Resenha: Armada

Há algum tempo queria ler Armada, de Ernest Cline. O autor também escreveu o fantástico Jogador Nº 1 (resenha aqui), por isso tinha altas expectativas. É claro que a gente nunca pode esperar um livro igual, mas após uma ótima leitura, sempre esperamos ao menos um livro à altura do anterior. Foi isso que aconteceu? Não. Mas isso também não significa que Armada seja um livro ruim, ele só não é tão bom quanto Jogador Nº 1.

armada“Durante toda a sua vida, Zack Lightman quis que o mundo real fosse menos chato. Segundo ele, a realidade poderia ser mais parecida com o universo dos livros de ficção científica, filmes e videogames. Poderia acontecer algo fantástico para que sua vida deixasse de ser monótona, levando-o a uma aventura – e por que não uma aventura espacial? Apesar disso, Zack diz a si mesmo saber a diferença entre a fantasia e a realidade e que jogadores de videogames adolescentes e sem objetivos na vida não são os salvadores do universo.

Então, um dia, durante a aula de matemática, ele a vê pela janela: uma nave que se parece com o caça Glaive do videogame on-line de simulação de voo que ele joga todas as noites, Armada, que tem como objetivo proteger a Terra de uma invasão alienígena. Agora isso está realmente acontecendo. E suas habilidades, assim como as de milhões de jogadores no mundo, são necessárias para salvar o planeta da destruição.” Fonte

Armada tem um começo lento. Não é nem um começo, é quase toda a primeira metade do livro mesmo. Nós conhecemos Zack Lightman, um garoto adolescente, nerd, que está quase terminando o ensino médio e não faz a menor ideia do que quer fazer da vida além de jogar videogames. Ele trabalha em uma loja de games com pouco movimento e tem um chefe bacana que mais joga do que é chefe. Quando era ainda bebê, Zack perdeu o pai em um acidente em uma fábrica… bem, uma fábrica de merda, literalmente. Isso lhe causou muitos problemas durante sua infância e adolescência, como um temperamento agressivo e muita zoação dos outros, além é claro, da imensa falta que o pai lhe faz, apesar de sua mãe ser muito bacana. O garoto coleciona obsessivamente informações sobre o pai, coisas que a mãe guardou, a maioria relíquias nerds. Mas no meio de tudo isso há também uma complexa teoria da conspiração de seu pai (que alguns dizem, era meio desequilibrado mentalmente) a respeito do governo estar recrutando os gamers com as melhores pontuações nos jogos.

Quase toda a primeira metade do livro se dedica a nos ambientar na história, mostrando a vida de Zack, a falta que seu pai faz, os problemas na escola, o trabalho na loja de games, a cobrança da mãe que ele decida o que fazer da vida e, principalmente, sua obsessão com videogames e seu talento para jogar Armada, um jogo que basicamente é sobre você salvar a terra do ataque de alienígenas com drones. Seria legal se o autor não se esmerasse tanto (mas muito mesmo!) em esmiuçar cada pequeno detalhe do jogo e das batalhas que Zack participa. Vou te contar, é muito chato. Até fui procurar o jogo, quem sabe tentar jogá-lo online ou ver algumas cenas dele, quem sabe ficaria mais legal assim, mas encontrei pouquíssima coisa. Nem sei se o jogo realmente existe. O resultado é que, para quem não manja, as descrições de Armada e de outro jogo muito citado no livro, Terra Firma (que é basicamente a mesma premissa, mas ao invés de controlar naves, você controla mechas, estilo Transformers) são muito maçantes. Demorei séculos para progredir no livro por conta disso.


A capa do jogo Armada que encontrei na Internet – sim, para Sega Dreamcast!!!

A coisa melhora quando você percebe que a teoria do pai de Zack era pra valer. Sim, a Terra está sob ataque iminente de alienígenas da lua de Júpiter, Europa, que controlam drones assassinos. Pra completar, Zack é recrutado. E a partir daí a verdadeira história do livro se desenrola. Essa é a melhor parte do livro, de longe, e o que realmente me fisgou foi a parte de ficção científica da história, sempre aliada à cultura pop. Então você tem toda uma tecnologia futurista/alienígena, a exploração do espaço e uma raça extra-terrestre que quer conquistar nosso planeta. Ao mesmo tempo, citações de Star Wars, Star Trek, 2001 – Uma odisséia no espaço e muito mais, o que, para um nerd, é extremamente divertido. Ah, e há também a “participação especial” de cientistas famosos, como Carl Sagan, Steven Hawking e o maravilhoso (salve, salve!) Neil deGrasse Tyson (você já o deve ter visto na série Cosmos, que aliás, também é citada). Resumindo, essa parte do livro é bem divertida.

armada_kindle

Mas isso não significa que o livro continue tendo falhas, ele tem. Zack aceita as coisas bizarras que acontecem com uma facilidade espantosa e, na maior parte do tempo, não parece estar muito preocupado. É claro que isso pode ser um traço de personalidade do personagem, mas para o leitor é difícil “comprar” a história desse jeito. Fica tudo meio surreal, como uma trama de videogame cheia de furos (quem joga sabe que muitas tramas são assim e que há games que se preocupam mais com a jogabilidade do que com uma história que faça sentido). Isso é um pouco chato, mas não atrapalha tanto quanto a lentidão do início do livro.

Mas então por que você deu 4 estrelas para o livro? Bem, digamos que ele não merecia tudo isso. 3,5, talvez. Mas não achei justo 3 estrelas (como eu queria dar quando estava no começo do livro), afinal o final foi muito divertido e todas as referências pops e a parte de ficção científica foram realmente interessantes. Depois da primeira metade chata, acabei devorando a obra até chegar no final, então ela tem seu mérito. Mas é aquela coisa: não espere, nem de longe, um livro tão bom quanto Jogador Nº 1, não mesmo. Armada é divertido até certo ponto, maçante por muito tempo, cheio de inconsistências. Tinha um potencial que foi mal utilizado. Diverte e é só.

Ficha Técnica

Título: Armada
Autor: Ernest Cline
Editora: Leya
Páginas: 432
Onde comprar: Saraiva / Livraria Cultura / Livraria Cultura (e-book) / Amazon / Travessa / Submarino
Avaliação: 

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  • Milena Soares disse:

    Curto Ficção Científica e games, história parece bem interessante, fiquei com bastante vontade em ler.

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