A Cuca Recomenda em outras palavras: Morgan, o único

Por que esse título enorme para o post, vocês se perguntam? Bem, é porque a Cuca hoje veio acompanhada do marido dela para falar de mais um livro brasileiríssimo. O quê?! Como assim a Cuca tem marido? Mas é claro que tem, a Cuca é quase um símbolo sexual, ela deixa os homens (e os jacarés) caidinhos por ela em qualquer lugar por onde passa. (Olha só como eu sou linda!) Então hoje é dia de A Cuca Recomenda, mas também de Em outras palavras. Comentários da Cuca em verde (claro!) e do Felipe em azul.

“‘Não! Eu não pedi para que isto acontecesse. Mesmo assim despertei donde jamais poderia ter despertado. Foi um sono intranquilo, e o despertar mais tenebroso que uma pobre alma poderia ter. Não era mais o mesmo, mas estava ali, nem vivo, nem morto… Simplesmente estava ali, desperto!’ Morgan, um homem de vida simples morre num trágico acidente dirigindo um infame Fusca Abacate. Mas tudo piora quando ele desperta exatos sete dias após sua morte. Então ele emerge da sepultura, transformado numa criatura horrenda e cheia de conflitos. Um agouro da coruja que testemunhou seu despertar prenunciou dias sombrios para Morgan e sua terra. Naquela noite um zumbi nasceu para o mundo. Nem morto, nem vivo, em uma nova e inesperada situação. Sem saber o que fazer, ou o quem era Morgan ressurgiu único com seus vermes para um novo mundo. Um mundo intolerante ao diferente. Um mundo com medo de mortos que teimam em não morrer, um mundo em que zumbis não podem amar! Não podem existir! Você já ouviu muitas histórias dos homens sobre mortos-vivos, é chegada á vez e ouvir a versão de um zumbi. Conheça Morgan: o único.” Fonte

Eu e o Felipe lemos esse livro no começo do ano. O Felipe leu primeiro e devorou. Terminou o livro maravilhado (e olha que ele é super crítico), olhou para mim e disse “você precisa ler”. Eu já disse “opa, então ‘bora!”, porque, quando ele recomenda, eu confio. Aliás, ler junto com ele é uma experiência bem engraçada, principalmente quando ele não gosta do livro (o que não foi o caso, ele adorou), porque ele fica xingando e reclamando o tempo inteiro, parece um velho resmungão (ele tem um quê de velhinho espiritual, sabem, imagina só quando ficar velho de verdade). 

Morgan foi o primeiro livro que li em 2013 e lembro de ter ficado tão entusiasmado com o livro que o li em duas horas! Porém, acho q fiquei entusiasmado demais e senti que não conseguiria fazer uma resenha objetiva, o que foi bom pois deu tempo da maravilhosa Karen (Ai, ele me ama! Obrigada, sou mesmo linda.) ler e levantar alguns pontos de atenção. Esta resenha é baseada na minha releitura do livro. Posso dizer com orgulho que este foi o primeiro livro sobre zumbis que li (e é brasileiro!).

Bem, eu já li outros livros de zumbis. Já tive outra experiência com um livro de zumbis brasileiro que não foi muito boa, mas Morgan, em comparação a esse outro livro, dá de mil a zero. Sério. Só que, quando eu li Morgan: o único, não fiquei tão entusiasmada quanto o Felipe, o que me intrigou, porque geralmente nós temos um gosto parecido, principalmente no que se refere ao gênero de terror. Apesar da obra ser muito criativa e ousada, ficou faltando algo para mim… na verdade, nem sei se falta é o termo certo, na verdade teve algo que me incomodou e que estava em excesso. O Felipe apontou isso como um dos pontos contra nas observações dele: 

O narrador se perde em verborragias, utiliza linguagem rebuscada que um personagem interiorano e de origem simples não utilizaria. 

Foi exatamente isso o que mais me incomodou na leitura. A história se passa no interior do Brasil (e eu achei isso muito original, um cenário diferente e criativo). Morgan é um sujeito aparentemente simples, que tem um vidinha sem graça, até que um belo dia morre. Só que depois de algum tempo ele desperta como um zumbi, o que eu também achei bem bacana, porque fugiu daquela coisa de vírus, doença e tudo mais, quer dizer, oras, o cara despertou do túmulo que nem em Thriller, do Michael Jackson. Demais! Até aí tudo ótimo.

A narrativa é, como Morgan, única, por ser do ponto de vista do próprio morto-vivo. O autor também soube ser fiel ao mito (o que está se tornando desafiador) e, ao mesmo tempo, original. Além disso, outro ponto positivo é o cenário nacional, que contribui muito para o livro, um ponto interessante, pois se trata de um mito muito “americanizado”.

Gostei muito da narrativa ser feita pelo próprio Morgan, porém, como o Felipe comentou antes, não caiu bem toda a linguagem – quase poética – tão refinada do personagem-narrador. Além de estar morto, Morgan nunca pareceu ser um homem tão polido. Não combinou com a sua origem simples ou com o cenário. Talvez, se o livro se passasse em outro lugar ou com outro fundo para o personagem, algo que explicasse o linguajar, tudo fosse um pouco mais verossímil. Foi exatamente a narração e a linguagem utilizada que me trouxeram uma sensação de irrealidade enquanto lia e, também, um pouco de enfado durante a leitura, de maneira que não li tão rapidamente quanto o Felipe. Mas concordo com ele no sentido de que o Douglas Eralldo foi bastante original e fiel ao mito de zumbis.

Outro ponto positivo foi a leitura fácil e rápida por possuir capítulos curtos. Tanto os personagens quanto a trama foram bem desenvolvidos (ou ao menos desenvolvidos o suficiente para a duração do livro), que aliás achei muito curta: o livro merece uma continuação ou merecia, ao menos, mais alguns capítulos.

No todo, Morgan: o único foi uma boa leitura. Cumpriu o que prometia, ou seja, uma trama original sobre zumbis, do ponto de vista do próprio morto. Porém ainda acredito que, se o autor não buscasse ser tão refinado, o livro faria mais sentido. Recomendo que leiam e tirem suas próprias conclusões, afinal, vocês podem também se apaixonar pelo livro, assim como aconteceu com o Felipe. Para fãs do gênero, certamente é um título a ser lido.

Vocês podem saber mais do autor, Douglas Eralldo, no blog dele (que provavelmente já devem conhecer): o Listas Literárias. Recomendo e muito esse blog, o conteúdo dele é incrível e divertido, além de ser super comprometido. Até o jeito do Douglas fazer resenhas é original, já li várias e ele geralmente faz “10 considerações” ou ainda “10 motivos para ler tal e tal livro”. Muito bacana. Você podem conhecer e adquirir Morgan: o único e outros livros dele através desse link.

Ficha técnica:

Título: Morgan: o único
Autor: Douglas Eralldo
Editora: Literata
Páginas: 160
Onde comprar: Livraria Cultura / Blog do autor
Avaliação da Karen: 
Avaliação do Felipe: 

Compartilhe:
  •  
  •  
  •  
  •  


PREENCHA OS CAMPOS ABAIXO PARA DEIXAR SEU COMENTÁRIO




Mensagem