Resenha: Celular

Ficha técnica:

Nome: Celular

Autor: Stephen King

Tradutora: Fabiano Morais

Páginas: 384

Editora: Suma

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Sinopse:

Onde você estava no dia 1.º de outubro? O protagonista Clay Riddell estava em Boston, quando o inferno surgiu diante de seus olhos. Bastou um toque de celular para que tudo se transformasse em carnificina. Stephen King – que já nos assustou com gatos, cachorros, palhaços, vampiros, lobisomens, alienígenas e fantasmas, entre outros personagens malévolos – elegeu os zumbis como responsáveis pelo caos desta vez.

Depois de anos de tentativas frustradas, o artista gráfico Clay Riddell finalmente consegue vender um de seus livros de histórias em quadrinhos. Para comemorar, decide tomar um sorvete. Mas, antes de poder saboreá-lo, as pessoas ao seu redor, que por acaso falavam ao celular naquele momento, enlouquecem.

Fora de si, começam a atacar e matar quem passa pela frente. Carros e caminhões colidem e avançam pelas calçadas em alta velocidade, destruindo tudo. Aviões batem nos prédios. Ouvem-se tiros e explosões vindos de todas as partes.

Neste cenário de horror, Clay usa seu pesado portfolio para defender um homem prestes a ser abatido, Tom McCourt, e eles se tornam amigos. Juntos, eles resgatam Alice Maxwell, uma menina de 15 anos que sobreviveu a um ataque da própria mãe.

Os três sortudos – entre outros poucos que estavam sem celular naquele dia – tentam se proteger ao mesmo tempo em que buscam desesperadamente o filho de Clay. Assim, em ritmo alucinante, se desenrola esta história. O desafio é sobreviver num mundo virado às avessas. Será possível?

Celular era um livro do Stephen King que sempre tive curiosidade de ler, mesmo após ter visto o filme (que, na minha humilde opinião, é do tipo “não perca seu tempo”). Apesar disso, ainda via o livro com bons olhos, pois me parecia ser uma história de zumbis que subvertia os clichês do gênero, com toda a ideia dos celulares etc. Isso acontece? Sim. A ideia é bem legal e King consegue ir além, inserindo aspectos sobrenaturais que tornam a coisa toda bem diferente. Mas tem um “mas”, não é?

Sim, tem um “mas”.

Acompanhamos a história de Clay, um quadrinista que finalmente consegue um contrato para suas histórias. Ele também tem esposa e filho, porém está separado há algum tempo deles; ainda não é um divórcio definitivo, mas as coisas em seu casamento não estavam indo nada bem, especialmente pela falta de trabalho dele. Mas agora as coisas vão entrar nos eixos, depois do contrato, ou pelo menos era o que Clay esperava. Na mesma tarde em que ele conseguiu dar o primeiro passo para realizar seu sonho, algo bizarro e terrível acontece: as pessoas recebem uma ligação de seus celulares começam a agir de maneira irracional, violentas, atacando tudo o que encontram pela frente e às vezes até se matando. E Clay assiste a tudo isso, em choque, no meio da rua.

Em meio a essa loucura, ele encontra Tom, e os dois meio que ajudam, meio que amparam. Clay o salva de um ataque e depois os dois se abrigam no hotel que o primeiro está hospedado. Lá, encontram Alice, uma adolescente assustada, mas que se mostra extremamente durona quando o trauma inicial passa. Uma vez que Clay está à procura da sua família no Maine – e especialmente seu filho – os três acabam viajando juntos para o Norte, em busca de refúgio. Mas aos poucos descobrem que os zumbis (ou fonáticos, como os chamam) são muito mais que isso: eles possuem uma consciência coletiva, e é aí que as coisas começam a se tornar mais estranhas e sobrenaturais.

Certo. A aventura é bem legal, a ideia é interessante, todo o caos que a humanidade cai rapidamente, os zumbis diferentões, porém… temos um problema com os personagens, mais especificamente com o protagonista, Clay. Eu até consegui me interessar um pouco por Tom Alice, mas o problema com eles é que nós o acompanhamos através da narrativa de Clay – e Clay é um homem chato pra caramba, do tipo que se acha muito bacana mas é extremamente preconceituoso, e em grande parte do livro, ele é tão irritante que a vontade que dá é que ele seja morto pelo primeiro zumbi que aparecer.

Clay é bem transparente com seus pensamentos no livro e, com isso, descobrimos como ele acha que Alice é inferior e histérica por ser uma garota (mas ele gosta bastante de reforçar que ela é “deslumbrante”, o que dá bastante nojo) ou como ele pensa que Tom é um homem sentimental e frágil por ser gay. Além disso, Clay é um cara mimado, que reclama o tempo todo e acha que seus problemas são maiores que os dos outros e inclusive coloca o grupo em perigo por conta de sua busca pela família (na verdade, pelo filho, porque ele sempre pensa como a esposa podia muito bem estar morta e ótimo, mas o filho, o filho é sua preciosidade).

Com um protagonista desses, que além disso é nosso narrador (apesar de ser em terceira pessoa, nós acompanhamos a jornada de Clay, seus sentimentos e pensamentos, não os dos demais), fica bem difícil se afeiçoar e sentir empatia em algum momento, até mesmo pelos outros, já que a impressão de Clay é fraca e insuficiente para que possamos realmente nos conectar. Aparecem outros personagens interessantes no meio da história e que realmente agitam a história, mas fica só nisso, na aventura, sem uma real conexão emocional, e até mesmo em um momento crítico, em uma morte, não consegui me emocionar, simplesmente porque Clay também não consegue. E isso é muito frustrante, porque você o tempo todo enxerga o potencial do livro, da aventura, dos demais personagens, mas não consegue se conectar por causa do maldito protagonista.

Não sei qual foi a intenção de King, se foi alguma crítica social, se foi a expressão de seus pensamentos na época ou até se ele só queria contar essa aventura e pronto. Mas a escolha do protagonista foi péssima e eu só consegui chegar no final do livro porque estava intrigada com os mistérios, mas não porque me importasse com nenhuma daquelas pessoas. Já vi muita gente reagindo ao final (aberto), como ficaram morrendo de curiosidade, mas eu não consegui nem isso; ao chegar ao final, eu só queria me livrar de Clay, e não me importava nem um pouco com o que iria acontecer. De certa forma, é bem triste.

As três estrelas ficam por conta da aventura eletrizante, da ideia criativa que subverteu o tema zumbis e para alguns momentos brilhantes que realmente empolgaram no livro. Além disso, o livro tem o capricho da Suma, com uma edição confortável, bem traduzida e revisada, bem diagramada, com uma capa bacana e, claro, uma boa aquisição para se ter na sua estante de Stephen King. Mas, que ele tem livros muito, muito melhores, isso ele tem. Infelizmente, Celular decepciona por vários motivos, mas especialmente pelo protagonista pouco carismático e irritante.

Este livro foi gentilmente cedido para resenha pela Editora Suma, selo da Companhia das Letras.

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  • RUDYNALVA CORREIA SOARES disse:

    Karen e equipe!
    Desejo um novo ano de realizações, saúde e muito amor! Que possamos estar juntos em 2019 com boas leituras!
    “Que a paz, a saúde e o amor estejam presentes em todos os dias deste novo ano que se inicia. Feliz Ano Novo!” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

  • Isabela disse:

    Oi! Eu ainda não conheço a escrita do King mas vejo tantos elogios sobre as suas obras que fiquei bastante impressionada com a sua resenha. Um personagem como o Clay realmente não faz muito sentido, consigo imaginar como ele foi irritante. Também não sou muito chegada a finais abertos, então essa não seria uma leitura que eu faria, pelo menos não agora.
    Beijos

  • Andressa Ledesma disse:

    É a primeira resenha negativa que eu leio desse livro, e eu até gosto disso. Consigo entender os prós e contras da leitura, e na verdade me deixa ainda mais empolgada para conferir, sabe? Gostei da sua resenha.
    beijos

  • Nina Spim disse:

    Oi, tudo bem? Adorei sua resenha, pena que passo longe do gênero. Que pena que o protagonista é irritante. Não gosto de zumbis, por isso também não leio. Nem sabia da existência desse livro do autor, que pena ser tão decepcionante. Parabéns pela resenha 🙂

    Love, Nina.
    http://www.ninaeuma.blogspot.com

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