Resenha: Árvore dos Desejos

Ficha técnica:

Nome: Árvore dos desejos

Autor: Katherine Applegate

Tradutor: Thaís Paiva

Páginas: 224

Editora: Intrínseca

Árvores não sabem contar piadas, mas contam ótimas histórias. E Red é um carvalho centenário que já viu de tudo em seus muitos anos de vida. Também é a árvore dos desejos do bairro, e todo ano, no dia 1º de maio, as pessoas amarram em seus galhos fitas ou tiras de tecido com os mais diversos pedidos, sonhos e anseios.

Mesmo gostando de uma boa fofoca, não é da natureza das árvores se intrometer na vida dos humanos, então Red apenas ouve tudo com muita atenção, sempre em silêncio. No entanto, quando a família da solitária Samar se muda para o bairro e é recebida com desconfiança e ameaças, Red percebe que há algo estranho acontecendo. Aquela vizinhança já tinha acolhido inúmeras famílias. Qual a diferença dessa vez? O lenço que a mãe de Samar usa na cabeça? Ou alguma outra coisa?

Numa noite fria, após ouvir o inesperado e comovente pedido sussurrado pela menina, Red convoca a melhor amiga, a corva Bongô, e decide que chegou a hora de sua voz ser finalmente ouvida, pois muitas vezes temos que desafiar a tradição e nossos próprios medos para defender quem mais precisa.

Em edição de luxo, com capa dura, fitilho e belíssimas ilustrações, Árvore dos desejos é uma fábula inesquecível que mostra a importância do respeito às diferenças para uma vida em sociedade. Com maestria, Katherine Applegate traça uma história emocionante e atemporal sobre o poder da amizade e da empatia. (Fonte)

Esta foi mais uma surpresa recebida em uma das caixas do Intrínsecos. Talvez eu não comprasse devido à indicação etária do livro, mas fico feliz porque ele checou às minhas mãos.

Esta é uma obra mais indicada para crianças e adolescentes. Mas nem por isso deixou de ser uma leitura prazerosa. O poder deste livro não está em suas palavras, mas na mensagem que ele traz.

Este é um conto que fala sobre amizade, tolerância religiosa, desejos e respeito. Mas a história é apresentada com tanta leveza que você só vai acompanhando a interação entre Red e as famílias que se abrigam nele (gambás, cangambás (aqueles bichinhos preto-e-brancos que soltam um cheiro terrível que chamam de gambá em filmes e desenhos norte-americanos), guaxinins e corujas) enquanto Red tenta colocar em prática um plano para, pela primeira vez, interferir e tentar realizar um dos desejos que foi preso em seus galhos.

O desejo de Samar parece simples, mas ao mesmo tempo envolve tanta coisa. Ela quer um amigo. Mas tanto na nova rua quanto na nova escola todos parecem olhar diferente para ela e a família.

Enfim, Red decide quebrar uma regra importante e falar com Samar e Stephen, o vizinho da mesma idade de Samar, para tentar aproximá-los. Parece não ser tão fácil, devido à resistência da família de Stephen. Mas muitas vezes as crianças ensinam lições poderosas aos adultos.

O tema sobre tolerância religiosa, neste caso, trata da religião muçulmana, e talvez tenha um eco muito maior nos Estados Unidos e o momento que eles estão vivendo, em que as pessoas não tem nenhum receio em escancarar sua intolerância e ódio em nome de um pretenso patriotismo.

Talvez, se fosse escrita por um autor tupiniquim, o livro tratasse de racismo (triste realidade!), diferença social (aquelas pessoas que se acham superiores porque tiveram mais oportunidades na vida, às vezes sem nem se esforçar), intolerância religiosa também (sabe aquela piadinha sobre aquele “crente”? ou então, olhar torto para alguém vestido de branco com seus fios de conta? sentir-se “mal” ao passar em frente a um terreiro de candomblé ou umbanda? isso também é intolerância religiosa! Não é só o gringo não gostar de muçulmano!). Infelizmente, mesmo tendo a fama de um país receptivo e caloroso, ainda existe muita gente que valoriza o turista estrangeiro que vem gastar seu dinheiro aqui, mas não respeita o refugiado venezuelano, a família síria que encontrou aqui um refúgio, os orientais com seus costumes tão diferentes.

Ao olharmos para a obra de forma mais ampla, o que enxergamos é a união das pessoas (e animais) em defesa daquilo que é correto, não só por ser politicamente correto ou porque “fica bonito”, mas por compaixão, empatia e amor ao próximo. Uma mensagem mais do que válida para crianças e adultos!

 

Este livro foi gentilmente cedido para resenha pela editora Intrínseca.

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