Resenha: A Passagem

“Primeiro, o imprevisível: a quebra de segurança em uma instalação secreta do governo norte-americano põe à solta um grupo de condenados à morte usados em um experimento militar. Infectados com um vírus modificado em laboratório que lhes dá incrível força, extraordinária capacidade de regeneração e hipersensibilidade à luz, tiveram os últimos traços de humanidade substituídos por um comportamento animalesco e uma insaciável sede de sangue. Depois, o inimaginável: ao escurecer, o caos e a carnificina se instalam, e o nascer do dia seguinte revela um país – talvez um planeta – que nunca mais será o mesmo. A cada noite, a população humana se reduz e cresce o número de pessoas contaminadas pelo vírus assustador. Tudo o que resta aos poucos sobreviventes é uma longa luta em uma paisagem marcada pelo medo da escuridão, da morte e de algo ainda pior. Enquanto a humanidade se torna presa do predador criado por ela mesma, o agente Brad Wolgast, do FBI, tenta proteger Amy, uma órfã de 6 anos e a única criança usada no malfadado experimento que deu início ao apocalipse. Mas, para Amy, esse é apenas o começo de uma longa jornada – através de décadas e milhares de quilômetros – até o lugar e o tempo em que deverá pôr fim ao que jamais deveria ter começado. A passagem é um suspense implacável, uma alegoria da luta humana diante de uma catástrofe sem precedentes. Da destruição da sociedade que conhecemos aos esforços de reconstruí-la na nova ordem que se instaura, do confronto entre o bem e o mal ao questionamento interno de cada personagem, pessoas comuns são levadas a feitos extraordinários, enfrentando seus maiores medos em um mundo que recende a morte.” Fonte

O primeiro ponto positivo que preciso falar sobre esse livro é muito simples: ele é sobre vampiros. Vampiros de verdade. OK, eles tem algumas alterações da lenda original e eles geram um apocalipse (o que é muito legal!), mas eles definitivamente não são frescos e bonitinhos, pelo contrário, são bárbaros, famintos e destroem tudo o que encontram pela frente.

A Passagem é um livro que eu queria muito ler faz algum tempo. Não sabia que era sobre vampiros, achava que era um apocalipse zumbi (tem resenha por aí na blogosfera que fala que é sobre zumbis, gente, não é!). Ele foi o primeiro livro de vampiros que eu li em muito, muito tempo (acho que desde Entrevista com o Vampiro, da Anne Rice, ou talvez tenha sido desde A Hora do Vampiro, de Stephen King? Bem, faz tanto tempo que nem lembro mais), e isso se deve ao fenômeno Crepúsculo e toda a literatura vampiresca romântica que abarrotou as livrarias depois disso. Desculpem-me quem gosta, mas eu não faço o tipo romântico e, para mim, vampiros são seres malignos, quanto piores forem, melhor. Isso quer dizer que, quando descobri que esse livro era sobre vampiros e eles não eram nada bonitinhos, um sorriso brotou em minha face.

Aqui, os vampiros foram criados através de um vírus que tinha como intenção “aperfeiçoar” a humanidade. Claro que tudo saiu errado ou não teríamos história. O vírus foi utilizado em cobaias humanas, doze homens condenados à morte, que se tornaram nada mais do que monstros aparentemente sem alma. A personagem central do livro, no entanto, é Amy, uma garotinha de 6 anos que também foi submetida à experiência; nela, o vírus age de maneira diferenciada: ela é como um catalizador de todas essas almas perdidas que foram infectadas. Uma personagem muito interessante, mas que não cativa, infelizmente.

Há, no entanto, vários outros personagens interessantes. O livro é dividido em partes e mostra desde o início da experiência até muitos anos após o “apocalipse”, centrando-se na história de uma colônia criada na Califórnia, onde as pessoas desenvolveram seu próprio estilo de vida no meio do caos. Os vampiros aqui são sensíveis à luz (ponto para eles!) e nessa colônia, todas as noites, luzes são acesas para impedir uma invasão. Os problemas começam quando as baterias estão a ponto de falhar e a luz está com seus dias contados. E, como em toda história sobre apocalipse, algumas vezes percebemos que o maior problema não são os seres que estão destruindo o mundo, mas sim o que as pessoas são capazes de fazer em uma situação extrema.

A história é bem interessante, porém, longa demais. Esse é um livro muito, muito grande, com muitas descrições (apesar de muita ação também) e em alguns momentos ele se torna cansativo. Não estou dizendo que o livro é ruim, muito longe disso, o livro é bom. Porém, tive uma sensação que não foi muito boa: eu queria acabar logo e não porque estivesse louca para saber o final da história, mas mais porque queria acabar, ler outra coisa, viajar em outros mundos. Cansativo é a palavra correta. Em alguns momentos, o livro é cansativo e você quer terminá-lo (e ele parece que nunca chega ao fim). Mas quando finalmente chegou, o final foi bom; satisfatório e coerente, com um bom gancho para o próximo livro, cujo título será Os Doze. Quero sim ler a continuação, mas confesso que não vou sair correndo para comprá-la. E espero que esse livro seja mais focado nos virais – como são chamados os vampiros. As partes deles, seus conflitos e pensamentos, são as melhores.

Também tenho que citar uma ótima citação; em algum momento do livro que não posso revelar, Drácula, de Bram Stoker, é citado. E nesse momento o leitor abre um grande sorriso com essa bela ironia. Boa sacada!

Recomendo para os apreciadores de um bom thriller de ação e suspense. Mas já vou avisando para prepararem a paciência: essa é uma longa, longa história.

Ficha Técnica

Título: A Passagem

Autor: Justin Cronin

Editora: Sextante

Páginas: 816

Onde comprar: Livraria Cultura

Avaliação: 

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  • Nivia Fernandes disse:

    Nossa, me interessei muito! Guerra! Vampiros sem alma!
    Mas se você está dizendo que o livro é longo demais e você percebe o tempo passando nas mais de 800 páginas… Já desanima um pouco sair correndo atrás dele desesperadamente. Se o vir, darei uma chance se estiver bem calma quanto a esse tipo de demora.
    O pessoal agora costuma associar vírus a zumbis, por isso a confusão.
    A Amy é um catalisador… eu não vou perguntar, porque me parece spoiler, mas me deixou curiosa porque entendi que ela fica com a alma do pessoal, e não sei se estou certa. rs Mais fácil ler depois!
    Ótima resenha, e sincera!

  • Karen disse:

    Então, Nik, o livro é bom e vale a pena, mas como você disse, não corra desesperadamente para ler, porque é algo para ler com calma e ele não dá um sentimento de urgência no leitor para virar as páginas. E ainda tem o fato de que a continuação nem tem previsão aqui no Brasil pela Sextante (espero que eles não abandonem a série ¬¬’).
    Eu detesto quando o povo confunde essas coisas. Vampiros e zumbis são coisas muito diferentes. Argh!

  • Camila Leite disse:

    Preciso confessar, nunca imaginei que esse livro era sobre Vampiros.
    Quando me interessei por ele, achei que ele seguia o ritmo de A Cabana, pelo visto estava redondamente enganada. Assim que tiver uma folguinha vou correr pra livraria pra garantir o meu!
    Beijos
    Camila Leite

    @sonhospontinhos
    http://sonhosentrepontinhos.com

  • Karen disse:

    Nossa, Camila, esse livro passa LONGE de A Cabana. A única coisa igual é a editora.
    Recomendo a leitura, porém, como eu disse, tenha paciência: é um livro e uma história realmente longos…

  • Carolina disse:

    Boa noite Karen, tudo bem?
    Ainda não li esse livro, ele simplesmente não despertou o meu interesse… e devo concordar com a Camila, quando vi a capa, logo pensei no livro A cabana rs
    Parabéns pela resenha!
    beijos

  • Karen disse:

    Hum, acho que a semelhança das capas se deve a ser da mesma editora. Agora fiquei analisando e são parecidas mesmo. Mas o conteúdo é completamente diferente.
    Obrigada!
    Beijos

  • Vania disse:

    Eu também pensei em A Cabana hahaha oh dear! Não sei se é muito o meu estilo, mas me interessei hein. Adoro essas coisas de conspirações governamentais, experiências biológicas que dão errado. Ah Firefly…

  • A Cuca Recomenda: Diário de um magro « Por Essas Páginas disse:

    […] de ler algo longo e/ou pesado, eu gosto de ler um livro leve, depretensioso, geralmente um livro de humor ou de crônicas – […]

  • Top Ten Tuesday: Dez livros para quem gosta de Lost « Por Essas Páginas disse:

    […] A Passagem conta a história de sobreviventes após uma catástrofe mundial. O planeta foi invadido por vampiros que matam e contaminam os humanos, transformando-os em criaturas como eles. É meio como um apocalipse zumbi, mas de vampiros. E nós acompanhamos a história desses sobreviventes que vivem atrás dos muros de uma comunidade, isolados. Sobreviventes? Isolados? É bem Lost. Ainda preciso ler a continuação desse livro. Resenha aqui. […]

  • NDC no Por Essas Páginas: Cidade dos Espelhos « Por Essas Páginas disse:

    […] em A Passagem crescemos junto aos novos fatos e somos situados dentro do universo da narrativa e em Os Doze […]

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