Resenha: As mil noites

as-mil-noitesClássico da literatura universal, as histórias de As mil e uma noites estão no imaginário de todos — do Oriente ao Ocidente. É impossível que alguém nunca tenha ouvido falar sobre Ali Babá e seus quarenta ladrões, ou sobre Aladim e o gênio da lâmpada. Ou sobre Sherazade, a mulher sagaz e inteligente que se casou com um homem cruel, e, por mil e uma noites, driblou a morte narrando contos de amor e ódio, medo e paixão, capazes de dobrar até mesmo um rei. Em As mil noites, a história se repete, mas com algumas diferenças…
Quando Lo-Melkhiin chega àquela aldeia — após ter matado trezentas noivas —, a garota sabe que o rei desejará desposar a menina mais bela: sua irmã. Desesperada para salvar a irmã da morte certa, ela faz de tudo para ser levada para o palácio em seu lugar. A corte de Lo-Melkhiin é um local perigoso e cheio de beleza: intricadas estátuas com olhos assombrados habitam os jardins e fios da mais fina seda são usados para tecer vestidos elegantes. Mas a morte está à espreita, e ela olha para tudo como se fosse a última vez. Porém, uma estranha magia parece fluir entre a garota e o rei, e noite após noite Lo-Melkhiin vai até seu quarto para ouvir suas histórias; e dia após dia, ela continua viva.
Encontrando poder nas histórias que conta todas as noites, suas palavras parecem ganhar vida própria. Coisas pequenas, a princípio: um vestido de seu lar, uma visão de sua irmã. Logo, ela sonha com uma magia muito mais terrível, poderosa o suficiente para salvar um rei…

Eu estava procurando um livro diferente para ler. Eu adoro romances, mas às vezes as histórias parecem serem muito semelhantes – inclusive os problemas são iguais. Por isso, fiquei muito curiosa quando li a sinopse de “As mil noites” porque ele parecia ser exatamente um livro diferente. E ele não me decepcionou: eu posso dizer que eu nunca li um livro como esse.

Eu tentei me lembrar, mas eu acho que nunca li uma história que se passasse no deserto e nem com a cultura árabe como o centro da trama. “As mil noites” é uma releitura do clássico “As mil e uma noites” (que eu confesso que, apesar de conhecer o enredo, nunca li). Ele conta a história de um rei, Lo-Melkhiin, que era bom para o seu povo, mas algo de estranho aconteceu desde que ele voltou de uma viagem ao deserto. Ele se casou pela primeira vez e a noiva morreu na noite de núpcias. Uma vez pode acontecer, mas o problema é que isso foi se repetindo várias e várias vezes. Portanto Lo-Melkhiin ia passando de vila em vila, escolhendo a menina mais bonita e se casando com ela… E nenhuma sobreviveu por muito tempo. Todos tem medo de quando será a vez da sua cidade até porque ninguém entende muito bem o que acontece com elas depois do casamento…

E então temos a nossa protagonista – que adivinha só, não tem o seu nome dito no livro! E eu só percebi isso quando fui escrever essa resenha… “Qual era o nome da protagonista mesmo? Ai Lany você é muito esquecida, isso é que dá ficar lendo 3 livros ao mesmo tempo!”. Pffft, a protagonista não tem nome, aliás são poucos os personagens que tem. Então vou chamá-la de Protagonista, porque se não essa resenha vai ficar muito confusa.

Lo-Melkhiin está indo para o acampamento da Protagonista.  Apesar de serem muito parecidas, ela sabe que o rei irá escolher a sua irmã. Por isso, ela se arruma da  melhor forma possível sem a irmã saber e assim como esperado, o rei a escolhe. A Protagonista não se dá por vencida mesmo com o histórico do rei: ela quer permanecer viva o máximo que puder, para que ele não precise fazer outra menina de vítima nem tão cedo. Ela começa a contar histórias para o rei à noite e coisas que ela não conseguem explicar acontecem… Mas o que importa é que, ao contrário das outras, ela consegue permanecer viva. Mas por quanto tempo?

É difícil escrever a resenha porque eu não sei como colocar em palavras o que foi ler esse livro. Não, ele não foi perfeito – apesar do começo ter me prendido muito eu achei a leitura no meio da trama um pouco arrastada no meio. O livro tem uma linguagem muito poética, sem precisar ser rebuscada e isso foi realmente o que trouxe algo a mais para ele. Porém chega um momento em que você fica “Ok, mas vamos andar com o enredo?”. Uma boa parte do livro é bem parada e por isso o leitor fica com aquela sensação de que o final foi corrido porque muitas coisas aconteceram nos últimos capítulos. A minha única crítica a Mil noites é exatamente essa: a autora poderia ter distribuído melhor o seu enredo. Mas, tirando isso… O resto é só elogios. Dava para perceber como que a autora conhecia o deserto pela forma como ela o descrevia; a parte mais “sobrenatural” (ou eu deveria dizer religiosa?) foi lindamente descrita e não tem como não amar os personagens! É claro que o meu lado “Eu amo romances”, reclamou um pouquinho que o romance aqui não foi muito desenvolvido, mas eu mandei simplesmente ele ficar quieto porque o livro ficou maravilhoso exatamente dessa forma.

Uma das grandes forças desse livro é que ele é sobre mulheres e as suas diferentes formas de amor. Ele é um livro sobre fé e poder do pensamento. Ele é simples mas ao mesmo tempo muito complexo. Ele passa uma lição sem ser aquela coisa de “moral da história” e por isso, sim, todos deveriam ler. Não importa qual é o seu gênero favorito, quando você estiver procurando algo diferente, algo que te inspire, leia “As mil noites”.

Esse livro foi gentilmente cedido para resenha pela Editora Intrínseca.

Ficha técnica:

Nome: As mil noites
Autor: E. K. Johnston
Páginas: 320
Editora: Intrínseca
Onde comprar: Livraria Cultura / Livraria Cultura (e-book) / Livraria da Folha / SubmarinoAmazon
Minha avaliação: 

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