A Cuca Recomenda: Tudo o que Mãe diz é Sagrado

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Para homenagear esse 7 de setembro, a Cuca retorna com mais um post do nosso Especial Nacional, organizado pelo blog Who’s Thanny?. Esse livro foi bem especial para mim. Uma grande amiga me emprestou o mesmo e tanto eu, quanto ela, assim como a autora, compartilhamos os mesmos sentimentos. Ler esse livro foi como conversar com uma boa amiga: alguém que não te julga, apenas entende. Foi ouvir seu desabafo e desabafar também.

“O que pode restar de uma pessoa que doa parte de seu corpo para salvar a mãe que morre em seguida? O que se passa nas entranhas de alguém que sente a vida de forma intensa é o que se lê em Tudo o que mãe diz é sagrado. As amarguras da vida deixam feridas profundas às vezes, e conviver com uma dor que parece infinita é só o que se pode fazer. A autora passou por um longo período de luto e foi por meio da escrita e da companhia de seu fiel cachorro, Astor, que ela – aos poucos – voltou a viver. Paula Corrêa é visceral, densa e doce ao mesmo tempo. Este livro leva a uma viagem vertiginosa, mas bela! Vertiginosa e bela como a própria vida.” Fonte

Tudo o que Mãe diz é Sagrado é um livro de crônicas. A cada página, encontramos um pensamento, um sentimento, um desabafo de Paula Corrêa. Quanto tinha apenas vinte e poucos anos, Paula perdeu sua mãe. Metaforicamente dizemos que, quando uma pessoa amada vai embora, um pedaço nosso vai junto com ela; para Paula, isso foi também físico. Ela doou um pedaço do seu fígado para tentar salvar a mãe, sem sucesso. Nós encontramos a autora após todos esses acontecimentos, tentando juntar os cacos de si mesma. Pedaço por pedaço,  palavra por palavra, crônica por crônica, nós acompanhamos o recomeço de Paula, as suas lembranças, o seu amor e toda a sua dor.

Só tenho um coração. Deveras confuso. Melhor deixá-lo de lado, batendo baixinho, como quando estamos dormindo. Página 156.

O sofrimento não é belo, mas Paula consegue fazer poesia de seus sentimentos. Após a morte da mãe, ela passa por um período de isolamento e luto, tendo como maior companheiro seu cachorro Astor. O bom de um bichinho, seja um cachorro, um gato, o que quer que seja, é que ele não questiona, não julga. Ele não se cansa da nossa tristeza. Ele só consegue ser amigo, incondicionalmente. Nós é que somos egoístas, o bichinho não consegue, ele é todo fidelidade e amizade. Astor é um bom companheiro para Paula e a ajuda a levantar todos os dias, quando tudo o que ela quer fazer é se entregar.

Agora não posso nem dizer que ontem o seu corpo ainda existia, que ontem o seu coração ainda batia, (…) agora eu não posso dizer mais nada disso porque nem o tempo me ajuda, e diante disso nem posso afirmar que ele tenha aplacado minha dor. Página 168.

As suas crônicas são intensas, viscerais, sensíveis, melódicas. Para mim, crônicas são um meio de desabafo. É quando um escritor coloca no papel todo seu sentimento, seja ele de tristeza, seja de raiva, indignação, angústia. Crônica é um texto que sempre é baseado na realidade, na realidade que o autor enxerga. Todo o livro é um desabafo de Paula. Para quem já passou pela situação vivida por ela, os textos são ainda mais intensos. Eu me identifiquei em cada linha, em cada palavra. No amor, na dor, na despedida. Se você já passou por essa situação tão dolorosa, leia esse livro, sinta-o. Se você não passou, leia também: e depois abrace sua mãe. Nós queremos acreditar que ela é eterna, mas um dia ela vai embora. Sem aviso, sem adeus. Nós nunca estamos preparados, não importa se você tem vinte anos ou sessenta. E o que resta é um vazio sem fim.

Ficha técnica:

Nome: Tudo o que Mãe diz é Sagrado
Autor: Paula Corrêa
Páginas: 168
Editora: Leya
Onde comprar: Livraria Cultura / Livraria Cultura (e-book) / Amazon (e-book)
Minha avaliação: 

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  • Melissa de Sá disse:

    Nossa, arrepiei lendo essa resenha e os quotes do livro. Deve ser mesmo uma leitura super intensa.

    E bonita essa relação dela com o cachorro. Animais são mesmo muito especiais.

  • Jullyane Prado disse:

    Esse livro parece ser realmente emocionante, eu perdi a minha avó materna de câncer e nossa o sofrimento da minha mãe foi intenso, ela não queria seguir em frente, queria apenas parar no tempo, sentir a dor e se entregar a ela. Imagino como é perder uma mãe!!Esse livro já entrou pra minha lista!!! Parabéns pela bela resenha!

  • Nivia Fernandes disse:

    Por não saber se tenho mais medo de morrer ou de perder minha mãe, ler um livro desse ia ser um sofrimento absurdo… Dá pra transformar a dor em poesia sim. Mas o problema é que ela nunca fica só nas palavras.
    Acredito mesmo que seja muito bom o livro. E animais são mesmo uns anjinhos, eles amam de verdade sem questionar a gente…
    Resenha na medida certa: não faltou dizer nada.

    Beijos!

  • Karen Araki disse:

    É muito triste perder uma pessoa que você ama, principalmente sendo a sua mãe, infelizmente eu sei disso, pois perdi a minha a 9 anos atrás e foi mais triste ainda pois, eu à perdi bem na semana do dia das mães. São vários sentimentos que você sente, como deve estar descrito nesse livro. Infelizmente isso é o ciclo da vida, a dor passa a saudade fica. Adorei a resenha.

  • ana paula ramos disse:

    Acho que não estou preparada psicologicamente para ler esta cronica…..
    Não consigo pensar naturalmente nessas perdas… principalmente de alguem tão proximo como minha mãe.
    Deve ser uma historia bem bonita, com sentimentos sensíveis, pelo jeito a autora escreve muito bem! Mas eu procuro as fases certas para leituras assim, vou esperar um pouco…..

    bjos

  • Michelle Agda disse:

    Concordo com o tema do livro: tudo que mãe diz é MESMO sagrado! Nada como ouvir e obedecer aquela que nos deu a luz e sabe o que é melhor pra nós :)

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