Arquivo para a categoria ‘ Literatura Nacional ’


Resenha: A Glória e seu cortejo de horrores

A glória e seu cortejo de horrores, novo romance de Fernanda Torres, autora de Fim, acompanha as desventuras de Mario Cardoso, um ator de meia idade, dos dias de sucesso como astro de telenovela até a total derrocada quando decide encenar uma versão de Rei Lear – e as coisas não saem exatamente como esperava. Mescla eletrizante de comédia de erros e retrato do artista, o livro atravessa diversas fases da carreira de Mario (e da história recente do Brasil), suas lembranças de juventude no teatro político, a incursão pelo Cinema Novo dos anos 60, a efervescência hippie do Verão do Desbunde, o encontro com o teatro de Tchékhov, a glória como um dos atores mais famosos de uma época em que a televisão dava as cartas no país. Um painel corrosivo de uma geração que viu sua ideia de arte sucumbir ao mercado, à superficialidade do mundo hiperconectado e, sobretudo, à derrocada de suas próprias ilusões.

Continue lendo…




Resenha: A Noite da Espera

A Noite da EsperaNove anos após a publicação de Órfãos do Eldorado, Milton Hatoum retorna à forma da narrativa longa em uma série de três volumes na qual o drama familiar se entrelaça à história da ditadura militar para dar à luz um poderoso romance de formação. Nos anos 1960, Martim, um jovem paulista, muda-se para Brasília com o pai após a separação traumática deste e sua mãe. Na cidade recém-inaugurada, trava amizade com um variado grupo de adolescentes do qual fazem parte filhos de altos e médios funcionários da burocracia estatal, bem como moradores das cidades-satélites, espaço relegado aos verdadeiros pioneiros da capital federal, migrantes desfavorecidos. Às descobertas culturais e amorosas de Martim contrapõe-se a dor da separação da mãe, de quem passa longos períodos sem notícias. Na figura materna ausente concentra-se a face sombria de sua juventude, perpassada pela violência dos anos de chumbo. Neste que é sem dúvida um dos melhores retratos literários de Brasília, Hatoum transita com a habilidade que lhe é própria entre as dimensões pessoal e social do drama e faz de uma ruptura familiar o reverso de um país cindido por um golpe. Fonte

Continue lendo…




Resenha: Dois Irmãos

Dois Irmãos“Dois Irmãos” é a história de como se constroem as relações de identidade e diferença numa família em crise. É a história de dois irmãos gêmeos – Yaqub e Omar – e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Esse menino – o filho da empregada – narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado. Buscando a identidade de seu pai entre os homens da casa, ele tenta reconstruir os cacos do passado, ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros. Do seu canto, ele vê personagens que se entregam ao incesto, à vingança, à paixão desmesurada. O lugar da família se estende ao espaço de Manaus, o porto à margem do rio Negro: a cidade e o rio, metáforas das ruínas e da passagem do tempo, acompanham o andamento do drama familiar. Prêmio Jabuti 2001 de Melhor Romance. Fonte

Continue lendo…




A Cuca Recomenda: Prisioneiras

Tenho um grande interesse pelo tema carcerário, especialmente quando se trata de prisões femininas. Portanto, quando a Companhia das Letras lançou Prisioneiras, de Drauzio Varella, fiquei muito curiosa. Não-ficção não costuma participar da minha zona de conforto, mas o que seríamos de nós, leitores, se não a abandonássemos de quando em quando em nossas leituras? Já conhecia o prestigioso médico, claro, mas nunca havia lido nada dele; sua narrativa envolvente, bem-estruturada e emocionante foi uma grata surpresa e transformou Prisioneiras em uma das minhas melhores leituras de 2017.

prisioneiras“O trabalho de Drauzio Varella como médico voluntário em penitenciárias começou em 1989, na extinta Casa de Detenção de São Paulo, o Carandiru. Os anos de clínica e as histórias dos presos, dos funcionários e da própria cadeia seriam retratados nos aclamados livros Estação Carandiru (1999) e Carcereiros (2014). Em 2017, Drauzio encerra sua trilogia literária sobre o sistema carcerário brasileiro com Prisioneiras. Alçando as mulheres encarceradas a protagonistas, o médico rememora os últimos onze anos de atendimento na Penitenciária Feminina da Capital, que abriga mais de duas mil detentas. São histórias de mulheres que não raro entram para o crime por conta de seus parceiros inclusive tentando levar drogas aos companheiros nas penitenciárias masculinas em dias de visita , porém que são esquecidas quando estão atrás das grades. As famílias conseguem tolerar um encarcerado, mas não uma mãe, irmã, filha ou esposa na cadeia. No ambiente carcerário feminino, há elementos comuns às penitenciárias masculinas. Assim como no Carandiru, um código de leis não escrito rege as prisioneiras; o Primeiro Comando da Capital (PCC) está presente e mostra sua força através das mulheres que integram a facção; e a relação entre aquelas que habitam as cadeias não é menos complexa. As casas de detenção femininas, no entanto, guardam suas particularidades diferenças às quais o médico paulistano dedica atenção especial em sua narrativa. Desde a dinâmica dos atendimentos e a escassez de visitas até os relacionamentos entre as presas, fica nítido que a realidade das prisões escapa ao imaginário de quem vive fora delas. Prisioneiras é um relato franco, sem julgamentos morais, que não perde o senso crítico em relação às mazelas da sociedade brasileira. Nesse encerramento de ciclo, Drauzio Varella reafirma seu talento de escritor do cotidiano, retratando sua experiência e a vida dessas mulheres com a mesma disposição, coragem e sensibilidade que empreendeu ao iniciar seu trabalho nas prisões há quase três décadas.” Fonte

Sou médio, não juiz, condição que me coloca em plano de observação privilegiado. Escuto histórias da infância, relatos de desencontros, paixões, vinganças, perversidades, sofrimentos e humilhações que jamais suspeitei existir fora dos livros. A todo momento me surpreendo com a riqueza e a diversidade do universo feminino.




Resenha dupla: Reverso

Esse foi o primeiro livro reli esse ano! Sim, porque ele foi lançado e eu li. Depois, antes de resenhar, resolvi ler de novo! Agora vocês vão saber o que achamos do livro que encerra a duologia Espelhos da Karen! Meu texto será em azul e o da Lany em laranja.

ReversoMegan gostaria de ter deixado todos os seus medos do outro lado do espelho, presos com Megami e sua perigosa obsessão. Mas ela sabe que nada é tão fácil e, rápido demais, o espelho cobra seu preço também deste lado. Megan se vê dentro do seu maior pesadelo, um que conhece muito bem. E agora, além de lutar contra Megami, precisa fazer uma terrível escolha que definirá o seu futuro e o das pessoas ao seu redor.

Em meio a tantos segredos e dúvidas, Megan deve descobrir a verdade sobre Megami e, acima de tudo, sobre si mesma.

Reverso é a conclusão da história iniciada em Inverso, de Karen Alvares, a jornada de uma garota em busca de sua própria identidade. Para proteger quem mais ama, Megan enfrentará seus maiores temores e irá compreender seus sentimentos mais profundos. Mas será que ela é assim tão diferente da garota que a encara do outro lado do espelho?

Continue lendo…

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...



Página 1 de 4612345...102030...Última »