Meu autor de cabeceira: Rubem Braga

Desde criança eu ouço falar de Rubem Braga e foi ainda na infância, quase pré-adolescência que tive o primeiro contato com as crônicas desse autor (com o famoso “Para gostar de ler”), que teria completado 100 anos no dia 12 de janeiro se estivesse vivo.

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Rubem Braga nasceu em Cachoeiro do Itapemirim – ES, em 12 de janeiro de 1913. Ele é considerado o maior cronista brasileiro desde Machado de Assis. Se formou em Direito, mas nunca exerceu a profissão. Chegou a cobrir a Revolução Constitucionalista em São Paulo, como repórter dos Diários Associados, em Minas Gerais.

Seu primeiro livro foi publicado em 1936, aos 22 anos: “O Conde e o Passarinho”, publicado pela Editora José Olympio. No mesmo ano, em Belo Horizonte, casou-se com Zora Seljan Braga, se divorciando posteriormente. Ela é mãe de seu único filho, Roberto Braga.

Rubem Braga tinha um temperamento introspectivo e gostava da solidão. Como escritor, ele se destacou por ser o único autor nacional a se tornar célebre exclusivamente pela crônica.

Eis uma descrição que fez de si mesmo a pedido do amigo Fernando Sabino: “Sempre escrevi para ser publicado no dia seguinte. Como o marido que tem que dormir com a esposa: pode estar achando gostoso, mas é uma obrigação. Sou uma máquina de escrever com algum uso, mas em bom estado de funcionamento.”

A graça das crônicas de Rubem Braga é a simplicidade com que ele escrevia. Qualquer fato de sua vida, seu cotidiano, qualquer assunto aleatório, tudo isso podia se tornar uma crônica, um texto com uma linguagem corriqueira e natural, e isso faz com que seja fácil gostar desse autor e de suas histórias.

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Kit completo que ganhei da Record

Faz um tempo que não leio suas crônicas e recentemente ganhei um kit de livros em uma promoção da Record, entre eles, As boas coisas da vida. Nessa crônica, ele enumera as boas coisas da vida e uma delas é a seguinte: “Ler pela primeira vez um poema realmente bom. Ou um pedaço de prosa, daqueles que dão inveja na gente e vontade de reler”.

Pois é, quando se lê Rubem Braga, é bem assim que a gente se sente.

Um pouco mais da história do escritor:

  • Durante o período em que foi correspondente de guerra do Diário Carioca na Itália,  em 1945 escreveu o livro “Com a FEB na Itália”, também fazendo amizade com Joel Silveira. De volta ao Brasil morou em Recife, Porto Alegre e São Paulo, antes de se estabelecer definitivamente no Rio de Janeiro.
  • Em 1968, com Fernando Sabino e Otto Lara Resende, Rubem Braga fundou a editora Sabiá, responsável pelo lançamento no Brasil de escritores como Gabriel Garcia Márquez, Pablo Neruda e Jorge Luis Borges.
  • Rubem Braga nunca deixou o jornalismo de lado. Exerceu as funções de repórter, redator, editorialista e cronista em jornais e revistas do Rio, de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife. Foi correspondente de “O Globo” em Paris, em 1947, e do “Correio da Manhã” em 1950.  Mesmo após se tornar Embaixador do Brasil no Marrocos em 1961, ele continuou com o jornalismo, publicando reportagens sobre assuntos culturais, econômicos e políticos na Argentina, nos Estados Unidos, em Cuba e em outros países.
  • Ele morreu em 17 de dezembro de 1990. A causa da morte foi uma parada respiratória devido a um tumor na laringe que ele preferiu não operar nem tratar quimicamente.

Bibliografia:

CRÔNICAS:

  • O Conde e o Passarinho, 1936
  • O Morro do Isolamento, 1944
  • Com a FEB na Itália, 1945
  • Um Pé de Milho, 1948
  • O Homem Rouco, 1949
  • 50 Crônicas Escolhidas, 1951
  • Três Primitivos, 1954
  • A Borboleta Amarela, 1955
  • A Cidade e a Roça, 1957
  • 100 Crônicas Escolhidas, 1958
  • Ai de ti, Copacabana, 1960
  • O Conde e o Passarinho e O Morro do Isolamento, 1961
  • Crônicas de Guerra – Com a FEB na Itália, 1964
  • A Cidade e a Roça e Três Primitivos, 1964
  • A Traição das Elegantes, 1967
  • As Boas Coisas da Vida, 1988
  • O Verão e as Mulheres, 1990
  • 200 Crônicas Escolhidas
  • Casa dos Braga: Memória de Infância (destinado ao público juvenil)
  • 1939 – Um episódio em Porto Alegre (Uma fada no front), 2002
  • Histórias do Homem Rouco
  • Os melhores contos de Rubem Braga (seleção Davi Arrigucci)
  • O Menino e o Tuim
  • Recado de Primavera
  • Um Cartão de Paris
  • Pequena Antologia do Braga
  • Casa do Braga

ADAPTAÇÕES:

  • O Livro de Ouro dos Contos Russos
  • Os Melhores Poemas de Casimiro de Abreu (Seleção e Prefácio)
  • Coleção Reencontro Audiolivro – Cirano de Bergerac – Edmond Rostand
  • Coleção Reencontro: As Aventuras Prodigiosas de Tartarin de Tarascon Alphonse Daudet
  • Coleção Reencontro: Os Lusíadas – Luis de Camões (com Edson Braga)

TRADUÇÃO:

  • Antoine de Saint-Exupéry – Terra dos Homens.

Fonte: http://www.releituras.com/rubembraga_bio.asp

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  • ana karla dubiela disse:

    É muito bom conhecer mais alguém apaixonado por este escritor! Lembrar dele e divulgar suas crônicas é tudo de bom… mas é terrível ver como as informações errôneas que circulam na Internet desvirtuam seu trabalho. Duas vezes me entrevistaram e disseram em um texto à parte que Rubem Braga escreveu romance. BRAGA JAMAIS ESCREVEU ROMANCE!!! Casa dos Braga – Memória de Infância é uma coletânea de crônicas sobre a infância, inclusive publicada após sua morte, com a colaboração do seu filho Roberto Braga e Domício Proença Filho!!! Se gosta mesmo de Braga, visite no facebook a página Rubem Braga 100 anos. Pesquiso Braga há 9 anos, tenho 4 livros escritos sobre ele e em um deles um colega jornalista tbm colocou essa informação equivocada. Errar é humano, mas devemos sempre multiplicar a informação certa, para que a internet otra não vença… grande abraço,
    Ana Karla Dubiela

  • Lucy disse:

    Oi, Ana! Que bom encontrar alguém que também curte Rubem Braga! 😀 Eu queria ter feito o post no dia do aniversário dele, mas não deu…
    Como não conhecia a biografia completa, realmente peguei os nomes dos livros de uma fonte na internet (e confesso que estranhei, porque não parecia o nome de um romance, mas não pesquisei mais à fundo – meu erro).
    Vou corrigir o post e vou visitar a página na internet. Obrigada!!

  • ana karla dubiela disse:

    sempre às ordens, querida! abç

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