk, Código Fonte, de George Amaral e um delicioso exercício de estilo de Albarus Andreos com A Maldição das Borboletas Negras. Para fechar esta edição, Cristina Lasaitis nos permitiu publicar seu ótimo O Homem Atômico, um conto urbano entre a ficção científica e a história alternativa.” Fonte

Em Rosas, conto da autora Ana Lúcia Merege que abre a revista, temos uma deliciosa surpresa. Apesar de já ter lido e gostado de outras obras suas, como os romances da sua série O Castelo das Águias, esse é declaradamente meu texto preferido da autora. Um conto que começa tranquilo e segue para um final surpreendentemente sombrio e apavorante. Fica aqui expresso meu desejo de ler outros textos de horror da autora.

Já Cinco Bilhões, de Victor Oliveira de Faria, é uma história grandiosa demais para um mero conto. Fiquei com a impressão de que se o autor tivesse mais linhas, a trama teria me envolvido mais. O conto todo faz sentido, termina bem, mas poderia ser melhor desenvolvido em mais espaço; talvez, se assim fosse, eu teria me cativado mais com ele. Mas, mesmo assim, despertou meu interesse para outros textos do autor.

Hamlet: Weird Pop é o conto de Jim Anotsu, autor Annabel & Sarah e A Morte é Legal. Até hoje eu só tinha lido um conto do autor, Trenzalore, e ele não me despertou muito interesse, tanto que nem fiz resenha do mesmo. Nesse conto da revista senti quase o mesmo sentimento: apesar do domínio de seu tema e das referências pop e, nesse caso, da familiaridade que demonstra com a obra de Shakespeare, ainda assim o conto não me conquistou, muito menos me trouxe alguma emoção. A escrita é pretensiosa e, no final, fiquei com a sensação de que a história não tinha pé nem cabeça e de que não havia sentido naquilo. No entanto, sei também que esse tipo de escrita pode sim agradar a alguns leitores, mas não eu.

Em Código Fonte, de George Amaral, temos um ciberpunk com uma narrativa gelada até os ossos. Infelizmente, não senti nenhuma emoção em suas linhas, apenas um amontoado de teorias científicas que, apesar de interessantes e elaboradas, não conseguiram sustentar a leitura. Não consegui me conectar a nenhum personagem, tudo acontece rápido demais, os diálogos são extenuantes, teóricos e não convencem.

A Maldição das Borboletas, de Albarus Andreos é, de fato, um exercício de estilo. É um conto que facilmente conquistaria um prêmio em um concurso literário nacional. No entanto, essa leitura tão rebuscada, tão inacessível, não me agrada – mas sei que isso é puramente gosto pessoal. A história é essencialmente brasileira, com ares de fábula e alguns toques de horror, mas a narrativa é densa, cansativa e, algumas vezes, confusa.

A revista fecha com o ótimo, fantástico e sensacional O Homem Atômico, de Cristina Lasaitis. Foi meu conto preferido de toda a revista e uma escolha perfeita para encerrar a edição. Uma narração deliciosa e com uma dose de estilo brilhante que demonstra que sim, é possível ser rebuscado e ao mesmo tempo exibir fluidez. O conto narra a história de um mendigo que perambula pelo centro de São Paulo e se diz físico nuclear. A história evolui despretensiosamente até que culmina em um final surpreendente e irônico que me tirou uma exclamação satisfeita. Não à toa, o conto foi originalmente publicado em uma antologia e até mesmo traduzido para o espanhol em um site argentino. Agora vou correndo procurar mais trabalhos da autora!

A edição, a exemplo da anterior, também conta com uma galeria de ilustrações de Alex Leão, que já trabalhou em vários projetos como o site Emotioncard e o desenho Galinha Pintadinha. Não sei como falar sobre ilustrações, então apenas deixo aqui a minha favorita na galeria do autor na revista:

A Trasgo #2 também conta com uma série de entrevistas com o ilustrador e com todos os autores da edição, uma maneira ótima de conhecê-los melhor, principalmente quando você se interessa pela escrita de algum deles e quer saber mais sobre seus trabalhos.

A revista continua com uma proposta incrível, um formato caprichado e muito cômodo para leitura (é possível baixar de graça e ler em qualquer dispositivo de leitura, tablet, celular e no próprio PC – eu li no celular na app do Kindle, assim posso ler tranquilamente em qualquer lugar). É possível perceber o cuidado e o carinho que o editor Rodrigo van Kampen (que inclusive é também autor e publicou recentemente na Editora Draco) tem com sua revista. Apesar de alguns contos não terem me agradado nessa edição, a organização dos mesmos continuou sendo bem feita e a leitura do primeiro e do último conto valeram totalmente a revista. Estou pronta para a próxima edição!

Ficha Técnica

Título: Revista Trasgo #02
Editor: Rodrigo van Kampen
Autores: Ana Lúcia Merege, Victor Oliveira de Faria, Jim Anotsu, George Amaral, Albarus Andreos e Cristina Lasaitis
Ilustrador: Alex Leão
Editora: Independente
Páginas: 100
Onde adquirir: Site da revista
Avaliação: 

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