Outras páginas em outras palavras: Rurouni Kenshin

Olá pessoal! Hoje duas colunas nossas se encontram (por isso esse título comprido! rs). Um convidado especial resolveu resenhar o mangá Rurouni Kenshin – mais conhecido aqui no Brasil como Samurai X por causa do anime. Então ‘bora conferir a opinião do Felipe sobre esse mangá que fez tanto sucesso?

kenshin_coverSinopse: “Durante o Bakumatsu, no caos causado pela chegada dos navios negros, havia um espadachim chamado de Battousai, o Retalhador. Ele foi o mais forte e o mais temido espadachim de sua era. Sua espada bebia do sangue de incontáveis pessoas para abrir um caminho para uma nova era, a era Meiji. Entretanto, após o final do conflito, ele sumiu repentinamente e virou uma lenda…”  (Tradução livre)

Ah Samurai X… um clássico da adolescência de muitos, um anime exibido de forma retalhada (há!) pela rede global, porém redimido pelo Cartoon. Despertou a curiosidade da galera e tivemos o prazer de poder ler o mangá também. Bom, eu cheguei a tentar acompanhar o mangá, quando o mesmo veio, porém sem sucesso. Resolvi me redimir e recentemente voltei a ler toda a saga do Kenshin.

Aviso que o Kenshin foi relido após ter lido Vagabond (que considero muito superior no quesito “mangás de Japão feudal”).

Lendo novamente, hoje percebo que não é um estilo de mangá que aprecio muito (shounen), acredito que quando a gente amadurece toda essa história de porradaria, torneios infinitos, golpes impossíveis e quem é o guerreiro mais forte se torna um pouco repetitivo demais.

Farei esta review por sagas (ou arcs) do RK:

1 – Oniwabanshu: o começo da saga do RK, desde o confronto com o Sanosuke (o cara) passando pelo Jin-E e o confronto com asano Oniwabanshu. É um dos melhores arcos do mangá pois os personagens são criativos e envolventes, as lutas são interessantes e vamos conhecendo o Kenshin. Aqui também conhecemos o Aoshi, que prometia ser O adversário do Kenshin, porém foi totalmente mal utilizado pelo autor.

2 – Raijuta: saga completamente filler do RK, com um vilão medíocre e sem inspiração. Raijuta é o típico vilão que quer demonstrar que o mundo é dos mais fortes e arranjou um discípulo (Yutaro) para patrociná-lo. Aqui o Watsuki já começa a mostrar sinais de falta de criatividade ao criar adversários para o Kenshin. Só é salvo pelo Yutaro pentelhando o Yahiko.

3 – Shishio: a melhor saga de RK. Kenshin é contactado por Saito Hajime (antigo rival de Kenshin) a pedido do governador Okubo para assassinar o sucessor de Kenshin após o mesmo ter deixado o posto de hitokiri, Shishio Makoto.
O começo desta saga é interessante e fraco ao mesmo tempo. Interessante porque temos outro personagem que mostra ser tão bom quanto o Kenshin (Saito), e temos o Sano aprendendo seu golpe mais poderoso o “Futae no Kiwami” com outro personagem muitíssimo interessante que é o monge/lutador Anji. Fraco porque temos a luta do Kenshin com outro vilão filler e sem inspiração (Senkaku).
Conforme avançamos a história realmente pega fogo! Temos muitos personagens interessantes, inclusive conhecemos o mestre de Kenshin.
Infelizmente Watsuki volta a utilizar a fórmula do grupo de vilões, apesar de todos serem muito criativos. Temos um adversário a altura de Kenshin, afinal o Shishio é o seu sucessor como assassino (hitokiri). Temos a luta fantástica do Sano contra o Anji, aprendiz contra mestre. Também é nessa altura que o Yahiko deixa de ser um personagem chato e tem sua luta mais importante. Podemos perceber que o mangaka estava inspirado ao fazer esta saga, e na minha opinião o RK deveria ter acabado por aqui.

kenshin4 – Enishi: esta é a saga que mais me deixou frustrado em RK. Apesar de ela servir para revelar o passado do Kenshin e dar uma oportunidade de redenção para o personagem, essa saga perde muito devido ao Watsuki.
Novamente temos um grupo de vilões que podem ser originais, mas não cativam. A fórmula de grupo vs grupo também já se tornou desgastada a essa altura do mangá. As lutas contra estes vilões não adicionam nada a evolução dos personagens (diferentemente da luta do Anji contra o Sano por exemplo).
O vilão Enishi tem um motivo muito forte para querer se vingar de Kenshin, mas achei um personagem repetitivo, sem espectro de emoções. Por mais que estejamos num shounen, não é pedir muito um personagem multifacetado não? Ponto negativo também por esta saga ter muitos artes marciais e habilidades impossíveis.

Resumindo, se você não leu este mangá na sua adolescência (ou antes de ler Vagabond) vale a pena ler para se entreter, não esperando ser surpreendido ou querendo um mangá fantástico nãoconsigoparardeler. Isso ele não é. Recomendo a leitura até a saga do Shishio, o resto é supérfluo.

Arte: Inconstante. Em alguns momentos muito boa, em outros (especialmente em golpes) muito confusa.
Personagens: Inconstante. Em alguns arcos temos personagens fantásticos… já em outras temos layouts de vilões repetidos. Ponto negativo pelo Aoshi ter sido jogado para escanteio e ter recebido um final medíocre.
História: Muito boa. Temos confrontos épicos e uma visão interessante do Japão feudal. A evolução do grupo como um todo é cativante. O romance da Kaoru com Kenshin é raso, porém este mangá é um shounen (não dá pra esperar muito romance mesmo). O passado do Kenshin merecia um arco melhor.

Ficha Técnica:

Título: Rurouni Kenshin

Autor: Nobuhiro Watsuki

Editora: JBC

Avaliação do Felipe:

Se você curtiu a resenha do Felipe, deixe sua opinião nos comentários ou ainda entre em contato com ele no twitter @flpalvares. Ele também tem um blog sobre relacionamentos, o Precisamos Conversar, não deixe de passar lá! E volte sempre, Felipe!

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  • joanne disse:

    Para mim e para a maioria dos fãs a arc do Enishi é a melhor! Por isso, não percebo muito bem o fundamento desta crítica, mas são apenas opiniões. O que motiva o Enishi e o Kenshin é muito mais forte do que qualquer outro vilão. Para além dessas duas personagens, e talvez das restantes personagens principais, sano, kaoru, yahiko, aoshi, etc, não ganham muita importância, é verdade. Mas vemos muito de novo nos vilões, apesar de tudo… ataques e técnicas diferentes, que apesar de serem demasiado irreais algumas, não se tornam repetitivas. Por isso, também não percebi qual é o grande problema dos vilões desta saga.

    Esta arc ganha muito para mim devido aos acontecimentos inesperados que nos traz, como *spoiler* o passado do Kenshin com a Tomoe, a morte da Kaoru e a depressão profunda do Kenshin, o aparecimento da família do Sanosuke, a surpreendente dedicação e evolução do Yahiko… etc. *fim de spoiler* Para mim, todos estes acontecimentos levaram a uma rotura no grupo principal, que os levou ao seu limite emocional, coisa que não aconteceu antes.

    Para além disso, este manga é um manga cuja personagem principal, Kenshin, é uma personagem suficientemente complexa e capaz de suportar todo o protagonismo sem se tornar aborrecido.

    PS: Isto não é uma historia do Japao Feudal!!! Pelo menos a parte onde se passa na Era Meiji!!!

    [Reply]

  • Mi disse:

    ADOROOOOOOOOO

    [Reply]

  • Felipe Alvares disse:

    joanne: oh my! realmente era Meiji e não japão feudal! Acho que fiquei com muita raiva do Kenshin até esqueci disso. Concordo com você que os personagens evoluem bastante no ultimo arc, e a morte da Kaoru é realmente impressionante. Mas acredito que o conjunto da obra, dependendo da idade/gosto do leitor, perde seu brilho (mas isso pode acontecer com qualquer mangá).

    [Reply]

  • Outras páginas em outras palavras: Prism « Por Essas Páginas disse:

    […] novamente duas colunas nossas se encontram. O Felipe, nosso convidado de hoje, que já resenhou Rurouni Kenshi por aqui, veio novamente falar um pouquinho de mangás. ‘Bora conferir a opinião dele sobre […]

  • Resenha: A Redoma « Por Essas Páginas disse:

    […] como vocês. Talvez você já tenha me visto por aí na coluna Em Outras Palavras, nas resenhas de Rurouni Kenshin, Prism, Morgan, o único, À procura da felicidade, 47 Ronins, Manual Prático do Ódio […]

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