Resenha: As Esganadas

Olha eu aqui de novo, dessa vez para trazer um pouco de literatura nacional para vocês. E por falar em literatura nacional, essa resenha faz parte do Desafio realmente desafiante 2013 do blog Silêncio que eu to lendo. O item do desafio é o 11. Ler um livro nacional.

Estou contente porque estou conseguindo acompanhar o desafio, apesar de algumas resenhas terem atrasado. Mas pelo menos estou conseguindo cumprir uma cota mínima de leitura para o desafio, espero que no fim do ano eu tenha lido pelo menos 50% da minha meta de leitura – levando em consideração que eu, hm… acrescentei alguns livros na meta do skoob.

Mas vamos ao que interessa. rsrs :P

AS_ESGANADASSinopse: Rio, 1938. Um perigoso assassino está à solta nas ruas. Seu alvo são mulheres jovens, bonitas e… gordas. Sua arma são irresistíveis doces portugueses. Com requintes de crueldade gastronômica, ele mata sem piedade suas vítimas e depois expõe seus cadáveres acintosamente, escarnecendo das autoridades. Fonte

Quando eu adquiri meu kindle, a minha amiga Mi me presenteou com alguns livros que ela achou que eu fosse gostar, incluindo este. Eu torci o nariz, porque não gostei muito de O Xangô de Baker Street – mas não gostei simplesmente porque gosto muito das histórias originais de  Sherlock Holmes e vê-lo um tanto parodiado não me agradou.

Em As Esganadas, ficamos sabendo a história de Caronte, dono da mais famosa funerária do Rio de Janeiro, a Estige. Ele é um homem magro, que odiava sua mãe, uma mulher gorda. Caronte se sentia muito reprimido por ela e isso o motivou a matá-la, não levantando qualquer suspeita às autoridades.

A partir daí, ele pensou que poderia viver em paz, mas o fantasma de sua mãe sempre o assombrava quando via mulheres gordas pela rua, fazendo com que sua sede de sangue nunca cessasse. A forma como matava e também como fazia as vítimas serem descobertas (sim, ele gostava de expor suas vítimas, como se fossem algum tipo de obra de arte) era peculiar, sempre relacionada à culinária portuguesa, a favorita de sua mãe.

Retrocedendo alguns anos, vemos Tobias Esteves, amigo de ninguém menos que Fernando Pessoa, poeta que o imortalizou no poema de seu heterônimo Alvares de Campos,  Tabacaria (“o Esteves sem metafísica”) e antigo inspetor da polícia portuguesa que, depois de um caso escandaloso, veio para o Brasil e vira sócio e herdeiro da  confeitaria de seu tio, conseguindo expandir o negócio em filiais ao longo dos anos até o período atual da história.

Tobias Esteves costumava usar a lógica dedutiva simples para elucidar seus casos. Por isso, ao se deparar com o caso chamado “caso das esganadas”, ele oferece seus serviços ao delegado Noronha e seu oficial, Calisto. Algum tempo depois, eles também contarão com a ajuda de Diana, uma jornalista que não mede palavras para descrever que tipo de psicopata ela acredita que o assassino das jovens seja.

No geral, eu gostei da história. A descrição dos crimes foi bem detalhada e confesso que me tirou o apetite várias vezes. Aliás, que crimes! Eu fiquei chocada com algumas mortes, senti mesmo muita pena das mulheres assassinadas.

Gostei da forma como o livro foi escrito, temos descrições ricas do Rio de Janeiro dos anos 30, temos as partes cômicas (mas nada muito hilariante), porém, mesmo sendo relativamente curto, o livro me cansou um pouco.

Algumas partes – como a narrativa de um jogo de futebol – me pareceram desgastantes e desnecessárias. Além de contar uma minibiografia de  todos os personagens, mesmo aqueles que tiveram uma pequena participação na trama, o que achei um pouco exagerado e também desnecessário, teve também o uso de palavras mais “rebuscadas” (o que não acho que seja um ponto negativo, aliás).

O que me prendeu à narrativa foi realmente a solução do caso, porque queria saber se Caronte teria seu fim merecido ou se ele conseguiria escapar. Claro que não vou contar aqui o que acontece, mas devo dizer que a forma como se deu o final foi ao mesmo tempo inusitada e clichê. Algo como você lê e se pergunta “por que é que não pensei nisso antes?”. Só lendo para saber.

Recomendo a leitura. Embora cansativa em algumas partes, Jô Soares conseguiu criar uma história sem pontas soltas, com personagens bem elaborados (embora de certo modo estereotipados, mas acho que é essa a ideia) e rico em detalhes.

Ficha técnica:

Título: As Esganadas
Autor: Jô Soares
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 264
Onde comprar: Livraria Cultura
Minha avaliação: 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Compartilhe:
  • 8
  •  
  •  
  •  
  •  


  • Luana M disse:

    Primeiro, um detalhe vc separa as resenhas por gêneros, pelo amor de Deus que coisa perfeita é essa? adorei! não que eu tenha um preferido, sou muito eclética, ainda mais referindo-se a livros, mas adorei, serio! rs
    Segundo sua resenha esta ótima, mas confesso que o livro não me agradou, a capa, o conteúdo, não sei, já tinha visto falarem do livro, mas nunca tive um interesse por ele não! rs mas repito, ótimo blog e resenha, parabéns, mesmo!

  • Lucy disse:

    Oi, Luana! Hahaha, obrigada pelos elogios! :D
    Então, eu acho que também criei um pouco mais de expectativa para o livro, mas não foi tudo aquilo. A história é bem bacana, mas faltou alguma coisa, realmente!
    Bjos!

  • Karen disse:

    Ah, Lucy, eu curto o Xangô! Mas já imaginava que você torcesse o nariz… é o Holmes né. Não vou nem falar que prefiro o Holmes do Jô… hahahaha xD
    Enfim, curti muito a resenha, deu para perceber que não foi assim sua melhor leitura, mas que o livro ainda assim é recomendado. Estou com ele aqui no Kindle para ler também, quando sobrar um tempinho eu leio. Gosto muito do Jô! :)

  • Lucy disse:

    Com o Holmes não se brinca. hahaha Não sei como farei se isso acontecer de repente com o Harry!
    Eu sempre recomendo a leitura de qualquer forma, pq vai que a pessoa acaba tendo outro ponto de vista a respeito, né? Mas assim, achava que seria melhor. Talvez o modo descritivo dele que me cansou um pouco e por isso fez perder uns pontos no final. rsrs
    bjos!

  • Nivia Fernandes disse:

    Ah, cenas bisonhas são comigo mesmo. rs Mas dá pra perceber que o próprio enredo não é bem sua praia.
    De qualquer forma, gostei da resenha e da sinceridade sobre os pontos fortes e fracos. Vou tentar ainda, o Jô é inteligente e levo fé nele como escritor!
    Sobre o Holmes, minha solidariedade pra você, Lu… O melhor sempre será o original!

  • Lucy disse:

    Hahaha! Nik, você ia gostar então das cenas bisonhas. Confesso que fiquei horrorizada com a obra do assassino, sempre tentando ser dramático hahaha.
    E como eu disse, não curto mesmo o Holmes parodiado. rsrs
    bjs!

  • Melissa de Sá disse:

    Bah, eu tenho uma certa preguiça do Jô Soares, sabe. Não está na minha lista de prioridades não.

  • Vania disse:

    Eu nunca li nada do Jô Soares, mas confesso que você me conquistou ao falar que as cenas dos crimes são bem descritas. Quem sabe um dia?

  • Lucy disse:

    Alguns dizem que os livros deles seguem a mesma linha, mas acho que se você começar por esse vai acabar gostando. E a forma bizarra de como os cadáveres eram descobertos. Poxa, muita dó daquelas mulheres.
    Bjos

PREENCHA OS CAMPOS ABAIXO PARA DEIXAR SEU COMENTÁRIO




Mensagem