A Cuca Recomenda: Minhas tudo

E então, no começo desse mês, viajei para Florianópolis e, nas minhas andanças por sebos de lá, com o quê me deparo? Dois livros do meu querido Pratinha, que pra quem não sabe, adotou Floripa como cidade para viver (e sempre que vou para aquelas bandas tenho essa mesma vontade). Aliás, sua série policial também se passa na capital de Santa Catarina (e eu também comprei um livro dela por lá, logo, logo sai resenha por aqui!). Mas na resenha de hoje vamos falar de mais um livro de crônicas desse autor brasuca sensacional, o meu preferido, top top de todos. Em Minhas tudo – incluindo sexo, drogas e rock and roll. E umas mulheres peladas. (tive que colocar o subtítulo aqui porque já gostei do livro só de olhar para ele), Mario Prata delicia novamente o leitor com suas crônicas divertidíssimas e deliciosas. ‘Bora saber um pouquinho mais delas.

“Sabe aquelas coisas simples, aquelas que fazem parte do seu dia a dia, dos seus bons e péssimos momentos, e quando você percebe já te acompanham há anos, por uma vida mesmo? Pois é. Com seu já característico estilo bem-humorado, certas vezes irônico, Mario Prata cede o lugar principal de seus textos a eles: a carteira, o guarda-chuva, o carimbo, o joelho, o ladrão, a fila… Mas mais do que um inventário pessoal, o autor apresenta ao leitor crônicas de um cotidiano muito mais próximo de cada um de nós do que se pode imaginar. Afinal, vai dizer que você nunca ficou um bom tempo para regular a temperatura do chuveiro, ou parou para descobrir as besteiras que até hoje guarda na carteira e não sabe por que, ou ainda ficou tentando, igual bobo, mil técnicas para fazer o soluço passar?” Fonte

Não há outro adjetivo mais apropriado para descrever esse livro: ele é delicioso. Aqui Mario Prata fala de tudo, tudo mesmo, várias crônicas sobre objetos, manias, maluquices, obsessões, ou seja, tudo que você possa imaginar. Há o “minhas livro”, “minhas joelho”, minhas zona” (essa é de gargalhar sozinho), “minhas controle remoto” (a gente se identifica totalmente), “minhas roupão”, “minhas bunda”… Vocês já entenderam o sentido da coisa, não? É “Minhas tudo” mesmo.

“Quando ela me disse que a garantia era de dez anos, eu senti a responsabilidade que é comprar um colchão. Isso significava que ele deveria ter uma vida útil de uns 40 anos. Isso significava que eu ia morrer naquele colchão. Será que era aquele? A minha decisão tinha que ser precisa e definitiva. Era uma decisão para o resto da minha vida.”

Cada crônica é relacionada à anterior, algo que eu achei muito inteligente. Toda crônica tem uma palavra em negrito que será tema da próxima. Então de livro passamos a letra, em seguida a cartório, logo depois carimbo e por aí vai. Como algo que começou assim vai chegar em “bunda”, “casquinha”, “pêlo” e “soluço”? Só lendo para saber, mas as conexões são fantásticas e divertidíssimas.

É claro que, como faz em todas as crônicas, Mario Prata nos revela em histórias transbordantes de um humor simples, e por isso mesmo, delicioso, fatos simples de seu cotidiano. Uma das melhores qualidades de Pratinha é que ele ri e muito de si mesmo, acho que isso é uma das coisas pelos quais ele é tão divertido. E ele é simples, honesto, direto. Nada de humor refinado, requintado, nada de enfeites desnecessários ou frescuras. Nada disso, gente. Toda vez que leio um livro do Mario Prata tenho a gostosa sensação de estar conversando com ele, de estar sentada em uma mesa de bar, tomando uma cerveja e ouvindo-o contar seus causos. A gente ri solto, despreocupada e despretensiosamente.

“Tenho aqui, na minha frente, quatro controles remotos de ultíssima geração. Um da operadora de cabo, com 28 teclas. Algumas delas jamais ousei tocar, como a Buy e a Credit. Esta última, imagino, debita alguma coisa na sua conta. Ao lado do do cabo, temos o da televisão propriamente dita. Todo metido a besta, se apresenta com 38 teclas. E ainda dá uma esnobada dividindo as teclinhas em três cores diferentes.”

É isso que eu mais gosto nele: ele é não é pretensioso. Ele é simples. E o humor simples é o mais engraçado. A gente se identifica com tudo aquilo, ele fala do dia-a-dia, ele se revela uma pessoa como a gente. Ele mostra que não é porque ele é um escritor famoso que é diferente de nós, e é incrível você perceber isso apenas lendo seus livros. Ele passa por perrengues e situações hilárias como a gente. Quem nunca ficou perdido com os milhares de botões dos nossos milhares de controles remotos? Quem nunca teve medo de resvalar o dedo naquele botão que é pra pagar algo da TV a cabo? Quem não joga porcarias e contas velhas na gaveta do criado-mudo? Eu com certeza me identifiquei com muita coisa e tenho certeza que você aí, leitor, vai também. Eu até me descobri “meia-gordinha” e fiquei feliz por isso, pasmem!

Maria Prata tem a rara habilidade de observar coisas tão simples e torná-las hilárias. Lê-lo é um exercício para rir de si mesmo. A gente lê e ri dele, mas também ri de si. Porque tudo ali tem a ver com a nossa vida. É cotidiano, é você e eu, é um retrato honesto do dia-a-dia. Minhas tudo é uma reunião de crônicas deliciosas e divertidíssimas, imperdíveis para quem curte uma leitura leve, honesta e um humor sem pretensões nem enfeites, o melhor que há se me permitem dizer. Eu babo mesmo em tudo que o Pratinha escreve. Rio dele, rio de mim. Riam vocês também.

“A vida é um livro.”.

Ficha Técnica

Título: Minhas tudo
Autor: Mario Prata
Editora: Planeta
Páginas: 224
Onde comprar: Livraria Cultura
Avaliação: 

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  • Mayara Mendonça disse:

    Nunca li nenhum livro do Antônio Prata, apesar de ter lido algumas crônicas dele já… Realmente ele escreve muito bem. Achei interessante a forma como você falou que ele organizou as crônicas, fiquei com vontade de ler! Sugestão anotada =)

  • Karen disse:

    Mayara, o livro é do Mario Prata, não do Antônio Prata. O primeiro é o pai, o segundo é o filho. Do filho nunca li nada, preciso ler algo dele, dizem que ele escreve bem. O Mario vive falando dele nas suas crônicas, inclusive citou-o em um das de “Minhas tudo”. Se ler o livro, depois venha dizer o que achou. 😉

  • Isa Aragão disse:

    Nunca li nenhum livro de Mario Prata, mas já li algumas crônicas e tal e assim eu gostei, mas não me deixou Oh meu Deus. Ou talvez eu tenha lida muito “cedo” ou na época errada. Vou dar uma nova chance para ele ^^
    isaaragao.blogspot.com.br

  • Karen disse:

    Isa, sugiro que comece lendo por esse livro que recomendei ou então por “Diário de um Magro”, tem resenha aqui no blog também. Ambos são hilários. Dê uma nova chance ao Pratinha sim, às vezes a gente não lê um autor na época certa. 😉

  • Bruu Gonçalves disse:

    Nunca li nenhum livro dele, mas gostei tanto do que falou e parece ser bem engraçado, adoro quando você começa rir sozinho das coisas do livro. mais um para a lista de desejados.

  • Shadai disse:

    Sensacional.
    Nunca li nada desse gênio, mas agora percebi que estou perdendo muita coisa.
    Preciso um dia ter alguma obra dele. Para conhecer, me divertir e o principal: se identificar.

  • Mayara Mendonça disse:

    Putz, troquei tudo, Karen! Haha Me desculpa, realmente não sabia que tinha um Prata pai e um Prata filho… Eu li Prata e na minha cabeça já fui assimilando que era o filho, Antônio, por ser o único que eu conhecia… E agora eu lembrei de outro blog que visito que elogiam bastante um deles e fiquei na dúvida se entendi errado também! haha Quando eu ler algum livro deles venho aqui comentar sim! ^^

  • Gabriela S. disse:

    Nunca li nada desse autor e nem desse gênero, mas gostei da resenha e do livro também! rs.
    Parece que é bem divertido em alguns aspectos né?

  • Key Miranda disse:

    Nunca li nenhum livro desse autor, mas vou ler esse livro, parece ser muito interessante.

  • Sandy Mayara disse:

    gostei, quero pra mim *-*

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