Resenha: A Redoma

Olá, pessoal, meu nome é Felipe e sou um aficcionado por leitura assim como vocês. Talvez você já tenha me visto por aí na coluna Em Outras Palavras, nas resenhas de Rurouni KenshinPrism, Morgan, o únicoÀ procura da felicidade, 47 Ronins, Manual Prático do ÓdioPaperboy. Espero poder passar para vocês tanto um ponto de vista único, quanto livros especiais para que todos possamos aprender algo juntos. Afinal quem disse que ficção não ensina?

“Gerações após o colapso da Terra, a humanidade vaga pelo espaço em busca de um novo lar. E, quando finalmente encontra o planeta Vetter, se depara com uma população inteligente, passando a enfrentar o dilema decorrente de sua pretensa superioridade: seria legítimo dizimar a população do planeta encontrado em nome da preservação da própria espécie? Em um cenário inóspito, guerras e conflitos interpessoais se descortinam do ponto de vista da equipe responsável pela exploração do lado escuro de Vetter, e também da perspectiva de 7814, um vetteriano desajustado, exilado pouco antes da invasão. Dinâmico e envolvente, A Redoma contrapõe o instinto de preservação às inquietações morais que afligem o espírito humano e nos apresenta uma tentativa de quebra da “redoma” que construímos em torno de nós mesmos e que, em muitos momentos, nos impede de enxergar o outro. ” (Fonte: Skoob)

Procurando retomar contato com minhas raízes nerds, puxei A Redoma da estante por se tratar de ficção científica (yes!), brasileira (yes! x2) e daquelas bem viajantes (yes! x3), para rachar o cérebro mesmo.

Em A Redoma a humanidade é forçada a vagar pelo espaço à procura de um novo planeta para habitar devido a uma catástrofe/guerra/evento apocalíptico indeterminado. Após anos de procura, “acidentalmente” nos deparamos com o planeta Vetter e partimos para colonização. E todo mundo já sabe como funciona a colonização humana não é? Boa coisa não vai sair disso.

Com uma narração puxada para documentário (pense History Channel), nos primeiros capítulos conhecemos os vetterianos, mais especificamente 7814, um vetteriano inconformado com sua raça, um pária que não quer fazer parte da mente coletiva e onisciente dos vetterianos telepatas e decide criar um instrumento capaz de bloquear sua mente dos demais, quebrando várias regras de sua sociedade o que culmina em seu banimento da mesma, evento que terminará por ser sua salvação.

Achei esses capítulos muito interessantes por serem recheados de detalhes muitos saborosos, como a biologia dos vetterianos, arquitetura e sociedade, sua tecnologia e cultura. São capítulos bem detalhistas, mas receio que eles possam desanimar leitores casuais do gênero, e desanimar logo nos primeiros capítulos tende a ser fatal.

Após a apresentação dos nativos, temos a narração do ponto de  vista humano, que permeará boa parte do livro. Fato interessante de A Redoma é que ela possui vários personagens principais, porém sem se perder e sem nenhum tirar o brilho do outro. Ponto positivo para o autor nesse quesito.

A “Redoma” em si é uma criação dos vetterianos que é utilizada para amplificar a iluminação de sua cidade. Como os vetterianos são serem seres que evoluíram de plantas, logo, precisam de luz para sobreviver e sua cidade se encontra no único ponto luminoso do planeta. E adivinha quem vai querer colonizar esse ponto?

“Não há mais nada. O que há é a guerra. A paz acabou no maldito dia em que encontramos este planeta.”

A devida colonização da humanidade é um show a parte, intrigas, segredos e conflitos como só nós sabemos fazer.

Mas nem só de guerras se vive: Vitoria, uma das personagens mais bem construídas do livro, é a única que se preocupa em se comunicar com os vetterianos e faz todo o possível para esse fim. Temos momentos de solidariedade e sacríficio com Korgan, um bruto sem instrução, um simples motorista que mostra que não é preciso ser muito para fazer a diferença.

E é através desses pontos que chegamos no que acredito ser uma das mais profundas (dentre outras questões levantadas no livro): a humanidade merece se perpetuar?

E falando em questionamentos, posso dizer que este é um livro bem “cabeça”. Temos capítulo após capítulo de questionamentos interessantíssimos, é um livro excelente para quem gosta de discutir uma obra. Isso torna a releitura muito prazerosa. Fica a dica para professores levantarem discussões elevadíssimas em suas salas de aula.

Alguns pecados que o autor cometeu, além das descrições excessivas, seriam a falta de narrativa dos vetterianos. Entendo que , com o desenrolar dos acontecimentos, a mente coletiva que nos é apresentada no início do livro não apareça mais, mas senti falta da narração do 7814. Temos também o uso desnecessário de termos em inglês – poderia muito bem ter usado o termo apropriado em português. Há uma pequena repetição de cenas da colonização humana que, apesar de estar alguns capítulos à parte, me provocou uma sensação de déjà vu desgradável, mas isso fica como culpa do editor e não do autor. No entanto, devo confessar que perdooei essa repetição devido ao final surpreendente do livro – extremamente emocionante e revelador, o autor não deixa nenhum ponto sem nó.

Outro ponto que é fantástico do livro e poderia ter em maior quantidade são as cenas de violência, as quais são surpreendentes, muito bem escritas e detalhadas. Mas, talvez, essa minha opinião entregue um pouco a nossa raça, sempre querendo ver mais violência.

Prepare-se: A Redoma vai estilhaçar todas as suas percepções da humanidade.

Livro gentilmente cedido para leitura e resenha pela Editora Novo Século.

Ficha Técnica

Título: A Redoma
Autor: Felipe Benichio
Editora: Novo Século
Páginas: 376
Onde comprar: Site da editora
Avaliação:

Essa postagem está participando do Top Comentarista de Julho. Por favor, preencha o formulário abaixo após postar seu comentário. Basta clicar na imagem para abri-lo em nova página!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Compartilhe:
  • 20
  •  
  •  
  •  
  •  


  • Cris Aragão disse:

    Eu tenho esse livro na estante, confesso que comprei em parte por ser de uma autor nacional e em grande parte por estar baratíssimo, então é uma boa surpresa saber que é realmente interessante e original.

  • Fabiana Strehlow disse:

    Oi, Felipe!
    Este livro deve ser interessante e chocante ao mesmo tempo!
    No entanto, eu não curto violência, mesmo que na ficção.
    Mas, me chamou atenção o questionamento abordado: a humanidade merece se perpetuar?

  • Felipe disse:

    Cris: vale a pena dar uma chance sim, foi uma excelente surpresa e uma boa ‘viagem’ intergalática
    Fabiana: não se preocupe com a violência no livro, o autor se utiliza muito pouco dela e mesmo assim mostra de forma bem negativa e deplorável. E esse é só um de muitos questionamentos… fica a dica pra uma futura discussão em um fórum do PEP.

  • Douglas Fernandes disse:

    Já me agradei com o livro de cara, e agora lendo a resenha me deu muita vontade de ler, adoro esse tipo de história pós apocaliptica, acho muito interessante, ja vai pra minha listinha.. *-*

  • Vinicius Oliveira disse:

    Quando eu li “A Redoma” pensei logo na série Under The Dome, mas percebi que não tem nada a ver e.e Não sou muito fã de livros nacionais, não, mas se o livro for realmente bom não importa se é nacional ou internacional. Apesar de ser uma história pós-apocalíptica, que aliás eu adoro, não me conquistou muito, pela resenha. Mas só poderei dizer com precisão depois que ler.

  • Michele Lopez disse:

    Nossa esse livro parece ser ótimo e eu não sabia que era nacional!
    Amei a capa do livro, o que já me faria querer lê-lo.
    Gostei bastante da resenha e tenho certeza que vou adorar esse livro. Sou apaixonada por ficção e ele parece ser muito envolvente.

  • Luciana disse:

    Eu mesma nunca tinha lido nada de ficção científica. Confesso que tenho certo preconceito com livros desse tipo (e ainda mais brasileiros), mas achei esse daí fantástico! Muito bem escrito.

PREENCHA OS CAMPOS ABAIXO PARA DEIXAR SEU COMENTÁRIO




Mensagem