Arquivo para a categoria ‘ Não-Ficção ’


Resenha: Carcereiros

Ficha técnica:

Título: Carcereiros

Autor: Drauzio Varella

Páginas: 232

Editora: Companhia das Letras

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Sinopse: “Em Estação Carandiru Drauzio Varella focou seu corajoso relato na população carcerária de um dos presídios mais violentos do Brasil. Mas os vinte e três anos atuando em presídios brasileiros como médico voluntário também o aproximaram do outro lado da moeda: as centenas de agentes penitenciários que, trabalhando sob condições rigorosas e muitas vezes colocando a vida em risco, administram essa população. Foi com um grupo desses agentes que Drauzio passou a se reunir depois das longas jornadas de trabalho, em um botequim de frente para o Carandiru. E essa convivência pôs o autor em contato com os relatos narrados em Carcereiros, segundo volume da trilogia iniciada por Estação Carandiru – o terceiro livro, Prisioneiras, terá como ponto de partida o trabalho do médico na Penitenciária Feminina da Capital. Acompanhamos, assim, uma rebelião pelos olhos de quem tenta contê-la. Entramos em contato com o cotidiano dos carcereiros e as situações desconcertantes impostas pelo ofício, que eles resolvem com jogo de cintura e, não raramente, com humor. O que emerge é um retrato franco de um mundo totalmente desconhecido para quem está de fora.”

Drauzio Varella merece o título de “melhor pessoa” e isso não é um meme. Em um mar de insanidade, ele é o homem mais sensato desse Brasil, tão insano ultimamente. Vê-lo falar em seu canal do Youtube me traz paz (além de informação, é claro). Já ler seus livros me traz reflexão – sobre a sociedade brasileira tão doente, sobre a nossa triste desigualdade social, sobre a vida nas periferias e sobre a vida dentro das cadeiras, principalmente. É curioso, mas estou lendo sua série sobre as prisões brasileiras de trás pra frente – comecei com o indispensável Prisioneiras (resenha) e agora li Carcereiros, tão bom quanto, mas essa ordem maluca não compromete a leitura, fiquem tranquilos (para quem é rebelde como eu ~risos~). Esse último, uma obra com histórias de agentes penitenciários, é mais uma obra rica em histórias de homens anônimos que arriscam suas vidas diariamente e conhecem o que há de mais terrível na humanidade.

~ Dica: acompanhe nosso Instagram e fique por dentro das resenhas e indicações em primeira mão! ~

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Resenha: Mulheres na Luta

Ficha técnica:

Título: Mulheres na Luta – 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade

Autoras: Marta Breen e Jenny Jordahl

Posfácio “Brasileiras na Luta”: Bárbara Castro

Tradutora: Kristin Lie Garrubo

Páginas: 128

Editora: Seguinte

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Sinopse: “Há 150 anos, a vida das mulheres era muito diferente: elas não podiam tomar decisões sobre seu corpo, votar ou ganhar o próprio dinheiro. Quando nasciam, os pais estavam no comando; depois, os maridos. O cenário só começou a mudar quando elas passaram a se organizar e a lutar por liberdade e igualdade. Neste livro, Marta Breen e Jenny Jordahl destacam batalhas históricas das mulheres — pelo direito à educação, pela participação na política, pelo uso de contraceptivos, por igualdade no mercado de trabalho, entre várias outras —, relacionando-as a diversos movimentos sociais. O resultado é um rico panorama da luta feminista, que mostra o avanço que já foi feito — e tudo o que ainda precisamos conquistar.”

Quando vi a edição de Mulheres na Luta – 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade na livraria, é claro que o título e o tema me chamaram atenção, mas preciso ser franca: foi o capricho que me fez querer pedir essa HQ para nossa parceira, a Editora Seguinte. A edição capa dura é cheirosa (muito!), com ilustrações lindíssimas e miolo todo colorido. Se vale a pena? E muito! Cada página é um aprendizado sobre as mulheres que construíram nossa história (e muitas vezes foram sumariamente apagadas dela) e, além disso, é uma obra para se ter na estante e abraçar (e cheirar!).

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Resenha: Longe de casa – Minha jornada e histórias de refugiadas pelo mundo

Ficha técnica:

Título: Longe de casa – Minha jornada e histórias de refugiadas pelo mundo

Autora: Malala Yousafzai

Tradutora: Lígia Azevedo

Páginas: 232

Editora: Seguinte

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Sinopse:

“Neste livro, a mais jovem ganhadora do prêmio Nobel da paz conta sua história de migração e dá voz a garotas que estão entre os milhões de refugiados pelo mundo.

Ao longo de sua jornada, a paquistanesa Malala Yousafzai visitou uma série de campos de refugiados, o que a levou a pensar sobre sua própria condição de migrante — primeiro dentro de seu país, ainda quando criança, e depois como ativista internacional, livre para viajar para qualquer canto do mundo, exceto sua terra natal.
Em Longe de casa, que é ao mesmo tempo um livro de memórias e uma narrativa coletiva, Malala explora sua própria trajetória de vida e apresenta as histórias de nove garotas de várias partes do mundo, do Oriente Médio à América Latina, que tiveram que deixar para trás sua comunidade, seus parentes e o único lar que conheciam.
Numa época de crises migratórias, guerras e disputas por fronteiras, Malala nos lembra que os 68,5 milhões de deslocados no mundo são mais do que uma estatística — cada um deles é uma pessoa com suas próprias vivências, sonhos e esperanças.”

Quando vi o lançamento de Longe de Casa, nas redes da Seguinte, minha vontade era pegar o livro naquele instante e começar a ler. Há algum tempo li o maravilhoso Eu sou Malala (resenha aqui) e fiquei encantada. A história da Malala Yousafzai é inspiradora e vai muito além do conhecido atentado no qual ela levou um tiro na cabeça ao retornar da escola. Mas, enquanto neste livro Malala contava a própria história, em Longe de Casa a ativista abre espaço para outras meninas e mulheres contarem suas histórias de refugiadas. E uma é mais emocionante que a outra.

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Resenha: Boy Erased – Uma verdade anulada

Ficha técnica:

Nome: Boy Erased – Uma verdade anulada

Autor: Garrard Conley

Tradutora: Carolina Selvatici

Páginas: 320

Editora: Intrínseca

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Sinopse:

“Livro que deu origem a filme estrelado por Nicole Kidman, Russel Crowe e Lucas Hedges.

Em seu elogiado livro de estreia, Garrard Conley revisita as memórias do doloroso período em que participou de um programa de conversão que prometia “curá-lo” da sua homossexualidade. Garrard — filho de um pastor da igreja Batista, criado em uma cidadezinha conservadora no sul dos Estados Unidos — foi convencido pelos próprios pais a apagar uma parte de si. Em uma tentativa desesperada de agradá-los e de não ser expulso do convívio da família, ele quase se destruiu por completo, mas encontrou forças para buscar sua identidade e hoje é ativista contra as terapias de conversão.

Tocante e inspiradora, a história de Garrard é um acerto de contas com o passado, um panorama complexo das relações do autor com a família, com a fé e com a comunidade. O livro é o testemunho dos traumas e das consequências de se tentar aniquilar parte essencial de um ser humano.”

Boy Erased chegou ao Brasil em meio a uma polêmica: a Universal Pictures, distribuidora do filme inspirado na obra literária, desistiu de exibir o filme nos cinemas brasileiros. Em meio ao cenário político conservador que vivemos atualmente, a atitude foi considerada como censura nas redes sociais, mas a distribuidora alegou que foi uma decisão comercial, baseada em custos. De fato, o filme não decolou nos EUA, com uma bilheteria fraca e nenhuma indicação ao OSCAR. A obra cinematográfica será lançada em DVD, a partir do dia 17 de abril.

Se foi censura ou capitalismo (ou uma mistura dos dois), talvez nunca chegaremos a saber. Mas e o livro, lançado pela Intrínseca? Bem, é aí que fomos conferir. Gentilmente a editora nos enviou a obra através da nossa parceria de 2019. Será que vale mesmo a pena ou o hype foi maior?

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Resenha: Maria Bonita – Sexo, Violência e Mulheres no Cangaço

Você acha que sabe quem foi Maria Bonita? Sabia que ela só passou a ser conhecida por esse nome depois de sua morte?

Ficha técnica:

Nome: Maria Bonita – Sexo, Violência e Mulheres no Cangaço

Autora: Adriana Negreiros

Páginas: 296

Editora: Objetiva

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Sinopse: A mulher mais importante do cangaço brasileiro, que inspirou gerações de mulheres, ganha agora sua biografia mais completa e com uma perspectiva feminista. Embora a mitificação da imagem de Maria Bonita tenha escondido situações de constante violência, ela em nada diminui o caráter transgressor da Rainha do Sertão.

Desde os anos 1990, quando Vera Ferreira, filha do casal de cangaceiros mais famoso do Brasil, cravou como data de nascimento de sua mãe o 8 de março, Maria Bonita é celebrada no Dia Internacional da Mulher. Com o tempo, transformou-se em uma marca poderosa.

Enquanto a companheira de Lampião viveu, no entanto, essa personagem nunca existiu. A cangaceira que teve a cabeça decepada em 28 de julho de 1938 era simplesmente Maria de Déa: uma jovem de 28 anos que morreu sem jamais saber que, um dia, seria conhecida como Maria Bonita.

Nos anos em que viveu com Lampião e nos subsequentes à sua morte, despertou pouco interesse em pesquisadores ou jornalistas. E foi essa lacuna de informações sobre sua vida e a das outras jovens que viviam com o bando que contribuiu para que se criasse a fantasia de uma impetuosa guerreira, hábil amazona do sertão, uma Joana D’Arc da caatinga. Essa versão romântica e justiceira de Maria Bonita, rapidamente apropriada pela indústria cultural, tornou-se um produto de forte apelo comercial — e expandiu seus limites para além das fronteiras do sertão. Neste livro, Adriana Negreiros constrói a biografia mais completa até então daquela que é, sem dúvidas, a mulher mais importante do cangaço.

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