Resenha: Achados e Perdidos

Stephen King não para de escrever – e isso é ótimo. Seus livros mais recentes fazem parte da Trilogia Bill Hodges (sim, King tem um detetive agora!), que aliás ele já finalizou e o último livro lançou esse mês pela Suma de Letras (alguém me diz como o King consegue escrever tanto, gente! Espera, eu já sei, porque li Sobre a escritamas que ele é uma máquina, isso ele é!). Como estou um pouco atrasada nas leituras, só recentemente terminei de ler o segundo livro, Achados e Perdidos, e é dele que quero falar aqui. Com uma narrativa ágil, personagens incrivelmente reais e uma trama de tirar o fôlego, Stephen King conseguiu de novo escrever uma obra-prima, consagrando de vez sua série policial, que começou com Mr. Mercedes (resenha aqui).

Aviso: essa resenha pode ter alguns spoilers de Mr. Mercedes, primeiro livro da série.

achadosperdidos““— Acorde, gênio.”

Assim King começa a história de Morris Bellamy. O gênio é John Rothstein, um autor consagrado que há muito abandonou o mundo literário. Bellamy é seu maior fã e seu maior crítico. Inconformado com o fim que o autor deu a seu personagem favorito, ele invade a casa de Rothstein e rouba os cadernos com produções inéditas do escritor, antes de matá-lo. Morris esconde os cadernos pouco antes de ser preso por outro crime. Décadas depois, é Peter Saubers, um garoto de treze anos, quem encontra o tesouro enterrado. Quando Morris é solto da prisão, depois de trinta e cinco anos, toda a família Saubers fica em perigo. Cabe ao ex-detetive Bill Hodges e a seus ajudantes, Holly e Jerome, protegê-los de um assassino agora ainda mais perigoso e vingativo.” Fonte

Gosto muito de quando King trabalha o tema da escrita, desde quando usa faz referência aos próprios livros (o que ele faz muito com sua série épica de fantasia, A Torre Negra) até quando cria personagens escritores. Em Achados e Perdidos, toda a trama gira em torno dos manuscritos secretos de um escritor recluso, que logo no início do livro são roubados por um fã que logo depois assassina seu escritor favorito (lembrou um pouco Misery, certo? Falei que King arrasa quando fala desse tema!). O problema todo é que, depois disso, Morris Bellamy vai preso por outro crime, e vários anos se passam. Só que um garoto, Peter Saubers, encontra esses cadernos com os escritos e um montão de dinheiro, e aí, meus amigos, que a coisa começa a se complicar ainda mais.

achadosperdidos1

O nosso velho conhecido, o detetive aposentado Bill Hodges só aparece no segundo ato da história, mas não tem problema, porque o primeiro ato já é bastante empolgante por si só. Ele criou uma agência junto com Holly, “Achados e Perdidos”, e está mais magro, saudável e se dando muito bem, obrigado, apesar de uma pequena obsessão “inocente” por um certo criminoso que agora vive como um vegetal. Outros personagens do primeiro livro reaparecem de maneira brilhante, e é ótimo vê-los de volta e como a história se amarra com perfeição. Em Achados e Perdidos, King conseguiu criar uma novo caso interessante, com novos personagens que têm brilho próprio e que envolvem o leitor em suas vidas, e ainda por cima conecta essa nova história com uma habilidade incrível com a trama que já conhecemos em Mr. Mercedes.

Impossível não se identificar com o poder da literatura nessa história. Todo leitor vai se ver espelhado nesses dois personagens que tiveram suas vidas alteradas para sempre por causa de um livro. Quem nunca passou por isso? Eu sei que já, e já ouvi muita gente dizer como um livro mudou sua vida. É emocionante e, ao mesmo tempo, assustador.

“Essas lágrimas, percebe Peter mesmo agora, principalmente agora, porque a vida deles está na balança, marcam o poder do faz de conta.” Página 322

A edição é caprichada e bem revisada, com a capa simples mas poderosa inspirada na versão americana, diagramação confortável e o padrão Suma de Letras de sempre. Um livro que vale a pena ter na estante.

Sabem a síndrome do segundo livro? Bem, posso dizer com alegria que King passou bem longe dela e criou um livro fantástico, com personalidade própria, sem se afastar demais do tema em comum na trilogia. Não é apenas um livro de transição, que cumpre seu papel em nos preparar para o fim da trilogia, mas sim uma obra brilhante, com uma trama inteligente, personagens cativantes e cenas capazes de deixá-lo na ponta da cadeira. Ao mesmo tempo que é um livro fácil de devorar, também é daqueles que você fica com pena por estar acabando e quer saborear, página por página. E, no final, resta apenas aquela vontade insaciável de colocar as mãos na finalização da trilogia, O Último Turno, e saber como tudo isso acaba. Sei que eu estou salivando por aqui!

Livro gentilmente cedido para resenha pela Suma de Letras, selo do Grupo Companhia das Letras.

Ficha Técnica

Título: Achados e Perdidos
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 352
Onde comprar: Livraria Cultura / Amazon / Saraiva / Livraria da Folha / Livraria da Travessa / Submarino / Shoptime
Avaliação: 

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  • Milena Soares disse:

    Estou doida pra ler essa trilogia, curto muito Stephen King, parece ser bem eletrizante e cada resenha que leio dos livros me deixa ainda mais ansiosa em conferi essa história.

  • Aline Santos disse:

    Sou fã de King, ele sempre arrasa em suas escritas…Doida pra ler!
    Bjs

  • Fabiana disse:

    Bah que livro eletrizante, a resenha não deixa duvida de ser um daqueles suspenses tensos. Li comente Carrie, embora tenha achado uma escrita complicada, pois mudam os tempo da historia sem muito aviso (ahahahahah), não quero mais parar de ler King.

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