Resenha: A Abadia de Northanger

Olá! Eu sei que prometi a resenha há muito tempo (ai que vergonha…), mas foram muitas coisas ao mesmo tempo por aqui, então só consegui colocar no ar o meme da Mari (falta o da Jeh! :D) e o Top Ten Tuesday.

Enfim, recebi esse livro da Martin Claret, nossa parceira aqui do blog e finalmente poderei falar sobre ele.

Sinospse:  ‘Abadia de Northanger’ conta a história da adorável Catherine Morland, jovem fascinada por romances góticos e possuidora de vívida imaginação. Em meio aos passeios e bailes da sofisticada sociedade de Bath (onde se depara com coqueteria, insinceridade, vaidades e intrigas) e à estada na Abadia de Northanger (onde se depara com os perigos de se deixar arrebatar pela imaginação), esta ingênua e íntegra heroína encontra o amor, bem como passa a conhecer melhor a natureza humana. (Fonte)

 De fato este é o livro mais divertido de Jane Austen. Aliás, este foi o primeiro livro de sua autoria entregue para publicação, mas só publicado treze anos depois, postumamente. No início do livro, há uma nota da autora falando sobre isso. Sinceramente, concordo com Miss Austen… Como um livreiro compra um livro que não tem intenção de publicar? Bem estranho, mas enfim…

A história na verdade é uma sátira aos romances góticos que eram muito famosos na época (pelo menos na época em que Austen o escreveu, segundo ela. rs) . Sinceramente não conheço nenhuma das obras citadas do livro, destacando “Os mistérios de Udolpho”, de Ann Radcliffe.

O que eu gostei muito desse livro foi o modo como Jane Austen o narrou. Parecia que era uma conversa informal com amigas, em um chá. Esse tipo de narrativa já me deixa mais à vontade na leitura e geralmente isso acontece quando a narrativa é em primeira pessoa, mas mesmo sendo em terceira pessoa, a história me cativou logo de cara.

Catherine Morland é a quarta filha de dez filhos que não tem uma beleza singular e que dficilmente seria considerada uma heroína de uma história. De imaginação fértil, é uma pessoa bondosa e de bons princípios e uma fã inveterada de romances góticos. Ela é convidada pelos vizinhos, os Allen,  a ir até Bath e passar uma temporada por lá.

A princípio, cheia de expectativas, Catherine fica desapontada por não conhecer ninguém. Até que conhece Henry Tilney, um jovem cavalheiro de bom coração e muitas vezes sarcástico. Catherine fica encantada com ele desde o início – temos aqui o famoso “amor à primeira vista”. Logo ela também faz novas amizades, como Isabella Thorpe e seu irmão, John Thorpe. Isabella também se mostra fã de romances góticos, enquanto John é um jovem bem desagradável, daqueles que perde o amigo, mas não perde a piada – e ele leva esse ditado à sério, minha gente.

Catherine passa então uma boa temporada em Bath em companhia de Isabella, almejando sempre ficar mais próximo de Henry. Acaba então conhecendo a irmã de Tilney, Eleanor. O que foi muito bom para Catherine, já que Isabella estava dispensando sua atenção ao irmão de Catherine, James Morland, e praticamente a ignorando. Inclusive, ela foi cativada por Eleanor desde o início, de modo que sua amizade foi sempre sincera. No entanto, John Thorpe começa a ter interesse em Catherine, que estranha o comportamento do ‘amigo’, sempre satisfeito em frustrar os encontros de Catherine com os Tilney. Com o anúncio de noivado de James e Isabella, John decide declarar suas intenções para com Catherine, o que de certo modo foi bem engraçada a reação da mocinha. rs

Pouco tempo depois, o Sr Tilney, pai de Henry e Eleanor, convida Catherine para conhecer a Abadia de Northanger e eis que Catherine não poderia estar mais feliz, já que sempre quis conhecer os locais que inspiravam os romances que adorava.

A partir dessa visita, Catherine, que tinha expectativas de encontrar um cenário quase sobrenatural cheio de mistérios, consegue finalmente distinguir a fantasia da realidade no decorrer dos acontecimentos, principalmente com o desfecho de sua visita, que não conto aqui porque de repente me dei conta que pode ser um mega spoiler. #my_bad.

Eu gostei muito do livro e não achei cansativo, mesmo quando ela narrava os diálogos em terceira pessoa, do tipo “ele disse, ele contou que…” Muito pelo contrário, acho que ela quis foi resumir as cenas justamente para não ficar enfadonho ao leitor.

De fato esse livro é o primeiro de Jane Austen, nós vemos a evolução de sua escrita em outras obras. Nessa obra, em particular, ela caprichou nas ironias e críticas, acredito que nas outras obras ela conseguiu colocar um tom mais sutil. Isabella é praticamente uma personagem esteriotipada, daquelas amigas afetadas que você sabe que basta um único problema e ela passa a não ser mais sua melhor amiga, mas que tem a cara de pau de ir atrás de você se precisar de ajuda. Já Eleanor, é a amiga de verdade, quase parecida com Catherine, que embora seja inocente, depois de tudo explicado, se recusa a ser feita de boba. Henry é um amor, adorei seu tom brincalhão com que falava e a atenção que dava à Catherine, mesmo que o assunto parecesse fútil, a princípio. John Thorpe também é um personagem esteriotipado, daqueles que ignora e desdenha de tudo o que não for de seu interesse.

A BBC produziu tem um tempinho um filme sobre a obra. Eu já assisti e recomendo também – recomendo que leiam primeiro o livro, viu gente? (bom avisar rsrs)

Ficha técnica:

Nome: A Abadia de Northanger
Nome original: Northanger Abbey
Autor: Jane Austen
Editora: Martin Claret
Páginas: 274
Onde comprar: Livraria Cultura
Minha avaliação:

 

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  • Melissa disse:

    É muito legal essa zoação que a Austen faz dos romances góticos! Adoro essas críticas literárias em livros. hahahahaha E os livros da Ann Radcliffe são bem tosquinhos. Nunca li um inteiro, mas li trechos em aulas de literatura e eles são breeeeeeeegas.

    Boa resenha! Deu vontade de ler o livro!

  • Vania disse:

    Eu morro de vontade de ler Os Mistérios de Udolpho hahaha. Northanger Abbey é um dos meus livros favoritos da Austen justamente por essa leveza dele. Sempre recomendo que quem nunca leu Austen comece por ele. O filme também é uma gracinha, adoro demais! Agora, é ruim gostar da Isabella como personagem? Eu adoro ela hahaha tipo, a gente sabe que ela não é uma pessoa confiável, mas não consigo deixar de simpatizar com ela! Outra coisa que eu adoro nesse livro é que apesar da Catherine ser uma mocinha completamente inocente, ela é agradável. A gente vê que a inocência é parte da personalidade dela e não um recurso do autor em busca de uma “personagem perfeita”.

    Enfim, ótima resenha Lu. Um dos meus livros favoritos!!

  • Mariana disse:

    Preciso ler livros da Jane Austen que não sejam os mais famosos (acho que só li Orgulho e Preconceito). Fiquei morrendo de vontade de ler o livro… e ri muito quando no meio da resenha a Lu quase me solta um spoiler. Hahaha, sua cara, Lucy, sua cara!

  • Lucy disse:

    Mel: Vixi, se é brega, imagino então que muita gente pode ter se inspirado nas obras dela pra criar algumas histórias ainda hoje em dia… hahahaha Também adoro as críticas da Jane Austen, outro livro que achei que era um tapa na cara foi Persuasão.

    Vânia: Eu não acho ruim gostar da Isabella, sou contra essa coisa de gostar SEMPRE dos mocinhos, mas eu achei a Isabella muito chatinha! Sim, já a Catherine, dá pra perceber que é da natureza dela, ao contrário da Isabella, ela não foi esteriotipada (senão teria uns acessos de bondade que pelo amor. rsrs

    Mariana: Mari, recomendo muito A abadia e também Persuasão. São muito legais! E sim, quase não me aguento, mas você me conhece sobre os spoilers. hahaha

  • Resenha: Orgulho & Preconceito « Por Essas Páginas disse:

    […] somente teve seu nome reconhecido após sua morte, quando seu irmão Henry publicou Persuasão e A Abadia de Northanger (1817) e em uma nota biográfica, identificou sua irmã como autora daquelas […]

  • Resenha: Austenland « Por Essas Páginas disse:

    […] que gostar de 50 Tons de Cinza. Outra coisa que me incomodou bastante foi o fato de Jane acabar com A Abadia de Northanger, dizendo que é o pior livro de Austen, que não consegue gostar da escrita nem do estilo. Não vou […]

  • Gabriela S. disse:

    Sátiras? HAHAH Eu só to sentindo que eu preciso ler isso! Sério, nunca li um livro assim! :OOO

  • Dâmaris Carvalho Lima disse:

    Adoro os livros da Jane Austen, mas não li este. Parece interessante, ela sempre faz sátiras a sociedade da época dela!

  • Gardenha disse:

    Gostei muito da sua resenha. É a primeira que leio que não está pirando porque o livro não é tão romântico quanto Orgulho e Preconceito e Persuasão.
    Estou lendo e estou me divertindo com o jeito completamente diferente e irreverente do narrador e das críticas que só Jane Austen consegue fazer com muita classe. A heroína Catherine pode não ser minha favorita, mas o mocinho com certeza é. Henry Tilney tomou o lugar do Sr. Darcy porque é excepcionalmente brincalhão e livre de julgamentos mesmo sendo clérigo.
    Gostei do seu site e continuarei lendo.

  • Lucy disse:

    Oi, Gardenha! Quando eu vi o perfil da Catherine, eu achei mesmo que o livro não teria um cunho assim tão romântico. rsrs O Mr. Tilney é mesmo um queridinho. hahaha
    Eu também gosto disso na Jane Austen, essa forma de criticar com mais irreverência. rs
    Bjos

  • samara da silva disse:

    gente queria saber quais as criticas do livro

  • Fabiana Scola disse:

    Meu Deus preciso ler Jane Austen de uma vez, esta resenha irreverente mostra uma divertidissimo, assim como sei que os demias dela tbem são. Tenho evitado um pouco os livros de epoca, mas por experiencia antigas frustradas, assim que me recuperar certamente essa autora será lida.

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