A Cuca Recomenda: Os Viúvos


Todo mundo sabe que a Cuca ama Mario Prata. Assim, amo mesmo, do fundo do coração. Então é ao Pratinha que recomendo quando quero ler um livro que tenho certeza que será bom ou então quando quero ler algo mais leve, com humor, para desanuviar das (várias!) leituras tenebrosas que faço (sim, Dias Perfeitos, eu fiquei tão traumatizada com você que procurei um livro de humor depois da leitura!). Mas acontece que, dessa vez, Os Viúvos, livro da série do detetive Ugo Fioravanti, que começou com o sensacional Sete de Paus… bem, dessa vez o livro simplesmente não atingiu todas as minhas altas expectativas. Foi um livro bom, não excepcional. E isso me deixou bem triste porque, oras, vou dizer novamente: eu amo Mario Prata. Mas nem sempre vamos amar todos os livros de nossos autores favoritos, certo?

“Os viúvos traz uma nova aventura do detetive Ugo Fioravanti e seu fiel companheiro Darwin Matarazzo na bela ilha de Florianópolis. Desta vez, o ex-policial federal e agora detetive particular, Fioravanti, terá que desvendar dois sequestros, encontrar uma mulher a pedido do príncipe de Dubai e descobrir quem é o louco remetente E.R.N., que lhe envia e-mails com desabafos sobre sua vida tediosa, seus problemas com a Receita Federal e com avisos dos vários crimes que cometerá. Será que os acontecimentos e os e-mails misteriosos têm alguma ligação? Quem é, afnal de contas, esse tal E.R.N.? Além da tumultuada rotina de uma investigação criminal, Fiora ainda precisa lidar com um triângulo amoroso envolvendo uma ex-namorada e sua filha e resolver os problemas matrimoniais de Darwin, seu assistente.” Fonte

Os Viúvos segue a mesma linha de seu antecessor, Sete de Paus. Ambientado com habilidade e precisão na lindíssima Floripa (cidade que amo e, como já fui lá, você realmente vê que o autor sabe do que está falando; mas, afinal, ele mora lá, então tem conhecimento de causa para escrever sobre o lugar), temos um novo caso (ou casos) do nosso conhecido detetive Fioravanti – ou Fiora. Temos também o retorno de seu fiel escudeiro, Darwin Matarazzo, que continua sendo hilário e faz uma orelha como ninguém. Nesse livro, Fiora recebe vários e-mails de um tal E.R.N., que confessa seus crimes e suas desventuras com a Receita Federal. Em meio a tudo isso, Fiora também precisa resolver um caso inquietante sobre os sequestros de bancárias – sim, funcionárias de um banco e, ainda por cima, precisa encontrar uma bunda (mas isso fica a cargo do pobre Darwin, que quase perde a esposa por isso). Ótimos ingredientes para um livro cheio de humor, não?

Sim, mas também, não. A história da mais bela bunda da ilha de Florianópolis parecia divertida e promissora, mas acontece que pareceu apenas uma história inserida ali sem relação com o restante do livro, pura e simplesmente para ser engraçada, e isso não foi legal. A história ficou meio “voando” no livro, sem nunca se encaixar direito. Era como um desvio na trama, não uma subtrama. Rendeu algumas risadas? Rendeu. Mas não rendeu risadas tão boas quanto outros livros do autor.

“- As pregas?
– Sim, minha menina. As pregas, minha filha, dizem muito. Muito! É uma região menosprezada pela ciência, mas é fonte de muitas informações sobre a pessoa.
(…)
– Que bela fossa isquiorretal! O espaço retroesfínctérico…” Página 218

É… não preciso dizer sobre o quê é essa cena, certo? *assovia*

Enquanto isso, a história dos sequestros e de E.R.N. era interessante, mas logo se demonstrou previsível. E, mesmo que estejamos em um livro policial e de humor, ainda estamos em um livro policial e ainda é preciso um mistério que envolva o leitor, e não senti que a trama desse caso me envolveu ou me deixou curiosa. Adivinhei bem cedo o que iria acontecer e não é tão bom assim – pelo menos para mim – adivinhar o final em uma trama policial. Talvez Os Viúvos sofra daquela síndrome dos segundos volumes de séries, não sei… Só sei que Sete de Paus foi bem melhor. E ainda tem o fato do tórrido romance adolescente de Fiora durante a trama que… não convenceu. Preferia o Fiora que só se envolvia com prostitutas, era muito mais a cara dele.

A edição é da Leya, de 2010. É uma edição simples, mas competente. Assim como no primeiro volume, este também é separado em capítulos com os nomes das praias, o que é bem divertido principalmente se você é residente ou já visitou Floripa. As notas de rodapé para apresentar os personagens são muito criativas e interessantes, mas começam a se tornar repetitivas e cansativas depois que você já leu trinta notas de rodapé… Talvez fosse legal se o recurso não fosse utilizado em todos os personagens. Por outro lado, algo muito bacana foi a primeira orelha, onde o personagem Darwin Matarazzo apresenta o livro reclamando do seu mais novo caso – o da bunda perdida, e devo dizer que é uma senhora orelha! Já na segunda orelha estão os dados do autor, com uma fotografia de 1957, da época que ele prestou vestibular para a Escola Militar. É outro detalhe bastante divertido.

“Sexo faz bem para o coração e o pulmão. Dizem que seca até hemorróidas. Além de abrir o apetite.” Página 110

Acho que estou muito exigente ultimamente, confesso. No entanto, mesmo assim, Os Viúvos ainda é um livro que diverte e cativa o leitor, com uma trama engraçada e ótimas sacadas. Ele apenas não é um livro tão bom quanto o que estou acostumada a ler de Mario Prata. O estilo inconfundível do autor ainda está lá, mas não em todo seu grande potencial. Entretanto, como eu adoro o autor, vou continuar recorrendo a ele, pois existem muitos outros livros seus que ainda não li – e um dia lerei todos.

Dúvida: vocês também têm essa sensação meio triste e estranha quando não gostam tanto assim do livro de um autor que amam muito? Respondam nos comentários!

Ficha Técnica

Título: Os Viúvos
Autor: Mario Prata
Editora: Leya
Páginas: 288
Onde comprar: Livraria Cultura
Avaliação: 

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  • Michelli Santos Prado disse:

    Ainda não li nada do autor e não conhecia tanto o livro como o que você mencionou Sete de Paus. Achei bacana a proposta do livro, mas tua resenha não me animou muito. Mas de qualquer forma parabéns pela resenha, e nos apresentar algo bem diferente das leitura que estou habituada!!

  • Shadai disse:

    começar pelo final: não costumo recomendar livros que gosto bastante por medo de que a pessoa não goste, iria achar super chato, seria uma sensação estranha na relação, mas não ficaria triste.

    quanto ao livro, não me chamou atenção, acho que não tenho o humor que precisa se ter para uma história que tenha uma “bunda procurada”.

  • Fabiana Strehlow disse:

    Olá, Karen!
    Não conheço nenhum livro desta série. E pelo visto, não é o tipo de literatura que me atrai.
    Mas, tenho que concordar com você, quando diz que nem sempre vamos amar todos os livros de nossos autores favoritos.

  • Marília Sena disse:

    Eu nunca li nenhuma obra do autor (principalmente porque não o conhecia rs), e raramente leio livros com essa temática policial/humorística. Portanto, confesso que não me encantei muito, apesar de parecer ser um livro bem completo. Muito triste o fato de A Maldição do Segundo Livro ter atingido Os Viúvos.
    Beijos.

  • Gustavo disse:

    Eu tenho uma fascinação pra conhecer esse autor que já não cabe em mim. Desde que uma amiga falou que ele é perfeito e encheu ele de elogios eu tenho uma vontade louca de ler algo dele, mas algo sempre me impede. A última vez eu fui finalizar uma compra e o site travou, desligou meu PC e perdi horas de um trabalho escolar e o carrinho do site esvaziou kkkk então tenho um pouco de raiva por isso, mas ainda tenho interesse nele de uma forma que até me assombra kkk mesmo com essa história da bunda voando acho que parece ser um livro bem legal e que vale a pena dar uma chance, espero ler ele em breve e acabar com essa má sensação de quando eu for comprar um livro dele eu vá me dar mal kkkk
    Alguma sugestão sobre qual livro dele eu deveria ler primeiro? *-*

  • Douglas Fernandes disse:

    Eu nao conhecia o autor.. depois vou procurar sobre suas obras pra ver se me agrada, eu fico triste sim quando nao gosto de um livro do autor que gosto tanto, mas eu lembro de tantas outras obras que o elegeram o meu autor favorito e a tristeza passa… rsrs

  • Nayara disse:

    Gente! Nunca li nada de Mario Prata. Confesso que não leio muito autores brasileiros….. Mas pela história, sendo uma iniciante se tratando desse autor, achei bem diferente e engraçada! Gosto do estilo policial! Mas descobrir o final do livro, na metade, por exemplo é meio chato. Gosto de ser surpreendida.
    E ler um livro do autor preferido e se não gostar é bem triste mesmo! =(
    Não só livros, né… séries, filmes… tudo!

  • Lais Cavalcante disse:

    Achei a premissa desse livro boa. Vou pesquisar mais sobre ele e quem sabe comprá-lo. E sim, sinto-me decepcionada quando compro um livro de um autor que eu curto pra caramba e o livro é ruim. Talvez não tenha sido o momento ideal para você ter lido… tente de novo, vai que funciona.

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