Resenha: A Febre

A Febre foi minha primeira leitura de 2016. Eu o escolhi porque a sinopse prometia: garotas adolescentes começam a cair como moscas em uma escola. Qual seria a causa desses ataques? Teria a ver com o efeito colateral de uma vacina contra HPV ou algo muito mais sombrio? É impossível não ficar curioso. Coloquei outras opções de leitura de lado e comecei a ler. O veredito? Não é um livro ruim, mas também não é tão bom quanto eu pensava. Fica ali, no terreno incerto do “mais ou menos”.

afebre“Na Escola Secundária de Dryden, Deenie, Lise e Gabby formam um trio inseparável. Filha do professor de química e irmã de um popular jogador de hóquei da escola, Deenie irradia a vulnerabilidade de uma típica adolescente de 16 anos. Quando Lise sofre uma inexplicável e violenta convulsão no meio de uma aula, ninguém sabe como reagir.
Os boatos começam a se espalhar na mesma velocidade que outras meninas passam a ter desmaios, convulsões e tiques nervosos, deixando os médicos intrigados e os pais apavorados. Os ataques seriam efeito colateral de uma vacina contra HPV? Teriam a ver com o lago contaminado? Ou seria o início de algo muito pior?
Envoltos em teorias e especulações, o pânico rapidamente se alastra pela escola e pela cidade, ameaçando a frágil sensação de segurança daquelas pessoas, que não conseguem compreender a causa da doença terrível e misteriosa.” Fonte

O livro começa com aquela típica atmosfera adolescente americana. Dá a impressão de ser só mais um Young Adult, mas após o primeiro “ataque”, que ocorre com uma amiga próxima de Deenie, a protagonista, percebemos que algo mais sombrio se esconde atrás de toda aquela fachada. Acompanhamos as narrações de Deenie, seu pai, Tom, que também é professor de química na mesma escola e do irmão de Deenie, o popular Eli; isso foi muito bom, aliás, já que a autora oferece três pontos de vista diferentes sobre a história, ainda que os três sejam em terceira pessoa. A família segue sua vida na pequena cidade, longe da mãe dos adolescentes, que os deixou após uma dramática separação que deixou marcas especialmente em Deenie. Sua mãe, aliás, deixou a família mais por causa da cidade, que ela afirma ser sombria.

Então há esse ataque de Lise, uma das melhores amigas de Deenie; a coisa é realmente sinistra, a menina precisa ser internada e fica em coma. Aconteceu de repente. E, em tempos de smartphones e redes sociais, é claro que a escola inteira está sabendo de todos os detalhes. Mas a coisa fica ainda pior quando, no dia seguinte, na mesma hora, outra menina, outra amiga de Deenie, também sofre um ataque. E aí isso se espalha por toda a escola, apenas meninas.

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Parece tudo muito interessante, certo? À primeira vista, sim, mas a narração é cansativa. Detalhista demais, apegando-se a detalhes irrelevantes ou não tão importantes assim. A leitura começa a se arrastar; é muito drama adolescente, muito drama familiar, muito drama de meia-idade, tudo isso nos mínimos detalhes, dando voltas e mais voltas. Se o ritmo fosse mais rápido, mais dinâmico, o livro poderia ser muito melhor. A sensação que dava era que eu lia, lia e ainda estava parada no mesmo lugar.

Outro problema foi que, à medida que a trama evoluía, o caso se tornou ligeiramente previsível; é claro, houve uma surpresa no final, mas não tão chocante assim. O motivo para tudo me pareceu… frívolo, como o livro insiste em descrever os adolescentes. Ok, sim, é uma trama adolescente, talvez seja bem mais espantoso para alguém nessa idade, mas para mim, que estou acostumada a thrillers de suspense bem mais sombrios e surpreendentes, não foi tão bom assim. Apenas ok.

Não me leve a mal, é uma leitura interessante, mas falta algo – seja na escrita, seja nos personagens, que algumas vezes parecem pouco naturais, feitos de plástico. Seja lá como for, falta algo importante para dar aquele BOOM na mente do leitor. Tudo isso leva à um livro morno, que pode passar batido com facilidade no meio de outras leituras. Há coisas demais, explicações demais, e depois da grande revelação, o livro poderia simplesmente ter terminado ao invés de continuar por tediosas páginas a mais. A edição tem a qualidade de sempre da Intrínseca, é um livro bonito para se ter na estante, mas que certamente não irei reler. Leiam e tirem suas conclusões, mas não com muita expectativa.

Livro gentilmente cedido para leitura e resenha pela Editora Intrínseca.

Ficha Técnica

Título: A Febre
Autor: Megan Abbott
Editora: Intrínseca
Páginas: 272
Onde comprar: SaraivaLivraria Cultura / Livraria Cultura (e-book)SubmarinoAmazon / Shoptime
Avaliação: 

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  • Douglas Fernandes disse:

    Que pena, realmente a trama tem tudo pra te prender de uma forma bem intensa, pelo menos pra mim que adoro livros assim, mas quando falta algo seja na narrativa, ou nos personagens e faz com que o livro fique cansativo da dum desanimo né 🙁
    Mas mesmo com esses pontos negativos tenho interesse de ler o livro, tenho ele aqui e vou ver se encaixo em minhas leituras 😉

  • Beatriz dos Santos disse:

    Qnd vi a capa deste livro pela primeira vez, eu pensei que seria O LIVRO ate guardei o nome pra ler dps a sinopse, confesso que me deixou um pouco desanimada dps de ler a resenha pois detesto esse tipo de leitura cansativa… Uma pena pq dava pra ser um livro mt bom

  • lorena clemente disse:

    E uma pena que ele seja cansativo pois eu comprei ele depois de ouvir um monte de gente elogiando, ainda não li mas agora com certeza quando eu for ler vou manter os pés no chao!

  • Fábrica dos Convites (@Fabdosconvites)f disse:

    Ele não é nada do que prometia. Quando terminei a leitura fiquei com aquele ponto de interrogação enorme! Uma pena.
    Bjs, Rose

  • Milena Soares disse:

    Eu estava bastante interessada em ler esse livro só pela sinopse, e agora depois de ver essa resenha fiquei um pouco desanimada, mesmo assim ainda pretendo conferi essa história, que pena que pra você foi uma decepção.

  • Daniele Reis disse:

    Bem, já não curto muito thriller, depois da resenha então. rs
    Não gosto de livros que se estendem muito para no fim não ser bom. :/

  • Sexta do Sebo #150 « Por Essas Páginas disse:

    […] livro começou meu 2016? Resenhei ele por aqui ontem, foi A Febre, de Megan Abbott, mas não foi um começo tão bom quanto eu […]

  • Shadai disse:

    que pena não ser tão bom quanto parece.
    acho bem chato começar um livro e no meio dele estar com sensação de cansado por ter detalhes demais que não acrescentam em quase nada.
    dispenso essa leitura então.

  • Layana Macedo disse:

    ainda bem que minha primeira leitura de 2016 foi ótima! um incentivo para bater todas as metas de leitura do ano!!

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