Resenha: A Bandeja

DESPERTAR“Aos 18 anos, Angelina está prestes a viver o maior desafio de sua vida: sair de Petrópolis para estudar no Rio de Janeiro, deixando para trás os cuidados e a proteção de seus pais. Assim que se instala na república de estudantes e começa a assistir às aulas, a jovem percebe que as dificuldades serão muitas. Ela divide um quarto com uma colega desorganizada, uma frequentadora assídua de festas e chopadas que vive cercada de más companhias. Além disso, as condições das instalações da faculdade são precárias e os professores não parecem comprometidos. Angelina já está desanimando de sua nova vida quando esbarra no lindo Alderico – ou Rico –, um cara capaz de fazer qualquer garota perder o fôlego. O que ela não poderia imaginar era que Rico é seu professor de linguística e se interessaria por ela também. Deslumbrada com a descoberta da paixão e certa de que Rico é seu grande amor, Angelina se joga de cabeça nessa relação, ignorando todos os conselhos que recebera dos pais a vida inteira. Ao mesmo tempo ela começa a ter sonhos que não consegue entender: homens lhe oferecem objetos numa bandeja e, logo depois que Angelina aceita seus presentes, eles se transformam em feras e desaparecem numa floresta.”

Logo quando a Editora Arqueiro anunciou o lançamento de A Bandeja, primeiro livro da série Despertar, da Lycia Barros, eu fiquei muito curiosa. A Karen já fez a resenha de um dos livros dela aqui e eu sempre quis conhecer essa escritora, exatamente por causa desse e de vários outros elogios que eu li. Inclusive esse foi um dos livros que eu escolhi para a Maratona Literária e foi um dos únicos que eu consegui terminar a leitura. Infelizmente eu encontrei vários problemas durante o caminho…

Em primeiro lugar, é muito difícil escrever essa resenha sem spoilers. Eu sei que vocês não vão entender algumas coisas por causa disso, mas  é muito difícil explicar os meus sentimentos por esse livro sem descrever os acontecimentos.

Bom, mas vamos começar da forma certa. Angeline mora em Petrópolis e vai começar a faculdade no Rio de Janeiro. Pela primeira vez ela vai ficar longe dos seus pais e por sorte conseguiu um lugar no alojamento. Logo quando ela começa a assistir as aulas, tem um duro choque: as faculdades públicas não são um conto de fadas. Professores faltam, não tem papel higiênico nos banheiros, a sua companheira de quarto pode ser completamente diferente de você… Quando ela sai do banheiro aborrecida, acaba esbarrando  com alguém e deixa o fichário cair. Quando Angeline presta atenção na pessoa, ela se depara com o ser humano “indiscutivelmente mais bonito e mais maravilhoso que já vira em toda sua vida”. Eles começam a conversar e ele se oferece para guiá-la até a sala. No meio do caminho, Angeline começa a reclamar dos professores. Mas o que ela não sabia era que o rapaz era… O seu professor de Linguística I! Mas tudo muda quando os sentimentos dela pelo professor começam a ser correspondidos…

E então os dramas começam.

O meu maior problema com A Bandeja foi exatamente a caracterização dos personagens. A Angelina não consegue ter um  meio termo: TUDO é em excesso. Tudo é drama. Se ela está feliz, se ela está apaixonada, se ela está triste… Claro, todo mundo quanto está apaixonada fica meio que deslumbrada, principalmente no início da relação. Mas com Angelina? Isso acontece sempre. Com isso, fica difícil de acreditar na veracidade da personagem e até mesmo de criar laços com ela. Por causa da sua paixão avassaladora, ela deixa de lado até os estudos, que eram tão importantes para ela e esquece completamente os ensinamentos dos seus pais. E esse problema de caracterização não acontece só com a protagonista, mas com outros personagens também. Rico não pensa nem duas vezes em ter uma relação com uma aluna! Tudo bem, isso em faculdade é visto de uma forma um pouco mais leve, mas… Ele e Angelina tem uma atitude com relação ao tema acadêmico que não, não foi nada interessante para a integridade dos personagens. E eles sofreram nenhuma consequência com relação a isso. Eu sei que o tema do livro é exatamente uma jovem que sai dos ensinamentos da sua família e da sua religião. Mas a questão é que… Alguns acontecimentos do livro ficaram forçados. Alguns acontecimentos não tiveram uma resolução adequada. Em alguns casos eu fiquei pensando “Mas é SÉRIO isso? A Angelina VAI FAZER ISSO?”. E ainda tem o caso dos clichês. Todo mundo aqui sabe que eu AMO clichês, MESMO! Mas a questão com eles é que… Você tem escolher quais utilizá-los. Se não, no final, você tem a impressão que estava assistindo uma novela (nada contra novelas, mas eu realmente não esperava ter esse sentimento).

Por causa desses problemas com os personagens, eu não consegui apreciar totalmente a mensagem que o livro passa. Angelina é evangélica e com isso o enredo de A Bandeja tem uma base grande nessa religião. A mensagem que ele passa é bem universal, não importando qual a crença do leitor. Mas o problema é que… Você não precisa de situações extremas para passar uma mensagem. Você precisa é de cenas coerentes e que mostram um desenvolvimento dos personagens de uma forma que flua bem e isso não foi o que aconteceu. Angelina repete vários erros durante o livro. Rico, além de ser lindo, maravilhoso, e ótimo professor, tem bastante dinheiro. E, devido a sua história, isso me deixou bastante confusa. Depois tudo é explicado, mas de nada adiantou… A caracterização duvidosa foi trocada por um personagem que me deixou profundamente irritada! Dante é o único personagem que pode ser realmente salvo, apesar de infelizmente aparecer pouco no livro…

Enfim, a escrita de Lycia Barros é bastante envolvente (eu terminei em dois dias a leitura), mas a caracterização dos personagens e as atitudes deles fizeram com que eu não conseguisse aproveitar o livro.

Livro gentilmente cedido para resenha pela Editora Arqueiro.

 

Ficha técnica:

Nome: A Bandeja
Autora: Lycia Barros
Páginas: 240
Editora: Arqueiro
Onde comprar:Livraria Cultura/ Livraria Cultura (e-book)/ Amazon

Minha avaliação: 

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  • Douglas Fernandes disse:

    Que ruim que não conseguiu bater a meta da maratona.. =/
    Mas eu já não sou muito chegado a drama, gosto de vez em quando, me aborrece tbm quando está tudo em excesso, realmente fica dificil criar laços com os personagens, esse é um livro que creio eu não tiraria muito proveito tbm.

  • Michele Lopez disse:

    O livro parece ter um enredo bem interessante, mas me desanimou um pouco o que vc falou sobre os personagens. Ai fiquei na dúvida se quero ler ou não.
    E fiquei triste por vc não conseguir alcançar sua meta na maratona, mas é que sempre se tem tantas coisas para fazer!

  • Sexta do Sebo #75 « Por Essas Páginas disse:

    […] que fiquei. A Lany também se decepcionou e muito com A Bandeja, da Lycia Barros, como leram na resenha, sendo que eu li outro livro dela, A Garota do Outro Lado da Rua e adorei. Enfim… decepção […]

  • Fabiana Strehlow disse:

    Olá, Lany!
    Com relação à metas, já teci meu comentário no post do final da maratona literária. Então, eu estava aguardando por esta resenha…
    Afinal, acompanhei os detalhes da maratona e algo me dizia que esta leitura não a havia agradado totalmente.
    Lamentável, pois fala-se tanto por aí neste livro.
    Eu já não me sentia atraida por “A Bandeja”, agora então…
    Que me perdoe a Lycia Barros!!!

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