Resenha: A Rainha Aprisionada

Ficha técnica:

Nome: A Rainha Aprisionada

Autor: Kristen Ciccarelli

Tradutor: Eric Novello

Páginas: 376

Editora: Seguinte

No segundo volume da trilogia Iskari, uma nova heroína entra em cena para lutar pela liberdade de seu povo ― e de sua irmã ― em meio a um conflito que apenas começou. Firgaard foi governada durante décadas por um rei tirano e manipulador, capaz de condenar povos inteiros apenas para aumentar seu poder.

Depois de uma grande batalha, Asha, sua filha, conseguiu derrotá-lo. E, assim, Dax, o primogênito, assumiu o poder ao lado de Roa, sua esposa. Roa é uma forasteira vinda das savanas ― um território sob o domínio de Firgaard, que há anos é oprimido e está prestes a entrar em colapso.

O maior desejo da nova rainha, mesmo sabendo que não é bem-vinda em seu novo lar, é mudar a vida de seu povo. O que ela não esperava era encontrar uma chance de alterar o curso do destino e trazer de volta à vida sua irmã gêmea, Essie, morta quando criança em um terrível acidente. O único obstáculo? O novo rei.

Esta resenha (e a sinopse) contêm alguns spoilers do livro anterior, necessários para entendimento da trama, porém não atrapalham a leitura.

Olá! Como passaram o Ano Novo? Espero que tudo bem! Tivemos aqui uma parada para as festas, mas estamos de volta! Deixa eu contar o que eu achei dessa história.

Sabe quando você lê um primeiro livro e meio que desanima? Pois é, eu curti muito o final de A Caçadora de Dragões, mas algumas partes do livro foram um pouco cansativas. Acho que a protagonista não ajudou muito, porque Asha, embora forte, tinha muita insegurança sobre quem ela mesma era. Mas o final foi bastante satisfatório, e quando li a sinopse desse segundo livro, me animei um pouco mais.

No geral, a história realmente não me decepcionou. Quando eu começo uma história e não consigo gostar de cara dos protagonistas, eu tento sempre me colocar no lugar deles, para tentar entender o que estão passando ou sentindo. Às vezes é bem sucedido, outras vezes…

Roa e Dax se conhecem desde crianças, mas Roa tem um forte ressentimento em relação a ele, por considerá-lo responsável pela morte de sua irmã gêmea, Essie. Porém, quando viu a oportunidade de ajudar seu povo a se ver livre da opressão de Fingaard, ela decidiu fazer uma aliança com Dax e lhe propôs casamento, que logo foi aceito. Assim, os dois se tornam rei e rainha, porém ela não é vista com bons olhos pelos nobres e uma parte do povo de Fingaard, por ser estrangeira.

Além disso tudo, temos uma parte mais voltada a lendas, em relação à irmã de Roa. Essie não faz a passagem para o mundo dos mortos, seu espírito agora habita o corpo de um falcão e Roa descobre que existe uma maneira de trazê-la de volta. O único problema é que isso custaria a vida de Dax.

Então temos aqui um conflito de interesses: Se Roa assassinasse Dax, ela perderia qualquer chance de ajudar seu povo a sair da miséria, mas teria sua irmã de volta. Se perdesse sua irmã, ela poderia beneficiar muitas pessoas e ajudaria a escrever uma nova história.

A parte mais complicada é que… Roa focou muito em seu sofrimento, no sofrimento do seu povo, em sua mágoa por Dax parecer um rei irresponsável… Os dois não tinham sintonia – e sei que a autora fez isso propositalmente, mas tinha uma hora que cansava.

Dax, que tem muito mais do que um rosto bonito e o charme que só um príncipe pode demonstrar, não tinha certeza se poderia confiar em Roa. Afinal, ele sabia que ela se casou apenas em benefício de seu povo, não por amor. Sabia de seu ressentimento pela morte da irmã e, pior, sabia que ela tinha um envolvimento com Theo, um jovem de outra tribo que era prometido de Roa antes do casamento. Assim, os dois seguiam por caminhos diferentes, e só lá no final é que as cartas são postas à mesa.

Interessante notar que a história não é simplesmente sobre romance ou jogo político. Fala de família, companheirismo e a dor do luto, a dor que deve ser sentida e que se transforma com o tempo em ferida cicatrizada. Mas Roa nunca deixou que essa ferida cicatrizasse e agora estava arriscando muito alto para ter sua irmã de volta.

A narrativa é em terceira pessoa, do ponto de vista de Roa. Por isso podemos sentir mais empatia por ela, mas isso não quer dizer que concordamos com todas as suas atitudes. Muitas vezes queremos mesmo é esganar o pescoço dela, porque em vez de ela tirar a história a limpo sobre o comportamento de Dax, ela tira suas próprias conclusões com “achismos”.

A edição da Seguinte continua muito caprichada, achei a capa bem bacana e só senti falta mesmo é dos dragões, que são coadjuvantes nessa história.

Como eu disse, recomendo essa história, mas devem ler primeiro A Caçadora de Dragões!

Este livro foi gentilmente cedido para resenha pela Companhia das Letras

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  • Melissa disse:

    O título do livro parece ser bem melhor que a história, não li esse e nem o outro, mas já de cara não consigo gostar deles. Mas mesmo assim, quem sabe eu numa outra fase da minha vida leia. Não parece ser tão ruim.

  • Alessandra disse:

    Eu gosto quando a leitura não fica baseada apenas no romance. Gosto também quando os autores buscam outras linhas levando os leitores a refletir em uma história, ainda que seja política não importa o importante é que possamos aprender com leitura.

  • Ivi Campos disse:

    Sem dúvida onteor político da trama é o que me ganharia nessa leitura, mas claro que se tiver romance, mesmo não sendo o foco na narrativa, me permito suspirar também.
    Beijos

  • Rayanni Kellsin disse:

    Olá, tudo bem?
    Gostei muito da sua resenha, confesso que não conhecia a obra mas já estou indo atrás para adquirir pois gostei muito das suas considerações!
    Um beijo.

  • Dayhara Ribeiro Martins disse:

    Eu acho incrível como a editora Seguinte sempre faz capas incríveis, cê fica encantada só de olhar, né? A obra distoa um pouquinho do que sou habituada a ler mas quero me abrir para coisas novas esse ano e quem sabe esse não seja o momento certo.

  • Thayza Fonseca disse:

    Olá!

    Diferente de você eu amo a Asha e Caçadora de Dragões salvou a temática para mim e por isso, eu fiquei desanimada para ler a continuação já que era com a Roa como protagonista. Lendo sua resenha eu acredito que vá passar raiva, mas reacendeu minha vontade de dar continuidade na série. Obrigada pela dica.

    Beijos

  • Vento Literário disse:

    Vejo que esse livro foca em muitos elementos interessantes e não somente no romance e no jogo político. Isso é bom e eu já fiquei de olho nessa obra depois disso. Enfim, não se preocupe com o spoiler que pra mim ficou na medida. Boa escrita.

    Beijos

  • Leitura Enigmática disse:

    Uma obra que me atraiu bem com a premissa que possui, confesso que fiquei bem curioso para saber dessa trama na íntegra. Anotada a dica.

  • PS Amo Leitura disse:

    Confesso que li sua resenha rapidinho para não pegar spoiler 🙁 estou com o primeiro livro e pretendo ler em breve, mas já gostei de saber que a narrativa é em terceira pessoa e que você sentiu mais empatia pela personagem. Estou curiosa para entender melhor esse contexto.

    Beijos

  • Antonia Isadora de Araújo Rodrigues disse:

    Olá Lucy!!!
    Juro que vendo essa capa eu não daria nada, talvez com os dragões que faltou talvez chamasse mais minha atenção.
    Gostei que por mais que tenha romance e o lado da política o livro não fica na mesmice e que traz outros temas que são importantes.

    lereliterario.blogspot.com

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