Resenha: Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo

A primeira coisa que pensei ao me deparar com Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo foi: que título curioso (e comprido!). Porém, eu não tinha nenhuma expectativa sobre ele, nenhuma mesmo, apesar de ter visto aqui e acolá algumas pessoas comentando superbem dele. Peguei-o para ler e… bem, eu o li em 5 horas. Sim, de uma vez só. Não, não consegui parar. Extremamente doce, sensível, criativo, com personagens incrivelmente cativantes, esse livro me conquistou. Vamos desvendar os segredos do universo junto a Ari e Dante?

“Dante sabe nadar. Ari não. Dante é articulado e confiante. Ari tem dificuldade com as palavras e duvida de si mesmo. Dante é apaixonado por poesia e arte. Ari se perde em pensamentos sobre seu irmão mais velho, que está na prisão. Um garoto como Dante, com um jeito tão único de ver o mundo, deveria ser a última pessoa capaz de romper as barreiras que Ari construiu em volta de si. Mas quando os dois se conhecem, logo surge uma forte ligação. Eles compartilham livros, pensamentos, sonhos, risadas – e começam a redefinir seus próprios mundos. Assim, descobrem que o amor e a amizade talvez sejam a chave para desvendar os segredos do Universo.” Fonte

A primeira coisa que eu tenho a dizer sobre esse livro é bem simples e algo que me fez cair de amores logo na primeira página: ele se passa nos anos 80. Talvez vocês se lembrem de um Top Ten Tuesday que fiz falando sobre coisas que eu gostaria de ver em um livro? Pois é, anos 80 estava entre eles. O melhor: o livro começa no ano de 1987, ano em que nasci. E, logo na primeira página, no segundo parágrafo (!) o autor cita uma música dessa época que eu A-DO-RO (sim, eu sou fascinada por anos 80 e mais ainda pelas suas músicas!). Aí eu apaixonei total, né? Só sei que, nas primeiras páginas (que são as que têm mais referências musicais), eu fiquei procurando as músicas no Youtube e ouvindo enquanto lia. Trilha sonora mesmo, e uma trilha deliciosa – para mim, então, superdeliciosa.

Então… vocês já perceberam que essa será uma resenha totalmente apaixonada né?

Mas, gente, o livro é realmente apaixonante. Ultra-mega-super apaixonante. Quem narra o livro pra gente é Aristóteles, ou melhor, Ari, um adolescente de 15 anos, completamente perdido na vida e em si mesmo – exatamente como você se sente nessa idade, bem, eu pelo menos me sentia totalmente desconfortável: no meu corpo, na minha mente, com os amigos, na escola, em casa… enfim. E me identifiquei por completo com Ari. O autor soube captar perfeitamente a essência que é viver e sentir nessa idade. Ari não tem muitos amigos, o que preocupa sua mãe (a relação deles é deliciosa… aliás, o livro puxa muito as relações familiares, algo que foi lindo e emocionante, vou falar mais depois); além disso, ele tem um distanciamento doloroso do pai e um irmão bem mais velho na cadeia, que ninguém sequer toca em seu nome na casa. Tudo isso faz Ari se sentir imensamente solitário e deprimido; sua narração reflete isso, sendo repleta de ironia e rabugice, mas a mistura, no entanto, é fantástica e a narração de Ari é, em grande parte, o que leva o leitor a devorar o livro.

“Fiquei pensando que poemas são como pessoas. Algumas pessoas você entende de primeira. Outras você simplesmente não entende… e nunca entenderá.” Página 40

Um dia, Ari (que não sabe nadar), vai à piscina e encontra lá um garoto de sua idade que oferece ensiná-lo a nadar. O garoto parece tão autêntico, seguro e sincero, que Ari acaba aceitando. Quando os dois conversam, descobrem o improvável: ambos são mexicanos (mas Ari sempre diz que o outro não é tanto assim) e ambos têm nomes de filósofos. É quando Ari encontra Dante. Dante é confiante, bom com as palavras, relaciona-se fácil com as pessoas e com a família, é apaixonado por arte e poesia. Ele é tudo o que Ari não é – e, talvez, gostaria de ser. Mas Dante também esconde seus segredos e suas próprias inseguranças. E, juntando esses dois personagens tão diferentes, é que temos uma bela amizade… e uma bela história.

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Como eu disse ali em cima, os relacionamentos familiares são uma delícia de ler. Extremamente emocionantes, cada um tem um pouco a ensinar pra gente. A mãe de Ari, mais aberta e amiga do filho, que troca conversas geniais com ele; a maneira como Ari, aos poucos, começa a enxergá-la não apenas como mãe, mas como uma pessoa de verdade. O pai de Ari, com seus monstros e pesadelos, o distanciamento entre os dois por serem ironicamente tão tão parecidos… A mãe de Dante, fechada e séria, que é responsável por uma das cenas que mais me arrancou lágrimas; quando uma pessoa calada e dura diz palavras tão sinceras de amor… é de chorar. O pai de Dante, com seu jeito aberto, amoroso e intelectual, tão incrível que o filho tem pavor de decepcioná-lo e perder essa amizade. Todos são fantásticos, personagens bem construídos e cativantes ao extremo, e suas relações são inspiradoras. A maneira como as famílias se aproximam por causa de Ari e Dante; como Ari se torna amigo do pai de Dante, como Dante aproxima Ari e seu pai. Lindo e emocionante.

Gente, eu poderia citar várias e várias frases do livro, porque uma é mais perfeita que a outra. Eu ficava lendo e marcando e pensando “livro, pare de ser perfeito, não tenho marcadores suficientes!”. Dá vontade de quotar tudo, sério.

“Minha mãe e meu pai deram as mãos. Imaginei como era – como era segurar a mão de alguém. Aposto que às vezes é possível desvendar todos os mistérios do Universo na mão de uma pessoa.” Página 156

Mas ainda mais incrível é o relacionamento de Ari e Dante. Ele não é um relacionamento perfeito – longe disso – e, por isso mesmo, é ainda melhor. Os diálogos entre eles (e há muitos diálogos nesse livro, talvez por isso também ele seja um livro rápido, que você lê muito fácil) são inteligentes e divertidos, cheios de significado e emoção. Os acontecimentos que causam reviravoltas extremas no livro, surpreendendo a cada página com coisas tão simples da vida, tão banais. A maneira como os dois personagens crescem, amadurecendo gradualmente, de maneira tão convincente – e muitas vezes dolorosa, crescer é doloroso. Tudo, tudo, gente, é perfeito e escrito com maestria.

Há um fato extremamente importante sobre o livro, sobre os personagens, que não vou revelar aqui porque é spoiler e realmente é bom ler o livro sem saber, foi o que eu fiz e gostei mais ainda por isso. Mas esse fato é inserido de maneira delicada e natural, e deu um rumo maravilhoso à trama, um rumo que eu não esperava, mas que muito me agradou. Talvez a única coisa que eu tenha sentido um estranhamento, estranhamento esse que me fez pensar no livro por dias e dias e em mim mesma, foi o final; não o final como um todo, mas, talvez, o último capítulo. Talvez eu tenha me enganado, talvez Ari tenha me enganado, talvez o autor… mas, no final, não senti que aquilo se encaixou. Preconceito meu? Talvez… me deixou triste pensar que isso possa ser um preconceito meu, tão arraigado que nem se sente. De nenhuma maneira achei ruim ou errado o que aconteceu no final, o rumo que as coisas tomaram… eu só… não esperava por essa última revelação. Ela me deixou confusa. Enfim, é difícil explicar a menos que vocês leiam. Eu preciso que alguém leia para eu conversar sobre isso! Argh!

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Mas nem essa minha confusão maluca no final tirou o brilho do livro. Não, pessoal, o livro é incrível e perfeito, e vocês simplesmente precisam ler. Preciso que vocês leiam, entenderam?! A edição está fantástica, super caprichada, sem erros, com letras diferentes nos títulos dos capítulos, uma diagramação agradabilíssima que facilita ainda mais a leitura. Você pode não entender muito bem a capa agora, mas vai entender o grande significado dela quando o ler (adoro capas com significado!). Enfim, é um livro sensível e muitíssimo bem escrito, uma leitura que com certeza irá tocá-lo em vários sentidos e você irá pensar no livro por dias e dias. Vale muito, muito à pena, gente. Leiam.

Esse livro foi gentilmente cedido para leitura e resenha pela Editora Seguinte!

Ficha Técnica

Título: Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo
Autor: Benjamin Alire Sáenz
Editora: Seguinte
Páginas: 392
Onde comprar: Livraria Cultura / Livraria Cultura (e-book) / Amazon (e-book)
Avaliação: 

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  • Érika Rufo disse:

    Eu já tinha visto esse livro por aí e confesso que não dava nada por ele. Acho que por causa do nome enorme, sei lá. Mas sua resenha apaixonada me deu outra visão do livro. Parece ser realmente uma história apaixonante. Adoro livros que focam nas relações humanas e familiares. E fiquei muito curiosa em relação ao final. Com certeza eu vou ler!!

    Beijos!!

  • Nayara disse:

    Adorei a resenha! Fiquei com muuita vontade de ler esse livro!
    E que título comprido mesmo! Hahaha.
    E fiquei super intrigada para saber qual o fato interessante :DD
    Certeza que vou colocar na minha lista.
    Beijos

  • Fabiana Strehlow disse:

    Oi, Karen!
    Esse livro me chamou a atenção desde a primeira vez que o vi: o título, a capa, a sinopse …
    Só não comprei, por achar o preço meio salgadinho e fiquei esperando uma promoção. Mas, agora vejo que ele vale cada centavo.
    Tive essa confirmação, após ler a sua resenha, que por sinal, adorei! Parabéns!
    Conclusão: preciso, quero e vou (tentar) “descobrir os segredos do Universo”!
    E esse final, hein? Ah, fiquei mega curiosa!!

  • Ana disse:

    Amo livros com trechos filosóficos. Não canso de dizer isso, gosto de histórias que me façam sentir algo diferente, que me toquem. Essa parece ser um história muito fofa, esses dois amigos <3 amizade é sempre uma coisa interessante pra mim, gosto de ver retratado esses idas e vindas, altos e baixos, me sinto na história. O nome é bem grandinho heim! mas a capa é tão linda. E essa música e anos 80 juntos <3

  • Raquel Pereira disse:

    Adorei a sua resenha, desde que li a sinopse desse livro no lançamento fiquei curiosa pra ler a história. Depois da sua resenha fiquei ainda mais curiosa, pra conhecer a história e pra saber qual é esse final que te intrigou tanto. A capa é muito linda.

    Bjok

  • Douglas Fernandes disse:

    Primeira vez que vejo sobre esse livro, achei a sinopse bem interessante, gente agora eu fiquei muito curioso sobre esse final, eiiita hahahaha
    pena que nao tenho dinheiro pra comprar, e minha mãe vive me chingando se quando eu compro livro e manda eu prometer que nao vou comprar mais… =/

  • Gustavo disse:

    Nossa, eu adorei o nome do livro, a capa, a sinopse. Poxa, já estou quase providenciando ele aqui sem nem mesmo ler a resenha kkkk
    Adoro livros que se passam nos anos 60 até 90 *-*. Amo as músicas dessas épocas, acho algumas bem melhores do que muitas de hoje em dia. Já quero esse livro urgentemente kkk
    Nossa senhora, o que te deixou com esse sentimento conflituoso no final? Kkkk eu preciso saber kkkk pode me contar, não ligo tanto assim pra spoiler, ainda mais quando eu vou ler o livro, com certeza, não importa o que você falar kkkk

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  • Fabiana Scola disse:

    Que resenha mais bacana, pelo menos o jeito de ser contado me agradou a ponto de eu querer ler muito esse livro que parece ser divertido e ao mesmo tempo introspectivo. Nunca tinha sequer visto a capa mas realmente adorei e quero ler.

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