Meu autor de cabeceira: F. Scott Fitzgerald

 

“A generation grown up to find all gods dead, all wars fought, all faiths in man shaken.”

 

Minha história com Francis Scott Fitzgerald vem de longa data, assim como com toda a chamada “Geração Perdida”.

Eu vivi minha adolescência nos anos noventa, numa época em que a internet não era algo comum na maioria das casas. As pessoas começaram a ter internet  em casa na segunda metade  dos anos 90. TV a cabo também era algo raríssimo. E a TV aberta sempre foi uma porcaria. Resumo da ópera: eu lia muito.

E todo mundo chega um dia aos complicados 13 anos, onde você ainda não é adulto, mas quer ser adulto. Você pensa que é adulto. E quer agir como tal. Foi nessa idade que eu encontrei a Geração Perdida.

 

Comecei com Hemingway. Adeus às armas. Nossa, me apaixonei. Não tinha como não me apaixonar.  Tudo que ele escrevia era tão forte, tão cheio de energia, tão intenso. Logo o livro já tinha sido passado adiante e uma espécie de clube de leitura se formou. Eu e outra amiga nerd, aborrecente, sozinhas em casa discutindo Hemingway. Buscando enciclopédias que falavam sobre ele. E, consequentemente, a geração perdida. A gente nunca conseguiu encontrar nada da Gertrude Stein, por exemplo, mas a gente coletou toda informação possível sobre ela. Assim como sobre os outros autores. Mas as obras, propriamente ditas, foram apenas as de Hemingway e as de Fitzgerald. (Um dia eu conto como Hemingway me colocou no mundo do crime com Paris é uma festa)
Então meu primeiro Fitzgerald foi O grande Gatsby que, obviamente, eu achei um saco!!! Como aquele livro podia ser tão chato??? Então, aos treze anos, eu amava Hemingway e odiava Fitzgerald. Achava inadmissível que houvesse mais informação sobre aquele cara da mulher doida e não sobre o meu querido salve salve Ernest Hemingway.

Mas então os anos passaram. Eu li outras coisas. Muitos autores passaram pelas minhas mãos. Hemingway ficou de lado por muitos anos. E eis que um dia cai nas minhas mãos um conto chamado Bernice bobs her hair. E aquele conto foi uma das histórias mais geniais que já li. E foi ai que me caíram os butiás do bolso: o autor era ninguém mais, ninguém menos que meu velho desafeto Francis Scott Fitzgerald.

Eu não pude acreditar. E resolvi dar uma chance a ele. Li todos os contos de um livrinho chamado The diamond as big as the Ritz e cai de amores pelo querido Scott. A partir dali fui lendo tudo dele que encontrei pela frente. Este lado do paraíso, Os belos e malditos, Suave é a noite, Os contos da era do jazz (aliás, tenho vários livros de contos dele, os contos são fabulosos).

E, finalmente, criei coragem e reli O Grande Gatsby.

Porém, desta vez, amei. Sabe aquela história de que você precisa ter uma coisa chamada MATURIDADE para ler certas coisas? Para saber aproveitar certos textos? O grande Gatsby é a prova concreta disso pra mim. Eu não estava preparada para F. Scott Fitzgerald aos 13 anos de idade. Eu não tinha maturidade, vivência e cabeça pra enteder a profundidade do texto dele. Entender a beleza, o sarcasmo e todo o conjunto. Dez anos depois, no entanto… Também não vou contar hoje como tentei ler Hemingway novamente aos 23 anos e que ele perdeu toda a graça que tinha aos 13. Sem desmerecê-lo, longe disso. Só que ele foi meu autor de cabeceira da adolescência e Scott se tornou o meu autor de cabeceira da idade adulta. Hoje, aos 32, ainda amo Fitzgerald tanto quanto amava aos 23. E voltei a ver graça em Hemingway, embora não pelos mesmos motivos da adolescência, mas falarei disso em outra ocasião.

Eu fiquei falando aqui da minha experiência literária com o Fitzgerald e não falei dele, né? É por que todo autor de cabeceira tem uma história por trás, para explicar a razão de ele estar ali. E Fitzgerald e eu temos uma história muito longa.
Ele nasceu em Minessota, em 1896. Ingressou em Princeton, mas nunca chegou a se formar (Aliás, Princeton está em várias de suas histórias). Alistou-se como voluntário na primeira guerra mundial. E só começou a escrever na década de vinte. Dali pra frente só parou quando morreu.

Scott Fitzgerald é considerado um dos maiores expoentes da década de vinte e da geração perdida por ter vivido e relatado em suas histórias todo o espírito daquela época. Junto com sua esposa, Zelda, viveu uma vida agitada de festas, viagens e bebedeiras, que terminaram de forma trágica: ela num hospício e ele entregue ao alcoolismo. Ele morreu em 1940, em Hollywood, completamente decadente.

Hollywood não foi legal com Fitzgerald, mas está sendo legal com seus fãs. O filme mais aguardado do ano, pelo menos pra mim, é o remake de O grande Gatsby, com o Leonardo Di Caprio e a Carey Mulligan. Estou ansiosa por esse filme por que a versão com o Robert Redford e a Mia Farrow nunca me agradou. Redford era lindo, mas não era o meu Gatsby. Leleco é tudo menos lindo, mas definitivamente é muito mais próximo do meu Gatsby que o Redford.

E teve aquela pérola do Woody Allen chamado Meia noite em Paris. Que foi um dos melhores filmes do ano passado. Pelo menos o que me deixou mais feliz. A ponto de aplaudir e quase soltar gritinhos histéricos ao ver o Tom Hiddleston de copo na mão e cabelo lambido fazendo um Fitzgerald perfeito.  Tenho a impressão que esse filme foi feito para mim.

 

 

Já que eu nunca pude fazer isso, a Ily, querida, fez por mim. ;-)

Já que eu nunca pude fazer isso, a Ily, querida, fez por mim.

 

Compartilhe:
  •  
  •  
  •  
  •  


  • Lucy disse:

    Eu nunca li nada dele, as pessoas falam mto de O grande Gatsby e eu fico tentada a ler. A história dele parece ser bem intensa e triste. Tem alguma biografia sobre ele?

    [Reply]

  • Mi disse:

    Lucy, eu comprei faz pouco aquele livro: Querido Scott, Querida Zelda, que são as cartas que eles trocavam. Mas ainda não li. Acredito que devem existir bibliografias sobre ele, pois sua história é interessantissima. Acho que tu iria gostar de O grande Gatsby. E de Suave é a noite, também. 😉 Mas os contos… Ah, os contos.

    [Reply]

  • Lucy disse:

    Bem, se eu não conseguir ainda esse ano, ano que vem a minha meta será voltada para os clássicos que ainda não li, então. 😀

    [Reply]

  • vbarret disse:

    Fitzgerald *-*

    Meu sonho é ler tudo desse autor, mas o principal é que gosto da biografia dele, e amei a homenagem que o Woody Allen fez em Meia Noite em Paris, eu juro que quando eu vi o fitzgerald eu dei um grito e a partir dai o filme me conquistou…

    Amei seu post *__*

    *momento fangirl.

    [Reply]

  • Mi disse:

    vbarret, eu sei exatamente como tu te sentiu nessa hora. XD
    Obrigada. 😉

    [Reply]

  • Vania disse:

    Olha eu ali! Hehehe… e ah Fitzgerald! Mi, os contos de Diamond as big as the Ritz foram meu primeiro contato com ele, e Bernice Bobs her Hair… GENIAL!!! Foi aí também que eu passei a admirá-lo e decidi engatar no Grande Gatsby, e confesso que não me arrependi por um minuto. Muito, muito, muito bom! Ainda tenho que ler as outras obras dele (e reler Gatsby, obviamente) mas o cara era genial! E Meia Noite em Paris também me deixou muito feliz hehe

    [Reply]

  • Viagem Literária: Casa de Ernest Hemingway « Por Essas Páginas disse:

    […] a Michele falar sobre ele (que fez uma aparição até mesmo no Autor de Cabeceira pertencente à F. Scott Fitzgerald) e claro, porque eu não poderia perder a oportunidade de ver o lugar onde ele viveu e escreveu, […]

PREENCHA OS CAMPOS ABAIXO PARA DEIXAR SEU COMENTÁRIO




Mensagem