Arquivo para a categoria ‘ Laurie Halse Anderson ’


Resenha: Fale!

Conheci Laurie Halse Anderson através do seu outro livro publicado no Brasil, Garotas de Vidro, que considerei brilhante. Por isso, quando a Editora Valentina anunciou que publicaria Fale!, fiquei enlouquecida por ele, ainda mais que a Vânia já tinha comentado que era um livro muito bom e muito forte. Sem vergonha que sou já fui logo pedindo pra Lany – que é a responsável aqui no blog pela parceria com a Valentina – que pedisse o livro pra mim (hohoho). E então o livro chegou. E eu li em dois dias (e só porque tinha que trabalhar, senão era um dia só). Quer saber por que Fale! é tão bom? Bem, vou te contar.

“Fale sobre você… Queremos saber o que tem a dizer.” Desde o primeiro momento, quando começou a estudar no colégio Merryweather, Melinda sabia que isso não passava de uma mentira deslavada, uma típica farsa encenada para os calouros. Os poucos amigos que tinha, ela perdeu ou vai perder, acabou isolada e jogada para escanteio. O que não é de admirar, afinal, a garota ligou para a polícia, destruiu a tradicional festinha que os veteranos promovem para comemorar a chegada das férias e, de quebra, mandou vários colegas para a cadeia.

E agora ninguém mais quer saber dela, nem ao menos lhe dirigem a palavra – insultos e deboches, sim – ou lhe dedicam alguns minutos de atenção, com duvidosas exceções. Com o passar dos dias, Melinda vai murchando como uma planta sem água e emudece. Está tão só e tão fragilizada que não tem mais forças para reagir.

Finalmente encontra abrigo nas aulas de arte, e será por meio de seu projeto artístico que tentará retomar a vida e enfrentar seus demônios: o que, de fato, ocorreu naquela maldita festa?” Fonte

Quando as pessoas não se expressam, vão morrendo aos poucos. Você ficaria chocada se soubesse quantos adultos estão realmente mortos por dentro (…). É a coisa mais triste que conheço.




Resenha: Garotas de Vidro

“Lia e Cassie são amigas há anos, ambas congeladas em seus corpos. No entanto, em uma manhã, Lia acorda com a notícia de que Cassie está morta, e as circunstâncias de sua morte ainda são um mistério. Não bastasse isso, Cassie tentara falar com Lia momentos antes, para pedir ajuda. Lia tem de lidar com o pai, que é um renomado escritor, sua madrasta e a mãe, uma cardiologista que vive ocupada, salvando a vida dos outros. Contudo, seu maior tormento é a voz dentro de si mesma, que não a deixa se esquecer de manter o controle, continuar forte e perder mais, sempre perder mais, e pesar menos. Bem menos.” Fonte

Esse é um livro forte e difícil de ler, e ao mesmo tempo, um livro que você não consegue largar. Li em poucos dias, e apenas não li em menos porque tinha que fazer outras coisas e não pude dedicar dias inteiros ao livro.

Lia é uma garota presa ao seu próprio corpo e à tortura que ela/sua família/a sociedade impuseram a ela mesma. Ela chegou a um nível de obsessão que nada mais a satisfaz, nada tem sentido, a única razão de sua existência é permanecer forte e vazia, e o peso nunca é suficiente. Ela sempre quer menos. Sua obsessão se acentua quando Cassie, sua melhor amiga – e também cúmplice do tormento que as duas vivem – morre sem explicação, sozinha em um quarto de motel. Ela tinha ligado para Lia trinta e três vezes. Trinta e três vezes. E Lia não atendeu.

A verdade nem sempre é o que enxergamos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...