Resenha: Céu sem estrelas

Ficha técnica:

Nome: Céu sem estrelas

Autor: Iris Figueiredo

Páginas: 304

Editora: Seguinte

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Sinopse: Um romance sensível e envolvente sobre autoestima, família e saúde mental.
Cecília acabou de completar dezoito anos, mas sua vida está longe de entrar nos trilhos. Depois de perder seu primeiro emprego e de ter uma briga terrível com a mãe, a garota decide ir passar uns tempos na casa da melhor amiga, Iasmin. Lá, se aproxima de Bernardo, o irmão mais velho de Iasmin, e logo os dois começam um relacionamento.
Apesar de estar encantado por Cecília, Bernardo esconde seus próprios traumas e ressentimentos, e terá de descobrir se finalmente está pronto para se comprometer. Cecília, por sua vez, precisará lidar com uma série de inseguranças em relação ao corpo — e com a instabilidade de sua própria mente.

Eu fiquei bastante na dúvida se leria “Céu sem estrelas” tanto é que eu nem fiz o pedido no mês do lançamento. Eu gostei bastante da sinopse mas o meu receio foi que eu já tinha tentado ler o primeiro livro da Iris Figueiredo porém não consegui sair dos primeiros capítulos. Porém, com tantas resenhas positivas eu me perguntei “Por que não?” e tenho que dizer: não me arrependo nem um pouco de ter o lido, porque esse livro foi uma ótima surpresa.

Céu sem estrelas conta a história de Cecília, uma jovem que acaba de fazer 18 anos, está na faculdade e trabalha em uma livraria. Ou melhor, trabalhava, porque o enredo começa com ela perdendo o seu emprego. Com medo de desapontar ainda mais a mãe, ela mente sobre o fato até que o seu padastro descobre tudo. Elas tem uma briga enorme, a mãe a expulsa de casa e ao invés de ir ficar com a avó, ela vai para casa de uma das suas melhores amigas. Isso acaba a aproximando ainda mais de Bernardo, irmão de Iasmin, rapaz pelo qual ela tem uma crush enorme há muito tempo. Porém nada é tão fácil assim porque além dos problemas familiares, Cecília tem muitos problemas com ela mesma… Alguns que ela nem havia percebido até então.

Céu sem estrelas é um livro muito poderoso porque ele consegue abordar vários temas que ainda são considerados tabu principalmente para o público jovem adulto. Logo nas primeiras páginas nós já percebemos o primeiro deles: a gordofobia. A Cecília se descreve como gorda e nós podemos perceber muito de perto como que os comentários, às vezes até mesmo sem querer, acabam a machucando. E isso é muito importante: quantos livros vocês leram que a protagonista é gorda? Desse número, quantos deles a protagonista tem que emagrecer para ficar com o mocinho? (isso vale para filmes também). E esse é outro ponto sensacional desse livro: ele é narrado tanto pelo ponto de vista da Cecília como o do Bernardo e ele se sente atraído por ela da forma que ela é. Não tem nada dessa história de “Emagreci e agora todo mundo me quer”. Se vocês repararem na capa do livro, a silhueta da moça sentada na pedra não é magra (parabéns para a Editora Seguinte, que prestou atenção em todos os detalhes que são fundamentais para essa história). Mas não pensem que é só a gordofobia que é tratada nesse livro. Na verdade a Cecília é como um vulcão em erupção. Ela tem que enfrentar inúmeros problemas de uma só vez: problemas na faculdade e principalmente com a família. O relacionamento dela com a mãe não é fácil e aos poucos nós vamos descobrindo que essa ferida é muito profunda. Nós ficamos desesperados junto com ela porque nós percebemos que ela está em um buraco e que não consegue sair. Muito pelo contrário, ela só vai se afundando mais e mais… Como diz aquela expressão, eu queria colocar a Cecília em um potinho e a abraçar até que tudo ficasse bem.

Ultimamente nas minhas resenhas eu venho criticando muito sobre a estrutura do enredo e isso vale para livros nacionais e internacionais. Nesse caso a autora soube brilhantemente dividir exatamente a sua história. Céu sem estrelas é um livro direto, que flui muito bem e que tem as suas partes muito planejadas. Os personagens também foram muito bem descritos e são longe de serem perfeitos, o que só aumenta a credibilidade da história. Eu amei que a Cecília é sim amiga de uma menina superpopular. Em qualquer outro livro elas seriam inimigas, mas aqui elas tem inúmeras diferenças mas elas se amam e é isso o que importa. O Bernardo é uma voz muito importante no livro e é muito interessante perceber como ele vai conhecendo realmente a Cecília.

Céu sem estrelas é um livro que todo mundo deveria ler porque eu conheço poucas obras que tratam a saúde mental de uma forma tão real. Eu tinha lido algumas pessoas que disseram que ele é bem pesado e se nós pensarmos nos acontecimentos em si, ele pode ser encarado assim, porém a Iris soube dosar muito bem as partes pesadas com as partes leves do enredo. A minha impressão era que ela não queria chocar, ela queria mostrar que a pessoa que está do nosso lado e que aparentemente está bem pode estar passando por inúmeros problemas que a gente nem imagina… É tudo descrito de uma forma muito sensível. Ele é extramente importante para as pessoas que estão na faixa etária da Cecília (inclusive a autora fez uma nota bem informativa no final) mas ele deve ser lido por todo mundo, seja para entendermos melhor os adolescentes (às vezes nós esquecemos de como éramos nessa faixa etária) ou até para avaliarmos nós mesmos.

Enfim, Céu sem estrelas é um livro LINDO e que foi praticamente um presente ter lido essa história. Com certeza, sempre que eu encontrar um fusca azul, vou me lembrar dessa linda história…

Este livro foi gentilmente cedido para resenha pela Editora Seguinte, selo da Companhia das Letras.

 

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  • Camila de Moraes disse:

    Olá!
    Ahh a cada vez que eu leio uma resenha desse livro me animo ainda mais com a história e sei que vou me emocionar com o enredo, sobre tantos temas importantes e os dramas que a autora trabalhou com a personagem Cecília. Como comprei o livro recentemente, espero conseguir ler ainda nesse mês de outubro.
    Beijos!

  • Carolina Durães de Castro disse:

    Oi Lany, tudo bem? Ainda não li esse livro, mas anotei a dica. Gosto muito de protagonistas imperfeitos, pois é algo com que consigo me relacionar. Acho que quando o autor trabalha bem seus problemas, medos e neuras, o leitor consegue formar um vínculo emocional com eles.
    Bjkas

  • Camila - blog Leitora Compulsiva disse:

    Oi, Lucy.
    Apesar de toda a sua empolgação e dos elogios ao livro, esse tipo de trama não tem me cativado ultimamente. Estou com um pouco de preguiça de histórias sobre dramas adolescentes… É a velhice chegando mesmo!
    Beijos
    Camis – blog Leitora Compulsiva

  • Lany disse:

    Eu também estou no nível de “velhice chegando” e alguns dramas adolescentes estão me irritando mais do que o normal hahaha. Mas nesse livro, apesar do público ser jovem, a forma com que ele é trabalhado na verdade poderia acontecer em qualquer idade (tirando é claro em alguns pontos, como a faculdade e tal).

  • Vitoria Doretto disse:

    Oi! Esse tá na minha lista do ano! haha Só tenho lido resenhas positivas sobre esse liro da Irís e menina, fico muito feliz que é um consenso de que os personagens e a trama é bem encaixadinha. Eu acho extremamente importante que tenhamos cada vez mais histórias que tratem não só da gordofobia, mas de vários outros temas que envolvem a nossa saúde mental porque serve não apenas para abrir os olhos, mas para nos mostrar que não estamos sozinhos no que estamos passando. Beijos!

  • Aline M. Oliveira disse:

    Olá! Não sabia o que esperar do livro, a temática é maravilhosa e já imagino que deve ser bem revoltante acompanhar as situações que a protagonista enfrenta por conta de ser “acima do peso”, adorei de verdade a autora ter trabalhado nisso pois na sociedade há uma cobrança enorme e absurda com a tal busca do corpo perfeito. eu sei bem, pois desde a adolescência sou gorda, e vejo como isso interfere de uma maneira bem sentido na vida da gente. Adorei conhecer mais da premissa e seus personagens e a edição realmente parece estar impecável. Já vai pra lista, tenho certeza que vou me emocionar.

    Bjoxx ~ http://www.stalker-literaria.com

  • Marijleite disse:

    Olá, eu li esse livro recentemente e amei conferir suas considerações. Não tinha reparado nisso de ela ser amiga da garota superpopular, mais um acerto da Íris. Gostei muito da diversidade presente na obra e dos temas abordados pela autora.

  • Ivi Campos disse:

    Eu comprei esse livor na bienal e ainda não li, mas não foi por falta de indicações e elogios e tenho certeza que será uma leitura que me fará refletir, sentir e que sairei diferente ao final dela. Valeu pela dica
    Beijos

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