Resenha: A festa da insignificância

A festa da insignificância parecia ser interessante pelo fato de mostrar o cotidiano, a vida comum e os diálogos corriqueiros entre amigos com uma pitada de filosofia. Mas como a própria sinopse entrega, é um livro pretensioso e afetado demais, com filosofia inútil e rala. Um livro que vai fazer você se sentir burro e te deixar coçando a cabeça.

“Lembrando A grande beleza, filme de Paolo Sorrentino acolhido com entusiasmo pelo público brasileiro no mesmo ano, o romance de Milan Kundera coloca em cena quatro amigos parisienses que vivem numa deriva inócua, característica de uma existência contemporânea esvaziada de sentido. Eles passeiam pelos jardins de Luxemburgo, se encontram numa festa sinistra, constatam que as novas gerações já se esqueceram de quem era Stálin, perguntam-se o que está por trás de uma sociedade que, em vez dos seios ou das pernas, coloca o umbigo no centro do erotismo.
Na forma de uma fuga com variações sobre um mesmo tema, Kundera transita com naturalidade entre a Paris de hoje em dia e a União Soviética de outrora, propondo um paralelo entre essas duas épocas. Assim o romance tematiza o pior da civilização e lança luz sobre os problemas mais sérios com muito bom humor e ironia, abraçando a insignificância da existência humana.” (Fonte: Skoob)

Nos primeiros capítulos (todos bem curtos – pelo menos temos esse alívio) somos apresentados aos personagens do livro: Alain o chorão com problemas com a mamãe e tarado por umbigos, Ramon o filósofo, Dardelo o portador de câncer de mentira, Calibã um ator fajuto e paquistanês de araque, Quaquelique o conquistador e Charles, cuja única utilidade é nos apresentar uma história sobre Stalin.

O que me deixou chateado não foi o fato de não haver profundidade nos personagens ou no diálogo, nem a história avançar para lugar algum ou ter algum motivo específico ou uma lição a ser ensinada. Minto. Foi a combinação de todos esses fatores sim que me deixou muito irritado. Os personagens são completamente esquecíveis e muitas vezes confundi-os entre si, não existe história ou motivação para eles fora o acompanhamento por parte do leitor de suas vidas banais e filosofagens ridículas. Sem contar os diálogos afetados para que o autor se sinta superior aos seus leitores.

Um dos poucos momentos marcantes do livro são os capítulos em que a mãe de Alain afoga outro homem. Não fica claro se esse momento é um delírio ou realidade e isso foi uma mudança de clima no livro muito bem vinda. Porém não serve de nada à história.

Stalin é interessante e foi uma surpresa ele ter passado de um conto dentro da historia e se tornado um personagem; outro item que poderia e deveria ter sido melhor explorado. Porém com certeza essa é mais uma alegoria que nós pobres mortais não temos como entender. Talvez só o autor.

Difícil acreditar que uma obra fraca como essa seja um best seller internacional, como é afirmado na contra capa. Não consigo acreditar que um livro que não fala sobre nada, com personagens rasos, trama e desenvolvimento nulos, seja tão bem quisto pelos leitores. Para mim esse livro sim é insignificante.

 

Ficha Técnica

Título: A festa da insignificância
Autor: Milan Kundera
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 136
Onde comprar: Livraria Cultura
Avaliação:

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  • Nathalia Simião disse:

    Olá Felipe 🙂
    Não li esse livro mas já vi algumas resenhas sobre ele e você não foi o unico a desgostar dele. E realmente ele parece ser bem ruim mesmo, filosofia barata é um saco de se ler. Não sinto a mínima vontade de ler esse livro.

  • Melissa de Sá disse:

    Felipe, você já tinha comentado do livro comigo durante a Bienal, mas ler a resenha me fez entender melhor porque esse livro é tão ruim. Ai que preguiça só de ler a sinopse… Muito pretensioso pro meu gosto.

  • Suelen Mendes disse:

    Nunca tinha ouvido falar desse livro,e pelo visto não andei perdendo nada né!rsss
    Realmente me pareceu bem raso,não me interessei nem pela sinopse.
    Bjus

  • Fabiana Strehlow disse:

    Grande Milan Kundera!
    Quero muito ler este livro!
    Já está em minha lista!

  • Michele Lopez disse:

    Oie…
    Não li o livro ainda e nem pretendo… quando diz que tem filosofia… estou fugindo!!
    Ainda mais depois de ler sua resenha… chance zero!!
    Muito difícil acreditar também que esse livro seja tão bem quisto pelos leitores!! Uma leitura fraca, sem personagens interessantes!!

  • Michely Reis disse:

    Oii..não li e nem prentendoooo….essa questão filosóficaa me dá nó kkkk nnão curto muiiitoo viuu …prefiro meus romances literarios =D

  • Solange Cristina disse:

    Ah, a resenha já me deixou triste!
    Livros filosóficos são difíceis pra mim .. nunca entendi muito bem nada disso. Agora ler um livro que o autor cometeu todos os pecados literários possíveis é o fim.
    Ainda mais sobre um tema tão avulso para mim.
    :\ :\

  • Mell Ferraz disse:

    Oi, Felipe.
    Minha opinião é totalmente divergente da sua.
    Enquanto você não encontrou profundidade alguma, eu vejo um mar de reflexões e filosofia profunda.
    Por exemplo, fica claro que a passagem sobre o assassinato da mãe de Alain é invenção dele, e de que isso é um dos pontos altos do livro, evidenciando uma psicologia totalmente perturbada por um abandono. Isso é uma questão recorrente, então achei muito bacana a forma como foi abordada.
    Abraços!

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