Resenha: A caderneta vermelha

a-caderneta-vermelhaCaminhando pelas ruas de Paris em uma manhã tranquila, o livreiro Laurent Letellier encontra uma bolsa feminina abandonada. Não há nada em seu interior que indique a quem ela pertence — nenhum documento, endereço, celular ou informações de contato. A bolsa contém, no entanto, uma série de outros objetos. Entre eles, uma curiosa caderneta vermelha repleta de anotações, ideias e pensamentos que revelam a Laurent uma pessoa que ele certamente adoraria conhecer. Decidido a encontrar a dona da bolsa, mas tendo à sua disposição pouquíssimas pistas que possam ajudá-lo, Laurent se vê diante de um dilema: como encontrar uma mulher, cujo nome ele desconhece, em uma cidade de milhões de habitantes?

Eu resolvi ler o livro “A caderneta vermelha” por dois simples motivos: é um romance e se passa em Paris (provavelmente os livros com Torre Eiffel na capa só perdem para livros com vestidos na minha estante). O autor, Antoine Laurain, é francês e isso me deixou ainda mais curiosa…

Esse livro acompanha Laurent Letellier, livreiro do Le Cahier Rouge (e a ironia já começa aí), divorciado e pai de uma adolescente bastante rebelde.  Um dia ele encontrou uma bolsa de couro lilás em muito bom estado em cima de uma lixeira no meio da rua. Ela parecia estar em um excelente estado e por isso ele concluiu que ela era provavelmente proveniente de um furto. A sua primeira opção foi entregar a bolsa na polícia, mas como eles fizeram muito pouco caso e se recusaram a atendê-lo naquele momento, ele levou-a para casa e resolveu procurar se havia alguma pista que podia ajudá-lo a descobrir quem era a proprietária. Infelizmente, não havia nenhum documento ou celular (o que comprovava mais ainda a teoria do roubo). Porém, como a bolsa de 99% das mulheres, existiam inúmeros objetos pessoais ali dentro, inclusive um caderno Moleskine vermelho com várias ideias e pensamentos da dona. Mas como então encontrá-la?

O livro é bem pequeno (ele tem 132 páginas), então não é uma leitura muito difícil. O enredo dele é bem leve e utilizando uma tag que a Lucy inventou aqui no blog, ele é bem estilo “romance sessão da tarde”. A forma que o autor trabalha a relação entre o conteúdo da bolsa e as pistas que levam Laurent a fazer a busca foi bastante interessante. Afinal, como fazer que ele conseguisse ter alguma informação sem ter pelo menos um nome no início? Todo o cenário foi muito bem trabalhado e faz com que o leitor realmente imagine que está em Paris. Sem contar que o fato de Laurent ser um livreiro traz um charme completamente a mais para a narrativa, já que nós temos menção à diversos autores diferentes (alguns deles, eu só fiquei sabendo quando fui pesquisar). Inclusive um deles tem uma participação central na trama! Apesar de todos esses pontos positivos, “A caderneta vermelha” tem um detalhe que fez com que a leitura se tornasse um pouco complicada para mim: os diálogos não são separados do resto do texto.

Como assim, Lany?

Pois é, ao invés do travessão e ao lado o que cada personagem falou, o próprio narrador descrevia uns diálogos. Um exemplo:

“Um homem forte, de cabeça raspada e olhos pequenos e fundos, estava se levantando para acompanhar uma mulher até a porta. Pousou o olhar em Laurent e este mostrou a bolsa lilás. Vim trazer uma bolsa que acabei de achar na rua. Um belo ato de cidadania, disse o outro. Pronunciou essa frase com uma voz viril, acrescentando: Venha ver, Amélie. Uma loirinha rechonchunda saiu da mesma sala e se aproximou dos dois. Eu estava dizendo a esse senhor que foi um belo ato de cidadania – a frase parecia lhe agradar -, este de nos trazer uma bolsa que achou. Ah, pois é, muito bem cavalheiro, reforçou Amélie.” – página 18

Essa forma de narração nos permite aproximar muito mais do protagonista, porque você tem aquela sensação de estar lendo os pensamentos dele. Porém ela me deixou bastante confusa. Eu começava a ler a frase e me perdia porque só no meio eu percebia que ela era na verdade uma fala de um personagem, então várias vezes eu tinha que ler o trecho novamente para compreender. Talvez possa ser porque eu nunca li um livro assim, mas eu gosto muito mais da forma “tradicional” (se é que eu posso dizer assim) de narração. Eu fiquei curiosa e por isso procurei outras resenhas sobre esse livro e praticamente nenhuma comentava sobre esse fato. Pode ter sido um problema só comigo, mas toda resenha tem um fundo altamente pessoal, e essa característica infelizmente prejudicou a leitura para mim.

Se você está procurando uma leitura leve, divertida e com personagens cativantes, “A caderneta vermelha” é um livro bastante indicado, principalmente se você adora a cultura francesa (ou se pretende conhecê-la!).

Este livro foi gentilmente cedido pela Editora Companhia das Letras para resenha.

Ficha Técnica:

Nome: A Caderneta Vermelha
Autor: Antoine Laurain
Páginas: 135
Editora: Alfaguara
Onde comprar: Livraria CulturaSaraiva / Submarino / Amazon
Minha avaliação: 

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  • Lana Silva disse:

    Mesmo sendo um livro estilo seção da tarde, com uma leitura rápida, e com uma narrativa diferente, no entanto não me cativei muito pela leitura. Claro que fiquei curiosa para saber mais sobre a caderneta vermelha e quem a pertence, talvez não seja o tipo de obra me envolva.

  • Douglas Fernandes disse:

    Eu não sou muito fã dos filmes da sessao da tarde nao… kkkkkkkkkkkk
    Mas eu me interessei pelo livro!
    Ainda mais depois de ler um livro pesado sabe, pegar um livro desses com enredo leve e facil é uma boa pedida e o livro é bem pequeno né, acredito que vc pegue e leia de uma vez só…rsrs

  • Francisca Elizabete disse:

    Vou querer o livro para saber como se desenrola esta história. Fiquei curiosa em saber se Laurent Letellier encontra a dona da bolsa, e consequentemente da caderneta vermelha!! Essa busca parece que vai ser bem interessante!! Sem contar que o livro tem como cenário Paris!! Amo!! A capa do livro está muito charmosa e linda!!

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