Resenha: A Criança no Tempo

Ficha técnica:

 Nome: A Criança no Tempo

 Autor: Ian McEwan

 Tradutor: Jorio Dauster

 Páginas: 288

 Editora: Companhia das Letras

Compre aqui

 

Sinopse: Do autor de Reparação e Enclausurado e vencedor do Man Booker Prize, um romance contundente sobre a dor do desaparecimento de um filho. Numa ida rotineira ao supermercado, Stephen Lewis, escritor bem-sucedido de livros infantis, se depara com a maior agonia de um pai: Kate, sua filha de três anos, desaparece sem deixar rastros. Numa imagem terrível que se repete ao longo dos anos seguintes, ele percebe que a garota não vai voltar. Com ternura e sensibilidade, Ian McEwan nos leva ao território sombrio de um casamento devastado pela perda de um filho. A ausência de Kate coloca a relação de Stephen e de sua esposa Julie em xeque, enquanto cada um deles enfrenta à sua maneira uma dor que só parece se intensificar com o passar do tempo. Vencedor do Whitbread Award, A criança no tempo discute temas como ausência, luto, culpa e as marcas indeléveis que um acontecimento pode deixar em uma família. Um romance surpreendente de um dos melhores escritores de sua geração. “Sua obra-prima.” — Christopher Hitchens “Somente Ian McEwan poderia escrever sobre a perda com tamanha honestidade.” — Benedict Cumberbatch “Fiel à realidade psicológica: as belas camadas dos relacionamentos, o amor multifacetado entre pai e filho, marido e mulher… Tão artisticamente concebido quanto pungentemente executado.” — The New York Times Book Review (Fonte)

Em uma simples ida ao supermercado a vida de Stephen e Julie vira do avesso. Em um segundo Kate estava lá, no segundo seguinte, não estava mais. Como lidar com a perda de um filho? Sem ter a oportunidade de dizer adeus, sem luto, sem saber o que aconteceu? Qual a forma “certa” de lidar com isso?

Stephen faz tudo o que está a seu alcance, investiga, espalha fotos, pressiona a polícia; enquanto Julie desmorona. Mas o que acompanhamos de perto é como Stephen sobrevive ao desaparecimento de sua filhinha e em que ponto, além de sobreviver, ele passa a viver novamente.

No momento da narrativa Stephen faz parte de uma comissão para redigir um novo manual de puericultura (a ciência do desenvolvimento físico, mental e emocional das crianças) para o governo britânico. Sua história é mesclada com o presente e o passado de seus pais e de dois grandes amigos, Charles e Thelma Darke. Stephen conhece Charles, na época o dono de uma editora, quando tenta publicar seu livro, que ele acha que será uma obra premiada, mas cuja editora optou por publicar como um livro infanto-juvenil (mesmo assim foi um grande sucesso).  No presente ele é um membro do Gabinete do Ministério e passa a ser o favorito do Primeiro-Ministro.  Thelma é física e por vezes em seus diálogos com Stephen vemos alguns toques sobre teorias do tempo da física quântica.

Lembrando que esta edição é de 2018, mas o livro foi originalmente escrito em 1987. E apesar de falar de coisas como máquinas de escrever e centrais telefônicas (daquelas antigas, com fios), o assunto em si é atemporal, pois trata de sentimentos humanos profundos: perda, tristeza, esperança.

O livro não traz o tempo só no nome, mas faz uma brincadeira com o tempo, indo e vindo entre passado e presente; entre as lembranças que Stephen tem de Kate e de Julie, e seu momento atual na narrativa. E também “brinca” o tempo todo com a infância (criança), relembrando a infância de Stephen, com Charles trazendo à tona a criança que existe nele.

Achei que com esse tema o livro todo giraria em torno somente da busca pela menina e os sentimentos dos pais. Mas, se fosse, seria apenas mais um livro. Mas a cabeça de Ian McEwan vai muito além e cria uma história totalmente inesperada, e exatamente como disse Benedict Cumberbatch: “Somente Ian McEwan poderia escrever sobre a perda com tamanha honestidade.” Foi isso mesmo que senti. Sem escorregar para o dramalhão, e de uma forma bem realista.

Pra mim, particularmente, não foi um 5 estrelas só por um detalhe… achei que a parte da história que envolve o Primeiro-Ministro meio perdida, meio over (quando você ler, vai ver do que estou falando!!!).

Ian McEwan é o autor profundo e consistente e escreveu um dos meus livros favoritos: Reparação (uma obra-prima!!!). Este não fica atrás na construção de personagens e no mergulho em seus sentimentos. Eu indico!!!

Este livro foi gentilmente cedido pela Companhia das Letras para resenha pela editora. 

 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Compartilhe:
  •  
  •  
  •  
  •  


  • Camila de Moraes disse:

    Olá!
    Parece ser uma história intensa e muito inteligente. Além do drama dos personagens, gosto de narrativas que trazem o passado e presente nos dando uma ideia mais clara dos acontecimentos, uma pena que alguns pontos não foram agradáveis mas gostei da dica.
    Beijos!

  • Joanice oliveira disse:

    Olá,

    Adoro dramas e esse parece ser emocionante e comovente.
    Personagens com força e com sentimentos frutos de perdas inesperadas. Um prato cheio para lágrimas e muitas lições de vida.

    Beijos!

  • Karini Couto disse:

    Tudo bem? Li esse livro quando lançou e gostei bastante. A história é dessas que nos prende desde o começo e não decepciona.
    Beijos.

  • Alice Lacerda Montiel disse:

    Oiii

    Eu não conhecia esse livro mas gostei da premissa, realmente bem atemporal. Eu particularmente gosto de livros mais antigos, que relembram detalhes já saídos da atualidade como máquinas de escrever, centrais telefonicas, telegramas urgentes…. acho que isso dá um charme extra à trama, principalmente nesse gênero que envolve mais mistério. Gostei da obra e vou anotar por aqui pra quando surgir a oportunidade de conferir.

    Beijos

    http://www.derepentenoultimolivro.com

  • Thainá Christine disse:

    Tenho muita vontade de ler alguma obra do Ian McEwan e descobrir exatamente essa profundidade que você cita na resenha. A adaptação de “Reparação” é um dos meus filmes preferidos, e por isso essa obra causa grande curiosidade em mim (ainda não a li, mas pretendo). Esse autor é, com certeza, um autor essencial para se ler ao menos uma vez na vida.
    Excelente resenha! <3

    http://www.sonhandoatravesdepalavras.com.br

  • Michelle disse:

    Olá tudo bem? a obra era desconhecida para mim, porém achei a abordagem do livro muito sensível e tocante, gostei muito saber sobre o talento do autor na criação de seus personagens, e acredito que devo ler o livro preparada para me emocionar, beijos!

  • Beatriz Andrade disse:

    Olá, como vai?
    Eu acho a premissa desse livro sensacional e tenho a maior vontade de ler. Adorei poder conferir a sua opinião com a leitura e espero ter a oportunidade de ler em breve, acho que pode ser uma ótima experiência para mim e estouo com altas expectativas.

  • Jéssica Melo disse:

    Olá, eu morro de curiosidade de ler esse livro, parece que o autor soube mesclar bem todo esse sentimento da perda de um filho com diversos outros pontos na trana *-* Espero ter a chance de lê-lo também em breve *-*

  • Mayara disse:

    Ola!!

    Nossa, vi esse livro na época do seu lançamento e ele entrou na minha lista de desejados desde então, porem, havia me esquecido dele!
    Adorei a sua resenha, ela reascendeu em mim a vontade de ler essa historia e bem, ele voltou para a minha lista de desejados e espero poder ler em breve

    beijos

  • Saga Literária disse:

    Olá, tudo bem?

    Eu tenho muita vontade de ler “A Criança no Tempo”, dizem que é uma leitura fabulosa e também quero conhecer a escrita do Ian. Fico contente que você gostou da leitura, que o livro tenha sido consistente e profundo. Adorei a sua resenha!
    Abraço!

PREENCHA OS CAMPOS ABAIXO PARA DEIXAR SEU COMENTÁRIO




Mensagem