Resenha: Cidade dos Etéreos

O primeiro livro dessa série, O Lar das Srta. Peregrine para Crianças Peculiares (resenha aqui) foi muito bom. Mas esse é um daqueles casos raros em que o segundo livro da série é ainda melhor. Em Cidade dos Etéreos nós temos os mesmos personagens peculiares que nos encantaram no primeiro volume (e alguns novos) e o mesmo ar de fantasia, mas há muito mais aventura, mistério e cenas emocionantes que no primeiro. As crianças enfrentam uma dura jornada de amadurecimentos e nós, leitores, também. Uma história que envolve e angustia na mesma proporção, deixando-nos sedentos pelo final dessa aventura.

Obs.: essa resenha pode conter spoilers do primeiro livro da série.

CIDADE_DOS_ETEREOS_1452788397336018SK1452788397B“Cidade dos Etéreos dá sequência ao celebrado O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares, em que o jovem Jacob Portman, para descobrir a verdade sobre a morte do avô, segue pistas que o levam a um antigo lar para crianças em uma ilha galesa. O orfanato abriga crianças com dons sobrenaturais, protegidas graças à poderosa magia da diretora, a srta. Peregrine.
Neste segundo livro, o grupo de peculiares precisa deter um exército de monstros terríveis, e a srta. Peregrine, única pessoa que pode ajudá-los, está presa no corpo de uma ave. Jacob e seus novos amigos partem rumo a Londres, cidade onde os peculiares se concentram. Eles têm a esperança de, lá, encontrar uma cura para a amada srta. Peregrine, mas, na cidade devastada pela guerra, surpresas ameaçadoras estão à espreita em cada esquina. E, além de levar as crianças a um lugar seguro, Jacob terá que tomar uma decisão importante quanto a seu amor por Emma, uma das peculiares.
Telecinesia e viagens no tempo, ciganos e atrações de circo, malignos seres invisíveis e um desfile de animais inusitados, além de uma inédita coleção de fotografias de época — tudo isso se combina para fazer de Cidade dos etéreos uma história de fantasia comovente, uma experiência de leitura única e impactante.” Fonte

Cidade dos Etéreos começa exatamente de onde terminamos em O Lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Após um ataque de etéreos e acólitos ao refúgio dos peculiares, no qual Jacob e seus amigos conseguiram resgatar a Srta. Peregrine e fugir da ilha, as crianças estão viajando em barcos para longe de Cairholm, em busca de uma cura para sua diretora, que está permanentemente na forma de uma ave. Jacob decide abandonar sua própria era, sua vida anterior e seus pais para ajudá-los; com sua habilidade rara de sentir e ver os etéreos, o grupo deposita uma enorme esperança nele, mas Jacob se sente inexperiente e apavorado com a situação. Mesmo assim, eles seguem em frente, apesar dos perigos e adversidades.

É muito interessante ver como as crianças se unem em um grupo por um motivo comum. É também muito bom ver que, apesar de Jacob ser o protagonista, todos elegem Emma naturalmente como líder e é ela quem toma as decisões mais importantes na história e, junto com Bronwyn, protege o restante do grupo. Nesse livro, nós convivemos e conhecemos mais as crianças peculiares e são elas as donas de suas próprias histórias e aventuras. São elas que precisam salvar sua diretora e enfrentar os inimigos e perigos. E todos ajudam, todos contribuem e mostram seu valor, de uma maneira ou de outra, e ler essa jornada de aventuras, crescimento e amadurecimento desses personagens me deixou muito satisfeita.

Aliás, talvez seja exatamente por este motivo – e pelo fato de que o livro inteiro é uma aventura empolgante, cheia de descobertas e sem quase nenhuma pausa para respirar – que eu gostei mais deste livro do que o primeiro. Na obra anterior, estávamos conhecendo aquele mundo junto com Jacob, que duvidava de si mesmo e de sua sanidade, e as crianças estavam sob a tutela da Srta. Peregrine, tratados como frágeis, indefesos e submissos. Porém, agora, elas precisam se virar sozinhas e amadurecer para salvar a própria Srta. Peregrine. Todos precisam confiar em si e uns nos outros e, a todo instante, precisam se provar, utilizando suas habilidades e inteligência para passar pelos perigos.

cidadeetereos

A aventura não para, intercalada apenas com as descobertas incríveis – como a dos Contos Peculiares, que acabou virando também um livro da série -, mas também por interações e cenas emocionantes, de arrancar lágrimas do leitor. Cada personagem é especial e único. Os cenários se intercalam, cada um mais criativo que o outro, mas o principal é o ano de 1940, em plena Segunda Guerra Mundial, uma época terrível e dolorosa da nossa história. A leitura segue um ritmo sôfrego, sem pausas para respirar, e logo você se vê no final, ansioso por chegar à conclusão e ler o último livro da série, Biblioteca de Almas.

A edição, como a anterior, é maravilhosa. Uma capa dura lindíssima, com uma capa removível. Preferi ler sem ela e, pessoalmente, gosto mais da série sem essas capas, apenas na capa dura mesmo. Dentro, a diagramação é impecável, sem erros, com uma fonte confortável, detalhes em todas as páginas e, claro, as incríveis fotos peculiares, nas quais o autor se baseou para criar sua história. Aliás, o processo criativo de Ransom Riggs, descrito na entrevista do final do volume, é um dos mais curiosos que já encontrei; o primeiro livro inteiro foi feito a partir das fotos enquanto o segundo foi moldado por elas.

Cidade dos Etéreos não é simplesmente a segunda obra de uma série, uma obra de interligação, como costumamos ler. É muito mais que isso. É um livro único, especial, com uma história emocionante e uma aventura eletrizante, da qual você não vai conseguir desgrudar. Essa série é mesmo peculiar (e fantástica!).

Este livro foi gentilmente cedido para resenha pela Editora Intrínseca.

Ficha Técnica:

Título: Cidade dos Etéreos
Autor: Ransom Riggs
Editora: Intrínseca
Páginas: 384
Onde comprar:  Livraria Cultura / Amazon / Saraiva / Livraria da Folha / Livraria da Travessa / Submarino / Shoptime
Avaliação: 

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