Meu Autor de Cabeceira: Machado de Assis

As nossas colunas mensais: Meu Autor de Cabeceira e Queridinho do Mês deram uma parada estratégica, como vocês devem ter percebido, mais ou menos desde o mês de agosto. Na verdade, o motivo desse hiato foi mesmo problemas pessoais que foram afetando cada uma de nós durante esse tempo. Mas agora já nos reorganizamos, resolvemos o que podia ser resolvido (para o que não há remédio, remediado está) e estamos de volta com as colunas, como de costume!

E para esse reinício ser em grande estilo, vou falar hoje daquele que acredito (e talvez muitos concordem) ser o maior escritor que nasceu e caminhou por terras tupiniquins e, além disso, um dos maiores autores no mundo todo. O grande e inesquecível Machado de Assis, meu querido Machadão.

Você, leitor, pode até dizer que não tem boas recordações dele. Afinal, seus livros geralmente são pedidos na Fuvest e outros vestibulares, e nessa época de colegial, até mesmo quem gosta de ler não quer ler os livros do vestibular. Eu poderia até abrir um parêntesis aqui e dizer o quanto eu acho absurdo e pura ignorância obrigar adolescentes, muitas vezes sem maturidade alguma (não fiquem bravos comigo, eu me incluo aqui; não acho que tinha maturidade para ler essas obras no ensino médio, apesar de eu já ser uma senhora traça de livros na época), ler esse tipo de literatura nessa idade. Acho até um pecado que grandes nomes como Machadão, Eça de Queirós, José de Alencar, Aluísio Azevedo e outros, sejam lidos na tenra idade dos 15 aos 18 anos. Não é uma leitura pra essa idade. Mas enfim, eu não sou ninguém para questionar isso e, de qualquer maneira, esses autores tem que ser lidos, portanto, se você não leu até agora ou já leu e não gostou, dê outra chance. Especialmente quando se trata de Machado de Assis.

Agora, vamos falar sobre o Machadão, que é o que interessa. Ele foi de tudo um pouco: poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, jornalista, crítico literário… Pessoalmente eu leria até a lista de compras que ele escrevesse no papel de pão (o que ele provavelmente fez, todo mundo faz), mas bem, por esse feito ele não foi catalogado. Mas para mim o maior feito de Machado de Assis foi superar todas as dificuldades que teve na vida e mostrar o quando era bom no que fazia. Machado era nascido de uma família pobre, mal estudou em escolas públicas e não frequentou a universidade. Porém, lutou para conseguir o conhecimento e a cultura que aspirava, ganhou notoriedade, e quando ficou mais velho, junto a amigos e colegas, fundou a Academia Brasileira de Letras, sendo o seu primeiro presidente.

O primeiro livro que li de Machado de Assis foi, coincidentemente, seu livro mais conhecido e aquele que deixou uma questão que ainda desperta muitas acaloradas discussões: afinal, Capitu traiu Bentinho ou não? Dom Casmurro não é meu livro preferido dele, principalmente pelo fato de ser arrastado no início e, quando a parte realmente interessante aparece, o livro termina. Mas é uma obra
prima. E, para registro, eu acho que Capitu não traiu. Na verdade, eu acho que Capitu sequer existiu. Para mim, tudo, tudo mesmo, desde a traição, o casamento e a própria Capitu são fruto da imaginação e da loucura de Bentinho.

Meu livro preferido do Machadão é mesmo Memórias Póstumas de Brás Cubas. O livro já começa fantástico: um morto narrando suas memórias. Mórbido, irônico, honesto. De longe é o meu favorito e é por causa dele que estou escrevendo esse post: é por causa desse livro que amo o Machadão. O livro é impecável, impossível de largar, profundo, crítico, audacioso, divertido. Ele me encantou mesmo no meu período de imaturidade da adolescência. Se você não leu, leia. O mais depressa possível.

Eu ainda poderia citar vários motivos e certamente existem mais, que eu desconheço, para nomear esse escritor como um dos grandes gênios da literatura, porém acho que o melhor conselho que posso dar é leiam-no. Conheçam-no. Se já o fizeram, façam de novo. E depois venham contar a sua história.

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  • Nivia Fernandes disse:

    O amor literário da minha vida, Machadão! *-*
    Ainda tenho esperança de conseguir ler quase todas as suas obras. As crônicas e poemas são ótimos também. Um livro que me enredou, fora Dom Casmurro e Memórias Póstumas, foi Várias Histórias. Contos magníficos que merecem ser lidos! Alguns são metáforas, simplesmente. Já é difícil contar uma história literalmente, por associação então, só sendo mesmo brilhante! Inclusive, alguns contos viraram filmes, parte de minisséries e por aí vai.

    A história de vida dele é interessante, teve que lutar muito para mostrar seu talento e ser reconhecido por ele. Nem quero pensar no que virou a Academia Brasileira de Letras. Nem ele, muito provavelmente, onde quer que esteja praguejando por isso.

    Mesmo com o vocabulário rebuscado, acho que um esforço nesse sentido somente enriquece nosso conhecimento e escrita. Foi uma ótima sugestão pedir para quem tem trauma dar uma outra chance, porque infelizmente preciso concordar que os autores clássicos viram vilões na escola. Eu gostei na época que li os livros dele, mas relendo mais tarde a apreensão foi mais profunda…

    Para quem acha Dom Casmurro meio batido, sugiro que leia Helena. É um romance bem interessante. Melhor do que novela, hein. xD

    Podia ficar um tempão falando de como influenciou a minha vida e tal, mas por enquanto…
    …Capitu não traiu coisa alguma, Bento era um banana inseguro!
    E a teoria da Karen é sublime, nunca tinha pensado nisso!

  • Karen disse:

    Nik, como assim eu não respondi ao seu comentário lindo?! *____* #shameonme
    Ai, Machadão… ele era tudo de bom. De fato, um grande orgulho para nós brasileiros.
    Bem, nem quero pensar no que virou a ABL…
    Eu preciso ler Helena!! #shameonme AGAIN E eu fico lisonjeada que tenha gostado da minha teoria! *____*

  • Vania disse:

    Helenaaaaa, eu AMO Helena!!! E concordo Parceira, acho que poucas pessoas entre 15 e 18 anos – e talvez até um pouco mais velhas – tenham cacife pra ler Machado de Assis e apreciar suas obras como elas merecem.

  • Karen disse:

    Puxa, eu quero ler Helena depois disso! hahahaha 😀
    Pois é, Parceira. Machadão é para poucos. Só depois de alguns anos a gente entende o cara. E o cara era um gênio!

  • Lucy disse:

    AMO Memórias Póstumas! Com certeza o melhor!
    Eu meio que desisti de Dom Casmurro, quero entrar numa ressaca literária que me faça voltar a ter vontade de lê-lo. Tem o Quincas Borba também, que achei mto cansativo…

  • Karen disse:

    Sim, sim, Memórias Póstumas é o melhor!!!
    Dom Casmurro é chato, mas o final compensa. Quincas Borba ainda não tem tentei. Queria ler Helena, dizem que é muito bom.

  • Jullyane Prado disse:

    Machado de Assis é um célebre escritor que com exceção de Erico Verissimo merece toda a nossa admiração. O meu livro preferido do Machado é Memórias Póstumas de Brás Cubas, ele simplesmente faz o livro de traz pra frente. E o que falar da acidez que ele tem pra criticar tudo e todos, eu tbm assisti o filme desse livro, foi super interessante, mas ainda assim prefiro o livro. Se eu não fizer a monografia do meu curso sobre Erico, pretendo fazer sobre Machado!!

  • Karen disse:

    Ele realmente arrasou em Memórias Póstumas. Aquela obra é sublime, um dos livros mais inteligentes e ácidos que já li. O filme foi bem interessante, mesmo, mas o livro geralmente é sempre melhor. Você faz curso de Letras? Boa sorte na monografia!

  • Top Ten Tuesday: Dez livros para quem não lê nacionais « Por Essas Páginas disse:

    […] que vamos falar aqui apenas de nacionais contemporâneos, ok? Então, apesar de gostar muito de Machadão, por exemplo, nosso querido clássico vai ficar de fora do post de hoje. Então vistam-se com a […]

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