Em outras palavras: Por que ler Orgulho e Preconceito?

Hoje, especialmente, teremos um guest-post da Bianca Rossato, que é mestre em literatura (futura doutoranda) e que saca horrores de Jane Austen. Nós a convidamos a escrever algo sobre a importância de Orgulho & Preconceito e ela nos presenteou com o belo texto que segue. Have fun! ;-D

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Recebi com entusiasmo (e um baita frio na barriga) o convite para compartilhar aqui no blog algumas ideias sobre o bicentenário de publicação de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen.

A proposta destas linhas é discutir a importância de tal obra na literatura universal, e o primeiro fato que corrobora para a sua importância é: 200 anos de publicação de uma obra sendo comemorados ao redor do mundo. O mais interessante é que são leitores entusiastas de Jane Austen e não acadêmicos cercados em universidades que o fazem. Há sociedades dedicadas à leitura de Jane Austen em várias partes do mundo. A JASNA – Jane Austen Society of North America – existe desde 1979 e tem 4,500 membros. A JASA – Jane Austen Society of Australia tem um mês inteiro de programação para comemorar a publicação de O&P. Aqui no Brasil, a JASBRA – Jane Austen Society of Brazil – teve um encontro nacional dedicado a obra em Belo Horizonte, entre 24 e 27 de janeiro, com a participação de pessoas de Pernambuco, da Paraíba, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul, de Mato Grosso e de Minas Gerais.

 

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Eu sou fã de Jane Austen e, por isso, é inevitável ressaltar as suas qualidades, mas não quero discutir gostos e preferências. Todos tem o direito de gostar ou não de uma obra ou estilo literário. No entanto, desrespeito não é aceitável. E, circulando em meios acadêmicos ou não, não é muito difícil ouvir frases como “Jane Austen é leitura de dona de casa.” ou “Jane Austen é folhetim do estilo ‘Bianca’, ‘Julia’ ou ‘Poliana’. ou ainda, “Só podia ser essas menininhas para quererem comparar Jane Austen a Shakespeare.” Só os desinformados e desatentos pensam assim. Orgulho e Preconceito, assim como as demais obras austenianas, é muito mais do que isso. Para defendê-la, os acadêmicos se agarram na perspectiva de que ela retratou muito fielmente a sociedade inglesa do período da Regência; que nos permitiu conhecer em detalhes os costumes e as transformações sociais do período entre aristocratas, comerciantes, classe média; as questões do casamento, a situação da mulher. E assim segue a lista.

Gostaria de relatar aqui um pouco do que acompanhei no evento da JASBRA em BH e que me parece decisivo para considerar Orgulho e Preconceito uma obra de caráter universal: pessoas comuns, das mais diversas profissões e estilos de vida analisando essencialmente personalidade, caráter. Dos protagonistas, Lizzy Bennet e Mr. Darcy, até o Mr. Collins e Mrs. Bennet. Mais do que suspirar pelo Mr. Darcy, discutiu-se as fraquezas, o orgulho, o preconceito, o medo da mãe em relação ao futuro das filhas, a indiferença do pai, os julgamentos precipitados. Todos esses são temas que transcendem período histórico ou literário. Mais do que uma história de amor, Orgulho e Preconceito é uma análise profunda do caráter humano. Mas Jane Austen não entrega a análise pronta, o leitor precisa observar os diálogos e as atitudes dos personagens para compreendê-los, exatamente como faria com as pessoas ao seu redor. Por isso ela precisa de leitores mais observadores, que não se satisfaçam apenas com a história de amor.

Orgulho e Preconceito deve ser uma verdade universalmente aceita porque trata de sentimentos universais!

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  • Tay disse:

    Bravo! Concordo com cada palavra. Mesmo quem não gosta do estilo, deve respeitar. Jane Austen, para mim, é uma leitura não só prazerosa, mas educativa, que atravessa tempo e espaço. Você tem que apreciar a maneira irônica com que a autora escreve e todos os aspectos dos personagens. Cada vez que leio, acabo me apaixonando mais pelo livro e até entendendo melhor os personagens e apreciando mais todos seus defeitos e ações. Orgulho e Preconceito é um clássico por um motivo.

  • Vania disse:

    Oi Bianca! Primeiramente quero te agradecer por ter aceitado o convite da Mi, e ficamos muito felizes quando ela nos disse que você havia aceitado. Preciso dizer, seu post me arrepiou! Eu já cansei de ouvir de pessoas diferentes, homens e mulheres, coisas como “não me diga que você gosta disso?” ou “não sei como você perde seu tempo com Jane Austen.” A verdade é que, como você disse, ela trata de temas universais, e que transporta o leitor pra dentro de uma sociedade que muitas vezes eu pessoalmente ainda tenho problemas em aceitar que existiu.

  • Bianca disse:

    Acho que eh bem importante dizer que essa idéias foram amplamente discutidas no encontro da Jasbra em BH, não somente nos debates e apresentações, mas em of também, nos corredores. Todos compartilham dessa idéia, que não eh originalmente minha!

    Vânia e Tay, obrigada pelas palavras! Espero poder contribuir novamente!

  • Adriana Zardini disse:

    Olá Bianca! Foi um prazer de reencontrar aqui em BH! Gostaria de lhe pedir para publicar seu texto lá no blog da JASBRA, tudo bem?

    abraço,

    Adriana

  • Flavia Oliveira disse:

    Demais menina. Saca muito mesmo!!! Me intimidei imensamente de estar no meio de pessoas tão conhecedoras como você,mas lutei contra esse sentimento (como Darcy) para poder falar de Austen. O que ela queria mostrar para mim é que não podemos parar nas “Primeiras Impressões”, a reflexão é muito importante em nossas vidas. Bjs

  • Lília disse:

    Bianca,

    Fiquei muito feliz com esta postagem. Você expressou muito bem o quanto a obra de Jane Austen tem de representatividade na atualidade. Parabéns pela apresentação que você fez em Belo Horizonte! 😉

  • Tatiana Resende Felix Batista disse:

    Bianca,muito bem escrito seu post!!!! Parabéns!!!!

  • lucienne machado disse:

    Muito bom o post Bianca!! Foi um prazer te conhecer no Encontro da Jasbra!
    Parabéns e até o próximo post! 🙂

  • Mi disse:

    Bianca, muito obrigada! Teu texto ficou ótimo. =D Bjaum

  • Cláudia disse:

    Bianca, eis um resumo que deixou gostinho de “quero mais”!
    Quero mais resenhas;
    quero mais comentários;
    quero mais encontros como o de BH;
    quero mais e mais que os leitores descubram o muito que existe nas linhas e entrelinhas de Austen.

    Parabéns menina, por este texto e pelo que você nos apresentou (e presenteou) no encontro. 🙂

    Beijocas!

  • Bianca Deon Rossato disse:

    Só queria agradecer os comentários, pessoal! Fiquei bem feliz. Espero estar mais ativamente envolvida neste tipo de atividade!

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