Em outras palavras: Paperboy

Na coluna Em outras palavras de hoje, mais uma resenha do Felipe, dessa vez para o livro Paperboy, da Editora Novo Conceito. ‘Bora lá saber o que ele achou do livro e, de quebra, também da adaptação cinematográfica?

Paperboy é uma viagem ilustrada por uma América idílica, a qual o autor vai desmanchando e revelando em pedaços. E no final todos estarão em pedaços, até você leitor.

“Hillary Van Wetter foi preso pelo homicídio de um xerife sem escrúpulos e está, agora, aguardando no corredor da morte. Enquanto espera pela sentença final, Van Wetter recebe cartas da atraente Charlotte Bless, que está determinada a libertá-lo para que eles possam se casar. Bless tentará provar a inocência de Wetter conquistando o apoio de dois repórteres investigativos de um jornal de Miami: o ambicioso Yardley Acheman e o ingênuo e obsessivo Ward James.

As provas contra Wetter são inconsistentes e os escritores estão confiantes de que, se conseguirem expor Wetter como vítima de uma justiça caipira e racista, sua história será aclamada no mundo jornalístico. No entanto, histórias mal contadas e fatos falsificados levarão Jack James, o irmão mais novo de Ward, a fazer uma investigação por conta própria. Uma investigação que dará conta de um mundo que se sustenta sobre mentiras e segredos torpes.

Best-seller do The New York Times, Paperboy é um romance gótico sobre a vida aparentemente sossegada das cidades do interior. Um thriller tenso até a última linha, que fala de corrupção e violência, mas que, ao mesmo tempo, promove uma lição de ética.” Fonte

Apesar da sinopse passar a impressão que estaremos lendo um thriller, caro leitor, deixe-me tirar o seu cavalo da chuva e te dizer que não, o thriller representa quase nada no todo da obra. A trama que seria e deveria ter sido o foco do livro, que é a grande matéria de Ward e Yardley, é apenas um estopim.

Alias acredito que o verdadeiro titulo do livro deveria ser “Não existem homens íntegros”, o que o caracterizaria muito melhor, uma vez que basicamente seu tema é isso, o fato de que nenhum homem se consegue manter íntegro por muito tempo, todos se corrompem em diferentes escalas.

 

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Paperboy foi uma montanha russa de emoções: o livro começou muito bem, com descrições excelentes da cidade e habitantes de Lately, na qual passamos quase todo o livro, e um pouco da história da família Van Wetter, que apesar de desnecessária, se torna interessante devido a narração empolgante por parte do personagem principal, o irmão mais novo de Ward, Jack, que foi muito descaracterizado na sinopse aliás (como você já pode perceber fiquei com raiva dessa sinopse).

Jack é um excelente narrador e é compreensivel o porquê de ele narrar o livro. Apesar de ser tão calado quanto seu irmão, o que gera milhares de pensamentos que podemos acompanhar com gosto, Jack é muito mais emotivo que ele, ou talvez porque estamos vendo a historia sob sua ótica, percebemos melhor suas emoções. Isso é fundamental para que possamos gostar do personagem e me vi torcendo para que o Jack permanecesse íntegro até o final. Parabéns ao autor por ter escrito um personagem tão cativante.

Continuando na montanha russa, após todos os personagens apresentados, o livro entra numa repetição de captura de fatos por parte dos jornalistas. Entendo que este trabalho é tedioso, porém faltou esforço por parte do autor em deixar estas partes mais agradáveis para o leitor, ou um editor tê-las eliminado/encurtado.

O livro volta a se erguer quando finalmente temos uma matéria preparada por Yardley, uma matéria recheada de mistérios continuarão a ser investigadas por Ward (e não por Jack, como diz a sinopse – tsk tsk sinopse má e feia). Mas mesmo após esse acontecimento, temos muitos monólogos e sessões depressivas de Ward que foram repetidas à exaustão.

A trama da inocência de Hillary foi muito mal utilizada, assim como a personagem de Charlote Bless. Ela está ali apenas para seduzir os homens (Yardley e Ward) a fim de realizar suas vontades (libertar Hillary), porém é engraçado ver como ela falha em usar essa sedução com Hillary. Seu final é previsível e a evolução da personagem é nula.

Não somente Charlote, mas todas as personagens femininas do livro são muito mal utilizadas. Elas estão ali meramente como sedutoras, ou em papéis menores, como serviçais e secretárias. O autor se redime um pouco ao final do livro quando temos uma vingança por parte de uma personagem humilhada publicamente por Yardley, vingança essa que vai tirar o chão de vários personagens.

E Paperboy é bom? Depende do que você espera dele. Se você espera suspense e reviravoltas, esqueça. Agora se você quer um verdadeiro aprendizado sobre integridade, então este livro é pra você. Posso dizer que pessoalmente a evolução de Jack James foi como um tapa (do Hulk!) de integridade na cara.

Acredito que o livro se beneficiaria ao passar pela mão de um editor mais cruel, e principalmente de alguém que tivesse feito uma sinopse decente. Não sei se foi influenciada pelo filme, mas ela tenta vender algo que o livro não é.

E o filme?

O filme bem.. é.. como dizer.. é ruim, bem ruim, uma catástrofe mesmo. Pena de quem pagou pra ver no cinema, porque não vale nem de graça. Basicamente o roteirista pegou o que não era bom do livro, cortou o que era importante, acentuou o homossexualismo do Ward de forma desnecessária, uma cena de sexo inexistente entre Charlotte e Jack, colocou Anita (a empregada dos Jansen) como narradora (e a voz da narradora é horrível, sinto muito), sendo que ela é uma personagem que mal aparece no livro… e transformaram Yardley, um personagem que não era negro em negro (sem problemas se tivesse um motivo plausível para isso… mas não teve). Nem John Cusack, que é um baita ator, salva o filme, se muito a atuação do Matthew McConaughey como Ward dá alguns momentos de fôlego à película. Resumindo, um completo desastre.

 Livro gentilmente cedido em parceria para leitura e resenha pela Editora Novo Conceito.

Ficha Técnica

Título: Paperboy
Autor: Pete Dexter
Editora: Novo Conceito
Páginas: 336
Onde adquirir:  Livraria Cultura / Amazon (e-book)
Avaliação: 

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  • Raquel Pereira disse:

    A única coisa que posso dizer é que a sinopse do livro realmente te irritou heim… rsrs
    Eu nunca me empolguei com esse livro, acho que a cap não me atraiu muito. A história perec realmenet ser bem diferente da sinopse, não dá pra entender o que houve.
    E o filme ainda consegue ser pior? Nossa, ainda bem que mesmo amando o john Cusak eu não arrisquei a ver esse filme no cinema.

    Bjok

  • Ana disse:

    Resumindo, o livro é uma bosta e o filme também. Sempre procuro resenhas pra conhecer um livro, uma sinopse pode me levar a esperar algo diferente daquilo, ou peço a opinião de um amigo. Pra mim tudo parece ser uma coisa sem sentido. Realmente gosto das resenhas do Felipe, a opinião dele é bem interessante, gosto da sinceridade 🙂

  • Fabiana Strehlow disse:

    Aí está um livro que não me atraiu, nem mesmo antes de ler resenhas sobre.
    Agora, saber que o filme é ainda pior, é triste!
    Parabéns ao Felipe, pela sinceridade da resenha!

  • Douglas Fernandes disse:

    Eu acho que nao ia gostar desse livro não viu.. pq eu espero suspense e reviravoltas… hahahaha
    mas mesmo assim eu ainda quero poder ler pra tirar minhas proprias conclusões.

  • Érika Rufo disse:

    Que sinopse feia, hein?? rsrs Nada nesse livro me atraiu, nem o nome, nem a capa, muito menos a sinopse!! E lendo a resenha vejo que eu estava certa. Nem o John Cusak (que eu amo) me anima a ver esse filme.

    Beijos!!

  • Shadai disse:

    eu tenho, e a leitura não é ruim, mas não tem nada de mais. um livro bem razoável mesmo!
    já o filme, acho que senti mesma coisa, assisti no cinema e não me arrependo, já assisti muitos filmes piores, mas ele tem muitas falhas, a principal em ter uma narradora que não teria como contar todas cenas do filme já que ela não estava presente.
    mas atuações são boas, e as cenas chocantes são ótimas!

  • Gustavo disse:

    Detestei a capa e a sinopse só me interessei por ser um thriller, esse é um livro que nunca colocaria na minha estante por vontade própria.
    Nossa senhora, se a sinopse já foi um mais ou menos pra mim essa resenha foi uma destruição de sinopse kkkk eu odeio sinopses “enganadoras” e essa tentando passar coisas que o livro não é me deixou ferrado d vida. Odiei o livro, e amei a resenha. Mostrou todos os aspectos do livro, os bons que foram poucos e porcamente utilizados e os ruins que são 99% do livro e tão utilizados que o não vale comentários. E não chego perto desse filme nem que me paguem kkkk

  • Top Comentarista – Abril « Por Essas Páginas disse:

    […] Esse mês o Top Comentarista vale o livro Paperboy, que vocês podem conferir a resenha aqui. […]

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