Resenha: As sombras de Longbourn

as sombras“Admiradora de Jane Austen, a romancista Jo Baker perguntava-se quem seriam aquelas presenças pontuais e quase inumanas que serviam à mesa ou entregavam um recado para os personagens de Orgulho e preconceito, um dos romances mais recontados em versões literárias desde a sua publicação, há duzentos anos. Por trás de cada descrição da toalete das irmãs Bennet havia certamente o trabalho de uma criada, e cada refeição servida implicava uma cozinheira, um mordomo para servi-la. Qual seria a história não contada desses personagens? “As Sombras de Longbourn” é o romance dessas figuras invisíveis. Sob o comando da governanta e cozinheira sra. Hill, trabalham Sarah e Polly, duas jovens trazidas de um orfanato quando ainda eram crianças para trabalhar na casa. O mordomo idoso, sr. Hill, serve à mesa e divide a administração da casa com a sra. Hill. Os quatro formam um pequeno exército de empregados que labuta dezoito horas por dia para que a família Bennet goze do máximo conforto possível. A chegada de James Smith, um jovem lacaio recém-contratado, irá movimentar o andar de baixo da casa, revelando antigas tensões entre empregados e patrões.”

Eu devo começar essa resenha sendo bem sincera: o único livro da Jane Austen que eu li até hoje foi Orgulho e Preconceito. Sim, esse é um erro enorme meu. Eu, que adoro romances, já deveria ter lido pelo menos as obras mais famosas dela. Comecei a ler Emma porque eu assiti Emma Approved (e claro que assisti The Lizzie Bennet Diaries também!) mas não consegui terminar até hoje. Eu gostei muito de Orgulho e Preconceito, mas a linguagem que ela usa não é tão fácil assim… Mas eu acho essa época relatada é muito interessante, e por isso que eu fiquei curiosa em ler As sombras de Longbourn. Nós sempre prestamos atenção nos protagonistas, mas e todas as pessoas que trabalhavam naquela época? Por trás de cada irmã Bennet havia certamente uma criada que a ajudava nas suas rotinas diárias, a cada refeição, um mordomo, sem contar as pessoas responsáveis pela locomoção da família… Essas pessoas que são quase “fantasmas” mas elas também, com certeza, tem a sua história para contar.

A história de As sombras de Longbourn se passa no mundo de Orgulho e Preconceito (mas o livro termina um pouco depois da história de Elizabeth Bennet). Logo no início do livro somos apresentadas a governanta sra. Hill, o seu marido sr. Hill, as criadas Sarah e Polly e as suas tarefas na casa da família Bennet. A narrativa é feita em terceira pessoa, e apesar de temos uma noção da visão de diferentes personagens, o foco principal é em Sarah. Sarah está com a família Bennet desde criança, quando ela virou órfã. Logo na primeira página, nós já somos apresentadas à dura realidade desses trabalhadores. Levantando às quatro e meia da manhã, Sarah foi lavar as roupas da família. Carregar baldes de água por longas distâncias ela já estava acostumada, mas ainda ter que escorregar em excremento de porco, não era nada fácil. Mesmo com todos os problemas diários, Sarah é uma pessoa extremamente sonhadora: ela gostaria muito de conhecer o mundo. Todos eles trabalham em extrema harmonia, mas a chegada de James Smith, acaba mexendo com os moradores da casa…

Em primeiro lugar, a ideia de Jo Baker foi muito interessante. O roteiro segue os acontecimentos de Orgulho e Preconceito, inclusive os protagonistas de Jane Austen aparecem muitas vezes durante o livro. Sim, resumindo de uma forma bem clara, ele é como se fosse uma fanfic desse mundo criado por Austen. Antes de cada capítulo, existe um trecho de Orgulho e Preconceito, o que faz com que o leitor se aproxime ainda mais da obra base. Diferentemente da obra original, que faz uma crítica a sociedade com o seu humor iônico (e que por causa disso, às vezes, é difícil compreender toda a mensagem que ela está querendo passar), Jo Baker faz uma crítica de uma forma direta: ela mostra os fatos, principalmente com relação a rotina cruel dos criados. Isso mostra  que a autora realmente fez uma pesquisa extensiva, não só sobre Orgulho e Preconceito, mas sim sobre os costumes da época.

No início, a relação entre Sarah e James se parece muito com a de Elizabeth e Darcy, baseado em como o título diz, no orgulho e no preconceito dos personagens. Porém, depois, a história dos dois é descrita de uma forma completamente diferente da de Jane Austen. O meu único problema durante a leitura foi o mesmo encontrado durante  a leitura dos livros da Jane Austen: como a narrativa é lenta, a leitura acaba se tornando um pouco arrastada, e por isso ele não é um livro fácil de ser lido.

As sombras de Longbourn é um livro altamente indicado para todos os fãs de Jane Austen ou de romances! É claro que se você conhece o livro da Jane Austen (ou até mesmo assistiu as séries ou filmes) a leitura fica bem mais interessante…

Livro gentilmente cedidos para resenha pela Companhia das Letras!

Ficha Técnica

Título: As sombras de Longbourn
Autor: Jo Baker
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 450
Onde comprar: :Livraria Cultura / Livraria Cultura (e-book) / Amazon
Avaliação:

 

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  • Gustavo disse:

    Eu sempre quis ler Jane Austen, mas sempre evito seus livros por medo de ser uma linguagem antiga, coisa que eu não consigo gostar/me acostumar… Mas ainda assim tenho muito interesse em suas obras.
    Quanto a esse livro, eu achei muito interessante ser criado na perspectiva dos criados,mostrando seu mundo e suas características próprias. Me lembrou muito a série de televisão Downton Abbey, que é simplesmente incrível. Amei a resenha.

  • Franciely Bortoski disse:

    Eu já li e gostei bastante ^^ Adoro os livros d Jane Austen, sendo q meu preferido (como o da maioria) é Orgulho e Preconceito. Nao acho as narrativas da Austen arrastadas, mas achei isso da Jo Baker em alguns pontos, mas fiquei muito satisfeita com a história e o desfecho. Achei bem interessante a visão da guerra retratada nesse livro, pois nos da Austen só temos a parte dos “oficiais” na cidade numa boa, jantando como convidados em várias casas e ficando noivos de moças por aí. Enfim, é um livro q vale a pena ser lido por quem gosta desse tipo de história mesmo ^^

  • Tarsila Martins disse:

    Não conhecia o livro ainda. Nunca li uma obra de Jane Austen, pois não sou tão fã de romances, mas pretendo ler Orgulho e Preconceito esse ano, já que assisti o filme e adorei, e se eu ler, lerei em inglês, justamente por causa da linguagem que eu também acho um pouco difícil em português. Achei interessante sobre o que fala a história, e por parecer uma fanfic do mundo de Jane Austen. Fiquei com vontade de ler, e depois de ler Orgulho e Preconceito, desejo ler esse.
    Beijos!

  • Douglas Fernandes disse:

    Acho que não é recomendado pra mim, eu nao li nada de Jane Austen, ainda mais que vc disse que a leitura é lenta e no momento quero ler livros mais leves e faceis, mas tenho muita vontade de ler algo dela.

  • Netto Baggins disse:

    Muito bacana a idéia desse livro! Esse tipo de diálogo tão explícito entre obras é um trabalho muito difícil, terreno perigoso, pois corre o risco de ficar extremamente hermético, entre outros problemas. Mas, pelo visto, a autora conseguiu se sair bem. Fiquei bastante curioso.

  • Carolina disse:

    Oi Lany, tudo bem com você?
    Esse é um livro que estou desejando já tem um tempinho e não vejo a hora de adquirir. Tenho a impressão de que se tornará um dos meus favoritos.
    Parabéns pela resenha.
    Bjkas

  • Brenda Carolina disse:

    Gostei bastante da sua resenha!
    Fiquei com vontade de ler o livro, mas pretendo ler Orgulho e Preconceito primeiro rs.
    Beijos

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