A Cuca Recomenda: O Clube dos Herdeiros


Semana passada eu e a Cuquete resenhamos Aristocracia Perdida, o prólogo desse livro, que conta a história dos pais da geração retratada em O Clube dos Herdeiros, de Fabiana Madruga (curiosos? Leia a resenha aqui!). Nós demos uma discreta surtada naquela resenha e esperamos tê-los deixado bem curiosos para o livro! Porque, se eu e a Lany adoramos o conto, imagina o livro! Por isso, segurem-se em seus fusquinhas Porsches ou qualquer outro carrão, porque essa resenha vai ser ainda mais surtada! E como eu achei o livro fofo… bem, pode ser que um meteoro caia sobre nossas cabeças em breve. Corram para as colinas e leiam essa resenha! Vocês já leram em alguma resenha a Karen chamar algum livro de fofo? Não? Nem eu! Então realmente, preparem-se porque o mundo vai acabar. O fim está próximo, queridos. Aproveitem para pegar o próximo avião para Paris!

“Hoje deve ser seu dia de sorte. Sim, é com você que estou falando! Ao virar a próxima página, será como se tivesse ganhado um passe livre, uma tão cobiçada credencial, um passaporte com visto para um mundo que mal se vê pela fechadura. Você poderá conhecer cada um dos membros da nova aristocracia do Rio de Janeiro e saber o que realmente se passa na vida, na cabeça e no coração deles (e eu aposto como você jurou que isso nem existia!). Só me sinto na obrigação de te alertar a respeito do principal perigo que ameaça aqueles que se julgam sortudos por cruzar essa linha: você vai descobrir que as coisas podem não ser como você imaginava, e ter vontade de correr de volta para o seu mundo seguro, que antes pareci a tão medíocre. Mas não precisa correr tanto. No meio do caminho eu sei que você vai dar meia-volta e perceber que não vai mais a lugar nenhum. O Clube dos Herdeiros pode não ser nada parecido com um conto de fadas… mas não há como não se apaixonar perdidamente por ele! Pense bem antes de aceitar o convite: existem festas que duram a vida inteira…” Fonte

O Clube dos Herdeiros conta a história da nova geração da alta sociedade carioca, focando principalmente na história de Manoela e Helena, amigas inseparáveis, das quais apenas ouvimos falar lá em Aristocracia Perdida. Enquanto Helena está namorando há vários anos outro ricaço desse núcleo aristocrático do Rio, Guilherme, Manoela é a solteira mais cobiçada da cidade. Solteiríssima. Até o dia em que, no camarote vip de um show, ela cruza o olhar com um “esquisitão” lendo James Joyce.

Comecei a ler esse livro imediatamente após a leitura do conto porque eu simplesmente precisava continuar a ler. O resultado? Não consegui parar até terminá-lo. Mais uma vez a escrita da Fabiana me envolveu e cativou de um jeito que, sinceridade, fazia muito tempo que não acontecia. A Fabiana escreve de uma forma muito envolvente. A narração é feita em terceira pessoa e parece que ela está ali, do seu lado, contando todas as fofocas da aristocracia carioca. O leitor fica tão próximo dos personagens, que não tem como, você precisa saber o que vai acontecer depois. Quando você percebe… Ah, o livro já acabou!

Aliás, dessa parte mais técnica, eu só tenho uma crítica a fazer. Na verdade, nem é uma crítica, seria mais uma forma de enriquecer o livro. O livro é ambientado na parte nobre do Rio, também conhecida como Zona Sul. Mas um dos personagens, o Pedro, é de outro bairro carioca: Tijuca. É claro que uma pessoa que não mora no Rio consegue entender a diferença básica desses bairros, mas tem todo um histórico que só quem mora aqui entende. Com isso o leitor que não é carioca acaba perdendo um pouco do background do livro. Eu, por exemplo, achei muito interessante esse diálogo, ri e entendi completamente o que a autora quis demonstrar. Mas não sei se para todos os leitores ficaria tão claro assim.

“- Eu moro na Tijuca e acho que você pode se perder ou não estar com as vacinas em dia – ironizou – o que me leva a crer que seja melhor na sua casa.

– Perfeito por mim, Pedro. Desde que você tome banho no dia e consiga visto para o Leblon – devolveu”.

De fato, pra mim, que sou paulista, o que ficou dessas rivalidades de bairro foi que o pessoal do Leblon era esnobe e só. Boiei mesmo nas piadinhas. Só fui entender quando a Lany me contou. Aliás, como assim o pessoal zoa os tijucanos simplesmente por não terem praia? Sério? Aqui em Santos a gente zoa o pessoal das outras cidades por não terem praia, os bairros não. Sei lá, não faz sentido, é só você pegar um ônibus ou ir de bike pra praia.

Mas, enfim, divaguei. O que importa mesmo é que fui lendo o livro e os personagens foram me conquistando. Helena é um exemplo perfeito: no começo, eu não gostava muito dela, ela era dondoca, mimada, fútil, preconceituosa… mas então foram aparecendo novas coisas sobre ela, gradual e naturalmente, ela foi tendo atitudes e dizendo coisas, e todo esse conjunto foi aos poucos me conquistando, de forma que no final eu estava lá, torcendo por ela (talvez até de pompoms se eu não fosse eu). Eu, que não tenho vergonha, estava mesmo com os meus pompoms imaginários. Porque a Helena é uma das melhores personagens desse livro! (caham, a melhor) No início, eu não gostava muito dela, mas ela conseguiu demonstrar que não é só um rostinho bonito (e rico). Ela se preocupa muito com as pessoas e não só aquelas que são próximas dela. E teve uma cena que se eu pudesse eu teria dando um abraço imenso nela porque a Helena falou umas verdades que eu gostaria muito de ter dito para uma certa pessoa (sem spoilers!).

Isso sem contar que as reviravoltas que a história deu, várias coisas que eu nem esperava e olha que romances geralmente têm muito clichê, mas não! Esse não tem, e os que estão lá são abordados de maneira tão criativa e original, tão entusiasmante, que você nem nota que é clichê (exceto um, no final, que eu não aguento e aparece em todo livro de romance, blé). Eu adoro esse clichê do final porque 1. é um clichê que eu amo e que sempre me deixa desesperada, 2. eu achei que ele foi muito bem utilizado e 3. a autora colocou uma dura dose de realidade que mudou completamente a cena (isso foi BEM legal! Aliás, é BEM legal o fato de que a autora mantém bastante os pés no chão, apesar de existirem vários personagens ricos e tals, as coisas ainda mantém uma boa dose de realidade e você realmente acha que tudo aquilo poderia ter acontecido e que aquelas pessoas poderiam ser reais) (sim, porque esse livro não é como uma novela do Manoel Carlos!).

E falando sobre o romance, eu adorei como ele foi desenvolvido. Eu fiquei com medo de estar torcendo para o casal “errado” e isso normalmente não acontece em livros desse gênero. Eu ADOREI o fato de ser um casal “errado” e torci por eles desde o momento que percebi que eles combinavam! É um romance muito, muito fofo! Foi bem aos poucos, bem construído, com muita calma, como bons romances têm que ser. Fofo demais! E eu falei fofo de novo, protejam-se! Já consigo ver os meteoros se aproximando. BUM! Karen falando três vezes a palavra fofo? Terminem o livro que vocês tiverem lendo, porque o fim está próximo!

Enfim, já que estou falando de coisas fofas, tem outro personagem que é muito fofo! Ah, o Pedro, o Pedro! Ele é do tipo de suspirar (Eu não vejo a Karen suspirar por um personagem desde Harry Potter!!! A Lany não está mentindo mesmo, gente, ai, ai, meu Harryzinho…). Pra começar, a primeira cena dele ele está LENDO no meio de um show. Se algo poderia me fazer gostar dele com certeza era isso. Mas ainda tem o fato de que ele é pobre e nerd! OH YEAH! É muito por causa de Pedro que o livro assenta os pezinhos na realidade e não decola no mundo brilhante da riqueza. O que foi ótimo! Pedro traz um senso de realidade tanto para o livro quanto para os personagens. Pedro é o meu personagem favorito exatamente pelo o que a Karen falou: ele traz a realidade para o livro. Eu não sou rica, não entendo quase nada de marcas, não moro na Zona Sul… Ou seja: não tinha como eu não me identificar com ele! Além disso tudo dá errado com ele e o livro tem cenas maravilhosas exatamente por causa disso. E ele é aquele personagem fofo que faz você suspirar e ficar ghfghfghfghfguhufgfhgufgfg. E ELE TORCE PARA O MENGÃO! (eu também me identifiquei porque ele é pobre, dá tudo errado e, eu sou corinthiana então tô ali com o Flamengo, né? Mas assim, o Pedro seria o cara que em São Paulo totalmente comeria bolovo (se você assim como eu não sabe o que é bolovo, corre pro Google! – foi só pra dar um toque paulista isso, Lany! Tava muito carioquês isso aqui!) e torceria pro Timão, sério! Ele é FOFO!).

Outra coisa muito bacana aqui é que a autora é muito equilibrada. A Lany mencionou marcas e eu já li alguns livros que parecem mais um intervalo comercial que um livro. Aqui a Fabiana foi muito balanceada e mencionou esse tipo de coisa no limite do real e do necessário, ou seja, você sabe que uma pessoa rica assim nesse naipe vai sair toda vestida com roupas de marca, mas a Fabiana não ficava descrevendo isso dos pés à cabeça em parágrafos enormes, não! Ela colocava tudo de forma muito natural, como, sei lá “Helena pegou sua bolsa Louis Vitton e etc. etc. etc.”. Mas só isso! Nada de parágrafos cansativos sobre isso. Fiquei impressionada, porque já vi muita autora badalada se perder nessas situações.

Ah, e não posso deixar de falar das citações musicais nos inícios dos capítulos! Incrível, incrível! Adorei o gosto musical da Fabiana, só música boa. Cazuza, Legião, Paralamas, enfim, tudo de bom. E as letras realmente tinham tudo a ver os capítulos, foi muito legal. Verdade, os trechos das músicas combinaram muito com os capítulos!

Acho que a melhor palavra para descrever esse livro (além de fofo!) e, principalmente, descrever a autora Fabiana Madruga, é versátil. Mesmo que você não seja fã de romances, como eu, você ainda vai gostar desse livro porque ele é real, equilibrado e muito divertido. Ele também me fez enxergar que, muitas vezes, sou preconceituosa tanto com livros desse gênero quanto com as personagens/pessoas desses livros, coloco rótulos e tudo mais nelas, e muitas vezes elas são muito mais do que aparentam ser. A escrita da Fabiana é incrivelmente envolvente e cativante. O livro absorve o leitor de verdade, de um jeito que é impossível parar de ler. Eu espero de coração que ela tenha muito sucesso e que apareça bastante no cenário literário brasileiro, porque ela merece muito, o livro dela é fantástico e eu preciso ler o segundo livro AGORA. #prontofalei Enquanto eu lia os últimos capítulos do livro, eu estava surtando conversando com a Karen no Facebook. E quando acabou eu não acreditei! Eu queria mais capítulos, eu queria o segundo livro, eu não queria parar a leitura. Todo mundo deveria ler esse livro, não só quem gosta de romances. E como a Karen disse, eu espero que a Fabiana tenha muito sucesso porque eu até hoje eu não li nenhum livro como esse. E, principalmente, muito obrigada por mais uma vez mostrar que não devemos julgar um livro pela sinopse.

O que talvez seja um pouco frustrante para vocês que surtaram com a gente nessa resenha é que… o livro ainda não foi lançado! Sim, nós tivemos a sorte de ler em primeira mão! OH YEAH! Mas não se desesperem… o lançamento em e-book do livro está previsto agora para março e, para quem prefere livro físico, o lançamento será em julho. O livro mudou de editora e ainda não tem lançamento definido. Portanto, fiquem ligados no Facebook de O Clube dos Herdeiros para ficarem a par de todas as novidades!

O livro foi lançado pela Editora Draco em e-book, pessoal! E o lançamento do livro físico está previsto para maio. Corre lá na Amazon e aproveita pra comprar, clica aqui!

“Mas o que ninguém viu naquela calçada de Ipanema é que talvez as pessoas mudem, mas a gente se recuse a mudar nosso conceito sobre elas”.

E se o mundo não acabar, até a próxima resenha! 

Ficha técnica:

Nome: O Clube dos Herdeiros: Como Nossos Pais
Autora: Fabiana Madruga
Editora: Draco
Páginas: 241
Onde comprar: Amazon
Avaliação da Cuca 
Avaliação da Cuquete

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