Resenha: Azul da cor do mar

Azul da cor do marACASO, DESTINO ou LOUCURA? No caso de Rafaela, pode ser tudo isso junto. Para alguém como ela, nada é impossível. Rafaela sonha desde a adolescência com o garoto que viu uma vez, perto do mar, carregando uma mochila xadrez… A idéia fixa não a impediu, porém, de ser uma menina alegre e muito decidida. Ela quer ser jornalista, e seu sonho está se concretizando: Rafaela Vilas Boas (um nome tão imponente para alguém tão desajeitado) conseguiu um estágio no melhor jornal de Minas Gerais. Mas, como estamos falando de Rafa, alguma coisa tinha que dar errado. O jornal é mesmo incrível, mas seu colega de trabalho, Bernardo, não é a pessoa mais simpática do Mundo. Em meio a reportagens arriscadas – e alguns tropeços -, Bernardo acaba percebendo, contra a sua vontade, que Rafaela leva jeito para a coisa… E que eles formam uma dupla de tirar o fôlego. Mas e a mochila? E o garoto, o envelope, as cartas? Um dia a estabanada Rafaela vai ter que se libertar dessa obsessão.

Bom, vocês já devem ter lido a minha resenha de Simplesmente Ana, da Marina Carvalho e por isso sabem que eu fiquei muito encantada com ele. Quando a Marina mostrou a capa e a sinopse do livro novo, eu quase saí pulando pela casa. Sabe quando você lê uma sinopse e sabe que vai gostar daquele livro? Foi exatamente assim que eu me senti. Sempre quando as meninas falavam sobre os lançamentos de fevereiro da Novo Conceito, eu só ficava repetindo em capslock: “MARINA CARVALHO MARINA CARVALHO MARINA CARVALHO”! Quando o livro chegou, eu o abracei e saí dançando pela casa. Sou maluca? Não sei. Mas juro que estou falando a verdade.

Azul da Cor do Mar é narrado pela Rafaela Vilas Boas, estudante de jornalismo, e que conseguiu um estágio simplesmente no melhor jornal de Minas Gerais. Tudo parecia um lindo sonho cor de rosa, até ela conhecer Bernardo, um dos jornalistas investigativos. Ele seria o seu supervisor do estágio e por isso ela teria que ser a sua sombra durante todos os momentos. Rafaela poderia aprender sobre todas as partes: desde o trabalho  na redação do jornal, fazendo anotações, até na rua, conseguindo a notícia. Mas desde quando Bernardo ficou  sabendo da informação, ele não foi uma pessoa muito simpática com ela (ou falando a verdade, ele chega a ser grosso). Mas Rafa não deixa nada barato e com isso os dois acabam batendo de frente… Inúmeras vezes.

Mas vocês vão me perguntar:  “Qual é o motivo do título e dessa capa que mostra uma praia”? No início da adolescência, Rafa passava as férias em Iriri, uma praia do Espírito Santo, com os seus avós. Até que ela vê um menino que sempre carrega uma mochila xadrez. Ela fica com vergonha, até porque ele parecia ser mais velho do que ela e por isso Rafa não fala nada. No último dia que ela o viu, o menino estava sentando na areia na Praia dos Namorados, com um pedaço de papel. Depois ele entrou no mar e quando retornou, Rafa conseguiu ver que ele não tinha mais nada nas mãos… Desde esse dia, Rafa sempre imaginou qual seria a história por trás do menino da mochila xadrez.

“Nunca mais voltei a vê-lo. Passei outras férias de verão em Iriri, mas jamais o encontrei novamente. Mesmo sem saber quem ele era, vivi os dez anos seguintes com aquela imagem da praia grudada na minha memória. Aquilo me marcou. Muito. Nem eu sei explicar por quê.”

Por mais que eu tente, eu não vou conseguir escrever aqui o que eu senti ao ler Azul da cor do mar. Esse é um daqueles livros especiais que você admira com todo o carinho na sua estante. Esse é aquele livro que a autora consegue trabalhar tão bem a ideia inicial, que você fica encantada com ele.

azul

Eu nem sei por onde começar essa resenha (que já tem muitas palavras e com certeza eu ainda não falei nem a metade do que gostaria). Talvez eu devesse começar pelos personagens… Ah, os personagens! Como não gostar da Rafa, que possui qualidades, mas também defeitos que fazem com que ela seja tão real? Depois de eu ter caído há pouco tempo no meio da rua, pagando um mico e ralando meu joelho de uma forma como nunca antes, eu totalmente me sensibilizo por ela ter dois pés esquerdos. Além de ser um muito pouquinho estabanada, ela também é um tanto quanto ingênua – o que faz com que ela se meta em várias confusões. Mas ela está aprendendo e o que importa é isso: o crescimento do personagem. E a Rafa tem uma língua afiada, não só para responder as provocações do Bernardo, mas também para fazer vários comentários sarcásticos durante a narração. O que eu mais gostei de todos foi o “apelido carinhoso” que ela dá para o Bernardo. Eu tive um ataque de risos na primeira vez que eu li e depois eu dava um sorrisinho todas as vezes que ele era mencionado. E mesmo com toda a história do menino da mochila xadrez, a Rafa não era aquela protagonista que fica de “mimimi”. Por mais que algo a prendesse, ela sempre corria atrás dos seus objetivos.

E os outros personagens também são tão interessantes quanto a Rafa. O Bernardo foi muito grosso no início, mas depois pudemos perceber que isso era só aparência… Ele usava os comentários como uma forma de se esconder. Aos poucos ele foi se revelando e não tinha como não se apaixonar por ele.  Os três irmãos da Rafa mereciam um livro só para eles! Eles eram os típicos irmãos mais velhos: perturbavam, mas amavam a irmã, e não mediam esforços para ajudá-la quando era necessário. O pessoal do jornal, as amigas da Rafa… Os personagens coadjuvantes brilham tanto quanto os protagonistas.

Eu adorei como a Marina conseguiu inserir várias referências totalmente brasileiras no livro. Mesmo se ela tivesse apagado todos os nomes das cidades, não tinha como não saber onde a história se passava. Começando pelo desejo da Rafa de se tornar a Fátima Bernardes, passando pelas comparações com o Tiago Leifert e indo até um jogo do time de vôlei, o Brasil foi muito bem representado. E eu adoro isso porque dá uma sensação maior ainda de que a Rafa é minha amiga e está ali, ao meu lado, me contanto todas as novidades.

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Antes de cada capítulo, tem um trecho que ensina como fazer um texto jornalístico. Isso foi muito interessante, porque normalmente ele tinha relação com o tema que seria tratado. Além disso, também estava presente um desenho simples, mas que era diferente em cada capítulo. Ficou um detalhe muito bonito no livro!

“A maneira correta de encerrar uma polêmica é avisar as partes de que terão apenas mais uma oportunidade e igual número de linhas para se manifestar, e publicar essas manifestações lado a lado.”

Eu poderia falar muitas coisas aqui. Eu poderia citar que eu mudei o toque do celular para a música do Fantasma da Ópera, para ficar igual ao da Rafa; eu poderia fazer um poema em homenagem a camisas de malha de qualidade duvidosa ou comentar sobre a delicadeza da autora em abreviar os palavrões (que foram utilizados porque foram  necessários). Eu também poderia dizer que foi depois da cena com uma certa música que eu simplesmente soube que eu iria amar o livro…

Mas eu não vou. O que eu posso dizer é: LEIAM, LEIAM, LEIAM! Atrás do livro, tem um depoimento muito interessante que diz que é apenas no segundo livro de um autor que a gente sabe que não foi “sorte de principiante”. Eu concordo totalmente com isso e eu posso dizer que Marina Carvalho é uma das minhas autoras de cabeceira. Se ela escrever até bula de remédio, irei ler!

Vocês devem ter reparado que eu avaliei o livro em quatro estrelas. Não, não está errado! Eu gostaria de poder justificar em detalhes, mas a única ressalva que eu tenho do livro foi justamente no final. Sem dar spoilers, eu gostei de como o livro foi encerrado, porém achei o final muito abrupto. Parecia que a autora tinha que escrever um número X de páginas e por isso as últimas cenas  não foram desenvolvidas da mesma forma que o resto da história. Isso acabou quebrando o ritmo e a leitura estava tão envolvente que sim, ele merecia um final mais detalhado.

Esse livro foi gentilmente cedido para leitura e resenha pela Editora Novo Conceito!

Ficha Técnica

Título: Azul da cor do mar
Autor: Marina Carvalho
Editora: Novo Conceito
Páginas: 334
Onde comprar: Livraria Cultura/ Livraria Cultura (e-book)/ Amazon
Avaliação:

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  • Melissa de Sá disse:

    Ai Lany, que bonita essa sua empolgação com um livro nacional! Mais uma vez a prova de que autores daqui conseguem fazer tão bonito quanto os internacionais. :)

    Eu fiquei curiosa com o livro. Confesso que não é meu tipo de literatura, mas essas referências mineirísticas me deixaram com água na boca… Você sabe se tem versão em ebook dele?

  • camila rosa disse:

    Oi, eu estou louca para ler esse livro, a historia também me encantou desde a sinopse, a capa é linda, e a historia deve ser muito divertida, sou apaixonada pela escrita da Mariana leve, e muito jovem, não vejo a hora de ler esse livro.
    Beijos!!!

  • Jaynne Souza disse:

    Ainda não li nada escrito pela Marina Carvalho, e quando vi a capa imaginei que seria algo envolvendo surfistas e areia por isso fiquei com um pouco de receio de ler.

  • Nayara disse:

    Que resenha linda!!! Fiquei morrendo de vontade de ler esse livro!
    Já me encantei com os personagens só de ler a resenha! Até mesmo com o Bernardo!!! Hahahahha.
    E concordo com a Melissa… muito bonita sua empolgação com o livro!!! (E você não é maluca de abraçar o livro e sair dançando… faço isso tbm. hahaha)
    Adorei a dica do livro… já tá na listinha ;D
    Beijos.

  • Marília Sena disse:

    Eu AMEI Simplesmente Ana, e surtei quando soube do lançamento de Azul da Cor do Mar. Dos poucos autores brasileiros que já li, a Marina é a minha favorita, com certeza! (uma fofa, sem mas). Bem, com toda a sua empolgação por conta do livro, eu só consigo dizer: QUERO IR CORRENDO ATÉ A LIVRARIA E COMPRÁ-LO AGORA.
    Beijos!!

  • Marília Sena disse:

    Eu AMEI Simplesmente Ana, e surtei quando soube do lançamento de Azul da Cor do Mar. Dos poucos autores brasileiros que já li, a Marina é a minha favorita, com certeza! (uma fofa, sem mas). Bem, com toda a sua empolgação por conta do livro, eu só consigo dizer: QUERO IR CORRENDO ATÉ A LIVRARIA E COMPRÁ-LO AGORA.
    Beijos!!

  • Ana Alves disse:

    Finalmente uma resenha positiva pra me dar vontade de ler esse livro.
    Espero conseguir lê-lo porque me apaixonei por Simplesmente Ana.
    Beijos e até mais,
    Ana.
    http://www.umlivroenadamais.com/

  • Dâmaris Carvalho Lima disse:

    Ainda não li nenhum livro dessa escrito, não sou fã de romances, mas a histórias parece ser boa. A sinopse cita que Rafa quando criança viu um menino na praia, tive a sensação que a escritora se baseou um pouco no livro “A moreninha”, achei parecido essa parte da história com esse clássico da literatura, fiquei curiosa em ler o livro =)

  • Mayara Mendonça disse:

    Li Azul da cor do mar há alguns dias, mas infelizmente não gostei muito. Não simpatizei muito com a Rafa, achei algumas coisas muito previsíveis e outras completamente sem noção. :/ Uma pena, adorei Simplesmente Ana e achei que fosse gostar desse também. Quem sabe o próximo da Marina Carvalho me agrade mais…

  • Caroline Evans disse:

    Eu não dava tanto pela história antes de ler sua resenha, sua animação contagiou e fiquei querendo ler.

  • Top Ten Tuesday: 10 melhores livros que eu li até agora em 2014 « Por Essas Páginas disse:

    […] Azul da Cor do Mar, Marina Carvalho [Resenha] – As meninas aqui do blog sabem como eu fiquei toda MARINA MARINA MARINA todas as vezes em que […]

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