Resenha: A Mais Pura Verdade

Recebemos da Novo Conceito uma pequena prova do livro – uma amostra – e depois o livro completo. Eu queria ter lido já antes a provinha, mas por falta de tempo, acabei pegando o livro já finalizado para ler. A Mais Pura Verdade é o tipo de livro que eu adoro: um drama, uma doença, amor e amizade, enfim, um sick-lit. Não tem jeito, sempre sou atraída para esses livros, eles (quase sempre) me emocionam profundamente. E era essa sensação que eu esperava com esse livro. Um menino doente e confuso, um cachorro amigo e fiel. Encontrei emoção? Encontrei. Mas talvez não como esperava.

“Em todos os sentidos que interessam, Mark é uma criança normal. Ele tem um cachorro chamado Beau e uma grande amiga, Jessie. Ele gosta de fotografar e de escrever haicais em seu caderno. Seu sonho é um dia escalar uma montanha.
Mas, em certo sentido um sentido muito importante, Mark não tem nada a ver com as outras crianças.
Mark está doente. O tipo de doença que tem a ver com hospital. Tratamento. O tipo de doença da qual algumas pessoas nunca melhoram.
Então, Mark foge. Ele sai de casa com sua máquina fotográfica, seu caderno, seu cachorro e um plano. Um plano para alcançar o topo do Monte Rainier. Nem que seja a última coisa que ele faça.
A Mais Pura Verdade é uma história preciosa e surpreendente sobre grandes questões, pequenos momentos e uma jornada inacreditável.” Fonte

Mark está, e sempre esteve, doente. Ele passou quase toda sua pequena vida em hospitais ou em casa, não podendo na maior parte do tempo ser o que gostaria de ser: uma criança normal, que vai à escola todos os dias e vive sem preocupações maiores do que a nota das provas. No mais, ele é sim um menino normal: tem um cachorro maravilhoso e fiel, uma melhor amiga incrível e pais amorosos. Sonhos. Mas, como nunca pôde decidir o rumo da sua vida, sempre dirigido por sua doença, Mark, ao descobrir que ela retornara, decide fugir e realizar seu último grande desejo: alcançar o topo de uma montanha. É sua última – e talvez única – decisão sozinho, então ele sai de casa com um plano, uma máquina fotográfica, um caderno onde escreve haicais, e seu cachorrinho fiel.

“(…) sorri para Beau, como ele merecia. Ele sorriu de volta, com aquele sorriso mostrando os dentes e a língua para fora. Os olhos dele brilhavam com todas as coisas boas do mundo.” Página 109

Esse livro tinha tudo, tudo, para ser daqueles que a gente derrama rios de lágrimas e desidrata. Era isso que eu esperava, era isso que eu queria. Mas não foi o que aconteceu. E não porque a história não seja bonita – ela é! Mas porque não foi bem conduzida.

Uma palavra para esse livro: inexperiência. A Mais Pura Verdade é o primeiro do autor Dan Gemeinhart. E, por isso, há visíveis marcas de inexperiência nele. O problema não é que elas existam, mas sim que elas permeiem todo o livro, atrapalhando a conexão do leitor com a obra e seus personagens. Ao menos eu tive esse problema. Para começar, o livro é corrido, tudo acontece rápido demais, com poucas explicações e, quando elas existem, são rasas e superficiais. Você só entende muito por cima porque o menino está fugindo, mas jamais compreende de verdade porque ele fez isso de verdade; por que ele simplesmente não conversou com os pais e pediu a eles esse último desejo? É doloroso ler a história e ver como Mark os abandona, sabendo o tempo inteiro que estão sofrendo, e muito. É doloroso como ele deixa uma responsabilidade pesada nas costas da melhor amiga, que passa o livro inteiro dividida entre a amizade e o dever. Ao mesmo tempo que me compadeci do sofrimento de Mark, também fiquei muito brava com ele; como abandonar os pais desse jeito, pais amorosos, que faziam tudo por ele, que o amavam profundamente, que sofriam dia após dia, junto com Mark? A gente sabe muito bem que essa doença é devastadora, e ninguém entende de verdade o sentimento da pessoa que a porta, mas o sofrimento também é terrível para a família, especialmente os pais, quando ela acomete crianças e adolescentes…

puraverdade (2)

Mas, até aí, tudo bem. O que realmente é difícil é se envolver com um livro que passa tão superficialmente pelos fatos, pelos acontecimentos, pelas sensações. O autor parece ter pressa de contar sua história, e ao invés de um livro, a obra mais parece um mero relato. Por outro lado, a escrita é simples e o drama do personagem por si só é um motivador envolvente, então você continua a ler, mesmo não sentindo tudo o que sabe que poderia sentir. Às vezes eu me pegava pensando “Será possível? Será que não tenho sentimentos? Será que tem algo errado comigo? Eu deveria estar sentindo mais que isso!”, mas simplesmente não funcionava. E eu já li livros desse tipo que só de pensar neles eu já tenho vontade de chorar. E já passei essa história na pele, duas vezes. Por quê? Por que aquilo não me emocionava?

Uma blogueira, super querida e que eu prezo muito sua opinião (a Mari, do S2 Ler) falou que eu deveria persistir. Que havia algo devastador em certo momento do livro, em que era impossível não se emocionar. E eu cheguei lá, enfim…

E o que aconteceu?

Fiquei com raiva. Muita raiva, porque Mark fez algo completamente irresponsável e egoísta. E mesmo que ele tivesse um sofrimento terrível e uma doença maldita, é difícil não ficar brava com ele por sua completa imprudência. Uma pessoa não ganha imunidade em suas atitudes por estar doente. Não é assim que funciona. As ações de Mark machucam; machucam outros personagens, machucam o leitor. Fiquei dividida entre pena e dor – por outro personagem – e pela raiva que fiquei do protagonista. Como assim?! Como ele pôde fazer isso?!

Vocês vão pensar que sou um coração gelado, mas teve sim um momento emocionante no livro. Uma conversa entre Mark e um adulto, que para mim representou o sofrimento dos pais de Mark. E ali eu me emocionei, muito, pois desde o começo sabia o quanto aqueles pais estavam sofrendo, e aquele personagem personificou esse sofrimento. Mas, novamente, sofri por outro personagem… não por Mark.

“O que uma amiga deveria fazer?
Como ajudar quando ajudar e ferir são a mesma coisa?” Página 87

Talvez tenha sido a escrita corrida, pouco empática e inexperiente de Dan Gemeinhart que tenha gerado esses sentimentos em relação à obra; ele ficava repetindo o tempo inteirinho no livro, na narração e nos diálogos, que tudo “era a mais pura verdade”, como que tentando enfatizar o título. Desnecessário… duas, três vezes, em situações mais críticas, seria o suficiente e o tom certo para emocionar; desse jeito foi apenas cansativo. Talvez tenha sido o fato de que o narrador não decidia se era uma criança imatura ou um adulto cheio de amargura e independência. Às vezes, eu não conseguia situar a idade de Mark: ele era uma criança ou um pré-adolescente? Tudo bem, a gente sabe a idade dele no livro, mas sua narração não é homogênea, não corresponde à sua idade todo o tempo. Isso também pesou pra mim durante a leitura e deixou ainda mais difícil minha empatia por ele.

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A edição da Novo Conceito, como sempre, está impecável. Um livro confortável de ler, bem diagramado, bem revisado, com detalhes em todas as capas de capítulos e em todas as páginas. Lindo por fora, e que tinha tudo para ser lindo por dentro. Uma trama com um potencial incrível que foi pouco aproveitada. Mas já vi muita gente que se emocionou, então talvez a minha opinião seja apenas uma entre tantas. Fica a recomendação que tirem suas próprias conclusões. Ah, e o cachorrinho, Beau, foi o melhor personagem do livro. Meu preferido. Acho que, no final, li o livro por ele.

Livro gentilmente cedido em parceria para resenha pela Editora Novo Conceito.

Ficha Técnica

Título: A Mais Pura Verdade
Autor: Dan Gemeinhart
Editora: Novo Conceito
Páginas: 224
Onde comprar: Saraiva / Livraria Cultura (e-book) / Submarino / Amazon
Avaliação: 

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  • Douglas Fernandes disse:

    A maioria das resenhas e opiniões sobre esse livro foram bem positivas, a sua foi a mais negativa…rsrs Sei que isso vai de cada pessoa, vc pode nao ter sentido como outra pessoa sentiu, enfim eu tenho muita vontade de ler pq essas historias que tem animais sao bem emocionantes e passam uma mensagem bem bonita e vc disse que o cachorro Beau foi seu personagem preferido e que leu o livro por ele ja senti votade de ler tbm… :D

  • Milena Soares disse:

    Estou doida pra ler esse livro, parece uma história super emocionante e cada resenha que leio dele me deixa ainda mais curiosa pra conferi isso tudo que estão falando desse livro.

  • Gustavo disse:

    Esse livro parece ser tão bom, estava com expectativas elevadissimas em relação a ele, mas todas foram baixadas drasticamente kkk. Fiquei decepcionado com o ponto em que o autor fica repetindo “a mais pura verdade”, sempre e desnecessariamente, Odeio isso em livros, se tornam tão cansativos. Mas ainda sim quero muito ler, porque, como você disse afinal, opinião é de cada um, tanto isso que conheço gente que leu a culpa é das estrelas, ou a menina que roubava livros, e não derramou nenhuma lagriminha kkk decepcionante…

  • Marília Sena disse:

    A inexperiência, felizmente, é algo reversível. Ainda não li o livro, mas já vi muita gente dizer que é muito bom, que emocionou e que é um bom livro do gênero. Na verdade, é difícil não se envolver quando a história se trata de crianças hahaha mas se esse não foi o caso, então há algo errado mesmo. Vou ler e tirar minhas conclusões!

  • Aru disse:

    Todo mundo comentando sobre esse livro e eu ainda não tive a chance de ler.
    E lá se vem mais um livro de personagem à beira da morte… Mesmo achando a história clichê, acho que vou gostar. As resenhas são mto positivas.

  • Shadai disse:

    Sick-lits só são legais quando emocionam, caso ocorra de não simpatizarmos com protagonista, e mais termos raiva de suas atitudes aí complica totalmente nosso apreço pelo livro e consequentemente o prazer da leitura.
    Mesmo não parecendo ser muito bom, fiquei curioso por várias coisas da história, apesar de prever o final.

  • Lorena Oliveira disse:

    Estou curiosa.. Acabei de ler uma resenha cheia de emoções, e logo em seguida a sua bem negativa.. Adoro quando encontro diferentes opiniões de um mesmo livro, consigo ler com a mente mais aberta, e não me sinto obrigada a gostar!!

  • Clarice Castanhola disse:

    Lí várias resenhas à respeito do livre , espero ter sorte dessa vez no sorteio, inclusive ótima resenha sobre o livro A Mais Pura Verdade.. *—*

  • Tarsila Martins disse:

    Estou querendo tanto ler esse livro, e daí me desanimei um pouco com sua resenha… Não sabia que tinha tantos pontos negativos assim, não curto muito quando livros são corridos, gosto de entender os fatos, também não gosto quando são descritos de maneira superficial. Mas, ainda assim, quero ler esse livro, quero ver se sinto o mesmo que você sentiu, ou se eu vou gostar dele.
    Espero ter uma opinião diferente e me emocionar com a história de Mark e seu cachorro.
    Beijos!

  • Resultado: Sorteio Mês da Mulher « Por Essas Páginas disse:

    […] Sorteio Prova de A Mais Pura Verdade – Até 12/04 […]

  • JULIANA MALHEIROS disse:

    Já havia lido outras resenhas sobre esse livro, mas gostei muito da sua, me parece que você analisou todos os aspectos do livro e não se ateve apenas ao fato de se tratar de uma criança doente. Fiquei com a impressão que o autor agiu como se a história triste sustentasse o livro por si só, esquecendo de todas as conexões, nuances e descrições que um bom livro precisa ter. Você precisa “engatar” nele. Que pena que o livro é tão corrido e com poucos detalhes, só pelo que você descreveu deu para perceber que o autor deixou um pouco a desejar.

  • Cristiane de oliveira disse:

    Todo mundo falando muito desse livro e com sua resenha agora fiquei um pouco com o´pé atrás não gosto de livros corridos e nem sem ir a fundo no enredo, bom vamos ver o que vou achar da história depois que começar a leitura, não costumo gostar dos livros que todo mundo ama, talvez ame esse por que tem um cachorro rsrsrsrs

  • Sueli Cobbos disse:

    Li a sinopse e me interessei pelo livro, mas ao ler sua resenha fiquei um pouco decepcionada. Será que vale a pena ler? Mas, ao mesmo tempo, se não ler não poderei saber ao certo se vou gostar ao não. Vamos esperar pela oportunidade de ler.

  • Kemmy Oliveira disse:

    Apesar de você não ter gostado tanto do livro, ele me parece bacana. Sei lá, acho que gosto de “histórias corridas”, sem enrolação hahahahha
    Tô bem curiosa pra ler ele desde que saíram as primeiras impressões. Amei o quote sobre ajudar e ferir serem a mesma coisa, porque é bem isso que ando sentindo :(
    Beijo!

  • Francisca Elizabete disse:

    O livro parece conter uma estória emocionante! Mas acho que o personagem toma uma decisão certa que é viajar para aproveitar o máximo da vida!! Gostaria de ler esta emocionante estória!!

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