Resenha: After

Durante um tempo teve tanto bafafá sobre esse livro, porque foi um sucesso de leitura no wattpad e etc e tal, que quando a Cia das Letras disponibilizou para resenha eu decidi me arriscar.

Pois é, eu acabei demorando para ler e demorando para postar a resenha e agora vocês vão saber o motivo. E segurem-se, porque são poucas as ocasiões em que eu realmente joguei o livro na parede.

AFTERSinopse: Depois de bater a marca de um bilhão de acessos na plataforma de leitura Wattpad ao transformar os integrantes da banda One Direction em personagens de uma história de amor sexy, a série After vira livro e promete ser o novo fenômeno editorial.
No primeiro livro, Tessa, de 18 anos, sai de casa, onde mora com a mãe, para ir para a faculdade. Até então sua vida se resumia a estudar e ir ao cinema com o namorado doce que conheceu ainda criança. No primeiro dia na faculdade, onde ela passa a dividir um quarto com uma amiga que adora festas, Tessa conhece Hardin, um jovem rude, tatuado e com piercings que implica com seu jeito de garota certinha. Logo, no entanto, os dois se envolvem e Tessa, que era virgem, vê sua sexualidade aflorar. Hardin é inspirado em Harry Styles, um dos membros do One Direction. Os outros quatro músicos da banda Zayn, Niall, Louis e Liam também viraram personagens na trama.
Tessa logo descobre que Hardin possui um passado cheio de fantasmas e os dois começam um relacionamento intenso e turbulento. Depois dele, ela nunca mais será a mesma. Os livros nasceram como uma fanfic do One Direction, a banda estrangeira mais popular na atualidade. Fonte

Observação: Se você leu e gostou do livro, talvez não goste da minha resenha. Mas opinião é isso, leve em consideração.

Eu não vou comentar muito da história, só que a autora usou e abusou de estereótipos. Começando pelos protagonistas, temos Tessa, a Mary Sue moça certinha que usa roupas conservadores, vive para estudar e cronometra os tempos de estudos, namora um cara insosso e é VIRGEM (é claro) e ela só não é mais estereotipada porque não é religiosa (pelo menos não consta que ela seja). Já Hardin é a visão de tudo o que representa ser um “típico” bad boy: tatuado, sarado, com piercing, brigão³, super atraente³, comedor³³³, que não gosta de ninguém, não fala com o pai… Acho que a única exceção é que ele evita bebidas, mas quando bebe também é um problema.

Por falar em abuso, a autora também usou e abusou de clichês: Pensem em uma relação que já começa com um brigando com o outro. O típico “sei que você não é o cara/a garota pra mim, mas eu te quero mesmo assim” que vemos por aí, ou o chamado “te odeio, mas te amo”. Eu já falei para vocês que não ligo para clichês, desde que bem usados, e esse aqui não me convenceu. Eu achei tudo bem forçado, desde os personagens – inclusive, todos os novos amigos da Tessa são “descolados” demais para ela (ou má companhia, de acordo com sua mãe) – até as situações.

As situações mais forçadas são as brigas e reconciliações repetidas. Tessa conversa com Hardin, os dois parecem se entender, então por um motivo banal os dois começam a brigar, Hardin a ofende até a alma e ela sai chorando, para depois ele correr atrás dela, pedindo desculpas e ela aceitando. De novo, e de novo, e de novo. Dignidade e amor próprio para quê? Claro, depois que Tessa se entrega a Hardin, após as desculpas, temos o sexo.

Tessa é uma personagem que não convence: No começo tem um namorado insosso, mas logo se sente atraída por Hardin. Imatura, morre de ciúmes de Hardin com qualquer garota, como se pudesse apagar toda a história sexual dele com as outras meninas antes de ela aparecer. Mesmo assim, ela o ama e o coloca acima até da própria mãe (ela acabou de conhecer Hardin e ele é mais importante que a mãe dela. Oi?). Outra coisa, esqueçam todas as mocinhas choronas que vocês viram por aí: Tessa ganha de lavada. Confesso que eu me admirei quando vi que em algumas páginas ela não ficava com os olhos marejados.

Hardin é um jovem imaturo para viver um relacionamento de verdade, tem toda uma raiva acumulada de algo que aconteceu no passado e não sabe bem para onde direcionar. Inconsequente, fala sem pensar e acha que só desculpas e jogos sexuais são suficientes para apagar toda a burrada que faz. Sim, ele guiou Tessa em sua jornada para “aflorar sua sexualidade”, mas no final ele se mostrou apenas mais um escroto, um dos piores que já vi. Ah, verdade: ele acha que por ter essa raiva reprimida, todas as burradas são justificáveis e que no final o amor poderá redimir tudo… Só que não, Hardin…

Enfim, o livro não trata de um relacionamento “normal” ou saudável, mas sim de um relacionamento destrutivo e emocionalmente abusivo (Hardin sempre diz alguma coisa que acaba com Tessa), voltado mais para sexo do que para “amor”. Aliás, como a palavra “amor” foi usada aqui… E de forma muito superficial, na minha opinião. Eu sei que são jovens entre 18 e 20 anos com hormônios a toda, mas o livro tinha mais tesão do que amor e o Hardin não convence como jovem apaixonado – obcecado sim, apaixonado não.

Eu confesso que só terminei de ler o livro porque sou teimosa e não largo um livro no meio do caminho, mesmo que eu tenha que fazer pausas na leitura (cada pausa, uma tacada na parede), mas foi difícil. O que era para ser uma leitura viciante, acabou se tornando… tediosa, não saía da receita: briga – desculpas esfarrapadas – sexo. Por falar em sexo, admito que a autora se esmerou nesse quesito (sendo um livro erótico, está explicado): soube descrever bem o início da vida sexual de uma jovem, suas inseguranças, seus desejos. Mas a vida não é só sexo e o livro peca em todos os outros quesitos: história, personagens, foco. Muitas páginas preenchidas com brigas e reconciliações sem acrescentar nada.

A narrativa é simples, dá para notar que é um livro de estreia (alguém me corrija se eu estiver errada, por favor); repito que a autora poderia ter reduzido alguns acontecimentos mais supérfluos (e outras brigas também). O final tem um cliffhanger para o próximo livro – e confesso que só ali realmente me deu uma pontinha de curiosidade para saber o que acontecerá no próximo volume. Mas, sinceramente? Não, obrigada. (Quem for ler, me conte os spoilers depois).

Para fãs de romances mais densos, bem escritos e preparados eu não recomendo. Se você quer ter uma leitura mais despretensiosa e voltada para o sexo, siga em frente e talvez você tenha uma opinião diferente da minha no final da leitura (e boa sorte).

Esse livro foi gentilmente cedido para resenha pela editora Paralela.

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Ficha técnica:

Nome: After
Autor: Anna Todd
Páginas: 524
Editora: Paralela
Onde comprar: Livraria Cultura / Amazon
Minha avaliação:

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  • Mari disse:

    Hahaha, basicamente minha relação com Paixão Sem Limites, então???

  • Lucy disse:

    Com certeza, Mari!
    Eu ainda gostei de Paixão sem Limites porque a mocinha no começo não era uma mosca morta! Só continuei a série porque queria saber mais de um personagem secundário e acaba que ele vai ganhar uma história só dele. kkkk
    Bjos!

  • Daniella Alves Vale disse:

    Muito boa a sua resenha, tão boa que me fez remover esse livro da minha estante de próximas leituras.

  • Lucy disse:

    Daniela, sinceramente, com tanto livro bom e tão pouco tempo… Pra que sofrer, né?
    Bjos!

  • Douglas Fernandes disse:

    Nossa.. me desanimou total agora… primeiro que eu já não sou fã desses livros eróticos, não vejo graça… outra que acredito que pra conquistar alguem como eu (que nao curte livros assim) teria que ter algo pra chamar a atenção e nesse parece que não tem… ainda tenho que dar uma chance pra livros desse gênero.. pq só li 1 e achei bem ruim…

  • Lucy disse:

    Douglas, acho que se você lesse, você também jogaria na parede. Se for tentar ler algo do gênero para tirar qualquer preconceito literário, fuja desse livro.
    Bjos!

  • raquel disse:

    odeio esse livro e os personagens principais são nojento, nunca tive tanta raiva lendo um livro, da vontade de queimar .

  • Lucy disse:

    Oi, Raquel! Olha, acho que todos os personagens são nojentos. Até a colega de quarto da Tessa que podia ter ajudado de algum modo, me decepcionou. Grande amiga, viu? só que não.
    Bjos!

  • Gustavo disse:

    Sinceramente eu já passaria longe desse livro só pelo fato de ter sido fanfic da banda one direction, nada contra a banda, só que eu não gosto dela… Mas realmente tava me dando um pouco de curiosidade porque estavam falando muito do livro, realmente. Adorei a resenha, não poupou só porque é livro de parceria, amei a sinceridade, e minha vontade já pequena de ler o livro, sumiu totalmente. Parece chato e odeio personagens Mary Sue, odeio mesmo. Muito obrigado por me avisar para passar longe desse livro kkk

  • Lucy disse:

    Oi, Gustavo! Sinceramente, eu pouco conheço a banda e acho que a autora criou personagens muito nada a ver, só para dizer que é da banda. O sucesso se deve ao grande número de fãs, mas de boa… Não colou, achei de muito mal gosto. Passe longe mesmo.
    Bjos

  • Netto Baggins disse:

    Não tinha ouvido falar desse livro, e mesmo que houvesse, não me interessaria. E depois dessa resenha PERFEITA, aí é que vou passar longe mesmo! Parabénss Lucy, é muito difícil terminar de ler um livro que você está detestando, eu não teria a mesma determinação que você.

  • Lucy disse:

    Oi, Netto! Obrigada!
    Olha, foi difícil. Nos últimos capítulos é que a coisa pegou fogo, mas até aí já estava de saco cheio.
    Bjos!

  • Cristiane Dornelas disse:

    Até pensei em ler mas no fim das contas acho que é uma daquelas tramas cheias de clichês, choros demais, mimimi e que não fazem diferença alguma se você ou não. Estou sentindo isso pelas resenhas que vejo, falem bem ou não. Esse tipo de livro eu não estou no clima pra ler no momento. Sorte pra autora, mas não sou um dos que vai ler pelo jeito, a curiosidade não é tanta assim…

  • Lucy disse:

    Oi, Cristiane! Você resumiu tudo perfeitamente! Então entre ler e não ler, ganha mais se você não ler mesmo.
    Bjos

  • Brenda Carolina disse:

    Eu tinha lido algumas resenhas falando bem, fiquei até com vontade de ler, mas depois da sua resenha nem irei gastar meu tempo.
    Principalmente por ser super clichê.
    Ótima resenha!
    Beijos

  • Lucy disse:

    Oi, Brenda!
    O fator clichê não me incomoda tanto em livros, mas depende muito de como ele é usado. E aqui… Nossa, aqui foi muito forçado. Não me cativou nem um pouco.
    Obrigada!
    Bjos

  • TTT: Dez coisas que gosto e não gosto quando se trata de romance em livros « Por Essas Páginas disse:

    […] errada torna tudo muito artificial e forçado e um livro digno de ser jogado na parede (fiz isso recentemente). Um exemplo básico: Casamentos de conveniência. Em Procura-se um Marido, a autora fez uma […]

  • JulianaDebarbara disse:

    NOSSA! Tudo isso meeesmo! Mas me torturei mais porque li até o final pelo wattpadd! Essa historia me intoxicava, ficava mal com tantas brigas, me envolvo demais com os personagens. Li até o fim porque não consigo deixar uma historia pela metade, maaas, Tessa e Hardin continuam os mesmos até o final e eu fico tipo: sério? Livro maaais aguniante que eu já li na vida! Queria desler! kkkkk ;*

  • Juliana Mattos disse:

    Gente, eu tava considerando ler esse livro, somente porque a escritora virá para a bienal, mas acho que acabo de desistir ahhahahaha =P ;*

  • Patricia Loupee disse:

    Não aguento mais essas fanfics transformadas em livro…

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    […] After, Anna Todd (leia a resenha) […]

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  • Victoria disse:

    Lucy, eu amo resenhas e opiniões contrárias a esse livro, kkkk. Porque no exato momento que terminei de ler esse livro, a primeira coisa vi, foi pessoas enaltecendo ele, senti como se pertencesse a outro planeta. Esse livro é pura romantização de um relacionamento abusivo, e tem uma linguagem tão chula, que dá raiva de ler. E o triste é ver pessoas lendo e amando, essa história, os personagens, e principalmente Hardin. Tá pra nascer pessoa mais trouxa que Tessa Young. Ahh, e o segundo livro é tão ruim quanto o primeiro, quando li achei que Tessa só ia voltar com Hardin, lá pro final do livro (por conta do que ela descobriu no final do primeiro livro), mas não estava enganada, se não me engano, no cap20 eles já estão juntos novamente e o livro contínua com o mesmo esquema, briga-pede desculpa-sexo. Tem uma parte no segundo livro que me deixou abismada, é quando Tessa conta a Hardin que Beijou Zed, aí Hardin fala: “Não sei se consigo superar isso.”

    EU: ?????¿¿¿¿¿?????

    Nesse mesmo capítulo ele chama ela de puta. FIQUEI HORRORIZADA!

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