Queridinho do mês: Elizabeth Bennet

Para encerrar com chave de ouro as homenagens à obra Orgulho e Preconceito, aproveito para nomear a Elizabeth como minha queridinha do mês de fevereiro.

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Quando penso em Elizabeth Bennet, a vejo como a melhor heroína de Jane Austen (mas Elinor, de Razão e Sensibilidade é uma concorrente à altura). Acredito que o que a faz ser uma das heroínas favoritas entre os fãs de Jane Austen é sua personalidade forte, seu pensamento livre e o fato de não se intimidar em dar sua opinião, mesmo que seja contrária à da maioria.
Isso – e os seus belos olhos – foi o que chamou a atenção de Mr. Darcy.

Por algum motivo, Elizabeth não se dá conta de que Mr. Darcy se sentia atraído por ela – tinha uma pista aqui, outra ali… mas ela tinha em mente que na verdade ele a desprezava, principalmente quando ouve o comentário de Mr. Darcy para Mr. Bingley no dia em que o conheceu: “Ela é agradável, mas não bonita o suficiente para me tentar”. Qual é a mulher que gosta de ouvir isso de alguém, mesmo que não esteja necessariamente interessada nesse alguém?

Mas a percepção de Elizabeth, sempre tão aguçada, já demonstrava algumas falhas desde o primeiro encontro com Darcy. Uma vez que ele tem um comportamento introspectivo com pessoas que não conhece, fica difícil avaliar o caráter de dele. E é pelo próprio comportamento fechado dele, a forma arrogante de falar, seu ar de enfado em um ambiente que não se sentia à vontade, suas atitudes antissociais, Elizabeth acaba criando uma péssima impressão a respeito de Mr. Darcy, piorando depois do relato do que aconteceu ao “pobre” Mr. Wickham.

keira_lizzyNão vou dizer que Elizabeth estava completamente errada sobre Mr. Darcy. Ele era realmente arrogante, ainda mais quando acreditou que ela aceitaria se casar com ele “apesar” de sua inferioridade.

Então vejamos mais ou menos como ele pensou que Elizabeth reagiria com sua proposta: Um homem bonito, bem educado, rico, bom partido… Se interessa pela segunda filha entre cinco de uma família que tem o suficiente apenas para oferecer um dote decente às filhas – e olhe lá – uma vez estas não herdarão a propriedade da família (pois só os homens herdam). Uma família “inferior”, com um pai ausente, uma mãe interesseira, que dão liberdades para as filhas, a mais velha sendo super tímida e quase muda, Mary um tédio com suas músicas carolas e as duas mais novas sem juízo algum…  CLARO QUE ELE ESTÁ LÁ PARA ME SALVAR, ENTÃO É CLARO QUE VOU ACEITAR, CERTO?

ERRADO!

E é nessa parte que Elizabeth coloca Mr. Darcy em seu devido lugar, ganhando espaço no coração de várias leitoras, inclusive o meu. Mr Darcy, embora tivesse se encantando com a espontaneidade e inteligência de Elizabeth, não contava com seu caráter forte. Ela disse tudo o que tinha, todas as razões coerentes para negar o pedido de casamento – o que deixou de queixo caído. Fala sério, quem é que quer ouvir um “olha, você é inferior a mim, mas mesmo assim eu te amo, então vou sacrificar meu prestígio na alta sociedade e aceitar você como minha esposa.” Que falta de tato, Mr. Darcy!

Mas não se esqueçam que Elizabeth pecou ao jogar na cara de Mr. Darcy o infortúnio que ele causou ao Mr. Wickham, o que causou uma grande reviravolta em sua opinião, quando soube a verdade e um choque muito grande para Elizabeth sobre seu senso de percepção.

Estava cada vez mais envergonhada de si mesma. Não conseguiu pensar nem em Darcy nem em Wickham sem sentir que fora cega, parcial, preconceituosa e absurda. 

– Como foi desprezível o que fiz! – exclamou ela. – Logo eu, que sempre me orgulhei do meu discernimento! Eu, que sempre me gabei de minhas habilidades! Que muitas vezes desdenhei a generosa candura de minha irmã e satisfazia a minha vaidade com uma desconfiança inútil ou culpável! Que descoberta humilhante! E, no entanto, que humilhação justa! Se estivesse apaixonada, não poderia ter sido mais miseravelmente cega! Mas a minha Loucura foi à vaidade, não o amor. Lisonjeada com as atenções de um e ofendida com o desdém do outro, logo que os conheci, adotei o preconceito e a ignorância e despedi a razão, quando tive de optar. Até agora eu não me conhecia.

Posteriormente, tanto Elizabeth quanto Mr. Darcy se redimem. Ela passou a ser mais criteriosa quanto ao seu julgamento. Aprendeu que o mais sensato é sempre ouvir os dois lados da história, tentou mudar sua conduta, enxergar além das aparências. Com isso, ela foi se apaixonando por Mr. Darcy.

E teve seu amor recompensado, uma vez que Mr. Darcy continuava apaixonado por ela. Mas sinceramente, não se enganem que ele mudou apenas por ela. Sim, Elizabeth teve um papel determinante na mudança de Mr. Darcy, mas creio que ele teve consciência de quão prejudicial seu comportamento era, tanto para as outras pessoas, quanto para ele mesmo (mas acho que isso é assunto para outro post).

Sentindo-se tranquila, Elizabeth começou logo a gracejar. Pediu a Mr. Darcy que explicasse como se tinha apaixonado por ela.
— Como pôde começar? — perguntou ela. — Posso compreender  perfeitamente que tenha continuado uma vez feito o primeiro passo, mas que foi que o impulsionou?
— Não posso fixar a hora ou o lugar. Isto já foi há muito tempo. Eu já estava no meio e ainda não sabia que tinha começado.
— Minha beleza, você a tinha negado desde o princípio. E quanto às minhas maneiras, meu comportamento para com você sempre beirou a falta de educação. E quase sempre, quando me dirigia a você, era com o intuito de feri-lo. Agora seja sincero: foi por causa da minha impertinência que me admirou?
— Pela vivacidade da sua inteligência, sim.
E nós concordamos com você, Mr. Darcy. 😉
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  • Mi disse:

    Eu não gosto do Mr. Darcy. ¬¬”
    Mas adoro a Elizabeth. Ela é a minha terceira heroína austeniana favorita. A primeira, obviamente, Elinor Dashwood. =D
    Belo texto, Lucy. Ficou muito bom.
    Parabéns.

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    Lucy Reply:

    Mi, ele ñ é um banana de pijamas. u_u hahaha A mudança dele é como eu mencionei. Ele muda, mesmo correndo o risco de não conseguir Elizabeth e não exclusivamente para conquistá-la (eu acho que o que ele fez exclusivamente para conquistá-la foi ajudar Lydia, mas enfim, um dia faço um post sobre ele).
    Sabia que a sua favorita era a Elinor!
    Bjos bjos

    [Reply]

    Vania Reply:

    Michele Muliterno, vamos marcar um dia pra eu te provar por A + B que Mr. Darcy não é um banana de pijamas!

    Lu, eu não acho que ele fez pela Lydia ter sido pra conquistar a Lizzy. Acho que foi em parte pra não vê-la sofrendo, em parte porque ele se sentia realmente culpado. Se ele tivesse feito isso com o intuito de mostrar pra Lizzy que ele era o cara, ele não teria insistido no segredo da coisa toda, eu acho.

    Mais tarde eu volto pra comentar o post lindo (que eu já li, mas que merece mais atenção pra comentar hehe)

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  • Vania disse:

    Ok, de volta pra comentar o post. Eu adoro a Elizabeth! Adoro adoro adoro! Ela não é minha heroína preferida de Austen, mas também está no top 3 como a Mi disse. E o principal motivo disso é o fato dela conseguir admitir que estava errada. Sério, a gente sabe como é difícil fazer isso; olhar pra dentro de si mesma, reconhecer nossas falhas, assumir pra gente e pro mundo, e principalmente fazer algo para mudar! E a Lizzy faz tudo isso. Ela joga tudo que pensa do Mr. Darcy na cara dele, mas ao ouvir o seu lado da história ela é obrigada a considerar que talvez estivesse errada. E ela faz isso, ela admite e dá a volta por cima! Ah Lizzy…

    [Reply]

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