Resenha: A Escola do Bem e do Mal – Um mundo sem príncipes

Ano passado li A Escola do Bem e do Mal, de Soman Chainani (leia a resenha) e, apesar de alguns problemas, o livro me conquistou, especialmente por seus personagens e seu final emocionante. Era uma das séries que eu mais esperava com ansiedade pela continuação, portanto, quando a Editora Gutenberg ofereceu a leitura da prova aos blogs parceiros, logo me candidatei à vaga. Nessa continuação, Soman Chainani encantou novamente por seus personagens e seus brilhantes questionamentos sobre o bem e o mal dentro de nós mesmos, mas pecou na narrativa, exatamente como fez no primeiro livro.

Essa resenha contém spoilers para quem ainda não leu o primeiro volume da série. Leia a resenha.

“Nesta esperada continuação de A Escola do Bem e do Mal, as melhores amigas Sophie e Agatha estão de volta ao seu lar, em Gavaldon, para viver seu desejado final feliz, certas de que seus problemas terminaram. Mas a vida não é mais o conto de fadas que elas esperavam. Quando Agatha escolhe um fim diferente para sua história, ela acidentalmente reabre os portões da Escola do Bem e do Mal, e as meninas são levadas de volta para um mundo totalmente modificado. Agora, bruxas e princesas moram juntas na Escola para Meninas, na qual são inspiradas a viver uma vida sem príncipes. Tedros e os meninos estão acampados nas antigas Torres do Mal, onde os príncipes se aliaram aos vilões, e uma verdadeira guerra está se armando entre as duas escolas. O único jeito de Agatha e Sophie se salvarem é procurando restaurar a paz. Será que as amigas farão as coisas voltarem ao que eram antes? Sophie conseguirá ficar bem com Tedros nessa caçada? E o coração de Agatha, pertencerá a quem? O felizes para sempre nunca pareceu tão distante.” Fonte

O livro anterior terminou num gran finale de tirar o fôlego: Agatha escolheu Sophie e as duas amigas tiveram seu final feliz, retornando para casa. Mas Gavaldon não é a mesma – assim como elas também não são; o pai de Sophie vai se casar, Sophie luta para continuar do Bem mesmo assim, e Agatha se sente inquieta, deslocada, como se algo estivesse faltando. Aquele era mesmo seu final feliz?

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Esse início é bastante confuso e emperrado – e assim continua por várias páginas, melhorando sensivelmente quando Agatha e Sophie retornam à Escola do Bem e do Mal, ou melhor, para a Escola das Meninas e dos Meninos. O que acontece aqui é praticamente o mesmo problema do primeiro livro: a escrita é confusa, truncada, há personagens demais e o autor não consegue dar voz e personalidade a todos (e há novos personagens agora, para complicar a situação). Demorei bem mais pra ler o livro do que esperava, já que estava ansiosa por ele. A leitura simplesmente não fluía. Além disso, os personagens que me conquistaram estavam lá, mas as características que me encantaram não; enquanto Agatha parece ter realmente assumido seu lado de princesa, pois ficou avoada e apaixonada, metendo os pés pelas mãos, excessivamente insegura, além de sua inteligência e genialidade parecerem ter evaporado, Sophie perdeu sua dualidade, e a “bruxa” que animava a história e dava um toque de emoção e humor a tudo simplesmente sumiu. Pra completar, Tedros está praticamente desaparecido nessa primeira parte, enfurnado no castelo do Mal/Meninos.

“Um mundo onde ela e Agatha seriam felizes para sempre.
Um mundo onde um menino jamais poderia se intrometer entre elas.
Um mundo sem príncipes.” Página 80

Cadê tudo aquilo que me conquistou no primeiro livro?, era a pergunta que eu constantemente me fazia.

De fato, a única coisa que realmente foi interessante nessa primeira metade do livro foram os questionamentos que a leitura traz à tona: sim, as mulheres foram e são oprimidas pelos homens – especialmente em contos de fadas, afinal, diga aí princesas que assumem o comando de suas histórias ou contos de fadas onde mulheres são amigas! (Ps.: não vale Frozen, Valente ou Mulan, os dois primeiros são recentes e – ainda bem! – estão mudando os contos de fadas, e Mulan é talvez uma das melhores histórias de princesas que existem, começando pelo fato de que ela não é uma princesa). Ok, mas mesmo assim, as meninas ainda precisam dos meninos, certo? Tanto quanto os meninos também precisam das meninas! E não porque um dependa do outro, mas porque todos somos humanos! :)

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O livro é realmente dividido em duas partes. Tudo isso ocorre na primeira, e foi bem difícil passar por ela. Felizmente, o livro finalmente encontra um bom rumo após a segunda parte, e os personagens que amamos no primeiro volume voltam a dar as caras. Há uma virada tanto na história quanto na escrita, que se torna mais dinâmica e emocionante. Ação, romance, humor, confusões, mais questionamentos! Os meninos voltam a dar as caras, Tedros reaparece com uma grande participação na história e até mesmo conhecemos um novo garoto que… bem, só lendo pra saber.

Há essa ideia brilhante que o autor insere na história nessa segunda parte que deixa tudo muito, muito melhor. De fato, a impressão que dá é que temos um novo livro nas mãos, escrito por um autor mais centrado em sua própria história, com domínio de seus personagens e de sua trama, e uma escrita muito mais entusiasmada. A consequência é, claro, uma leitura mais rápida e prazerosa, e eu realmente devorei os últimos capítulos, que culminaram em um novo final ainda mais emocionante que o do primeiro livro.

“Esse é o problema com contos de fadas. De longe eles parecem perfeitos. Mas, de perto, são tão complicados quanto a vida real.” Página 197

Isso me fez ficar bem dividida na hora de classificar o livro; pelo final, ele merecia 4, até mesmo 5 estrelas, mas pensei melhor e vi que não poderia classificá-lo na emoção. Não se pode esquecer toda a primeira parte morna e confusa, onde, em mais da metade do livro, o autor parecia estar completamente perdido; foi uma parte cansativa e difícil, então, mesmo com uma segunda parte brilhante e um final incrível, o livro acabou com 3 estrelas.

Pela prova deu pra perceber que, novamente, a edição da Gutenberg está muitíssimo caprichada; as ilustrações são belíssimas e os detalhes em cada capítulo também. Como li uma prova, não posso opinar na revisão; por outro lado, a capa está de arrasar, ainda mais chamativa que a do livro anterior.

Geralmente não gosto de book trailers, mas esse está incrível!

Se recomendo esse livro (e a série)? Sim, é uma delícia para quem curte fantasia, contos de fadas e a subversão deles. Se ainda quero ler o último livro? Quero, e muito, principalmente depois desse ótimo final. Mas realmente espero que Soman Chainani amadureça sua escrita e encontre sua voz para concluir a série como ela merece, com um livro que seja consistente e excelente o tempo todo. Não dá pra ser maravilhoso só no final, Soman.

Prova cedida gentilmente para leitura e resenha pela Editora Gutenberg.

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Ficha Técnica

Título: A Escola do Bem e do Mal – Um mundo sem príncipes
Autor: Soman Chainani
Editora: Gutenberg
Páginas: 320
Onde comprar: Lançamento previsto para julho/2015.
Avaliação: 

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  • Gustavo disse:

    Eu não li a resenha para não ler spoilers, e embora ainda queira ler essa série, me decepcionou um pouco que o autor esteja pecando na narrativa, que é a parte mais importante do livro. Espero que ele consiga concluir a história melhor do que ele vem conduzindo ate agora =/

  • Mariana Bernicchi disse:

    Olá, tudo bem? Eu tenho um fã clube de A Escola do Bem e do Mal, mas a nossa página ainda está crescendo. Será que vc poderia nos ajudar a divulgá-la por meio do seu blog? Agradeço muito. Link:https://www.facebook.com/pages/A-

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