Resenha: Conectadas

Ficha técnica:

Título: Conectadas

Autora: Clara Alves

Páginas: 320

Editora: Seguinte

Compre aqui

Lany: Karen:

Sinopse: Ser uma garota gamer não é fácil. Principalmente quando um romance está em jogo.

Raíssa e Ayla se conheceram jogando Feéricos, um dos games mais populares do momento, e não se desgrudaram mais ― pelo menos virtualmente. Ayla sente que, com Raíssa, finalmente pode ser ela mesma. Raíssa, por sua vez, encontra em Ayla uma conexão que nunca teve com ninguém. Só tem um “pequeno” problema: Raíssa joga com um avatar masculino, então Ayla não sabe que está conversando com outra menina.

Quanto mais as duas se envolvem, mais culpa Raíssa sente. Só que ela não está pronta para se assumir ― muito menos para perder a garota que ama. Então só vai levando a mentira adiante… Afinal, qual é a chance de as duas se conhecerem pessoalmente, morando em cidades diferentes? Bem alta, já que foi anunciada a primeira feira de Feéricos em São Paulo, o evento perfeito para esse encontro acontecer.

Em um fim de semana repleto de cosplays, confidências e corações partidos, será que esse romance on-line conseguirá sobreviver à vida real?

Eu vou começar essa resenha pelo final: Conectadas foi um dos melhores livros que eu li esse ano e ele é tão especial que nós iremos fazer uma resenha dupla, já que eu e a Karen tivemos a oportunidade de fazer essa leitura. Sim!!! (Karen falando aqui) A história é linda e uma delicinha. Com personagens incríveis e reais e uma trama ágil e contagiante, a autora conduz o leitor numa aventura empolgante tal qual um game épico. Li, ri, me apaixonei, me emocionei. Sério, leiam esse livro maravilhoso.

Conectadas conta a história de Raíssa e Ayla que se reconheceram por causa de um game: Feéricos. Todo mundo que joga sabe que o mundo dos games é totalmente machista. Depois de vários problemas que faziam com que ela não conseguisse ajuda para conseguir evoluir no jogo, Raíssa resolve fazer um avatar masculino. Era muito mais fácil fingir ser um hoem e é assim que ela conhece Ayla. Como com todas as outras pessoas, ela não conta a verdade. O que ela não esperava era ter uma conexão tão grande com Ayla – que se tornam amigas rapidamente. Aliás, mais do que amigas, porque Raíssa começa a se apaixonar por ela enquanto continua alimentando a mentira. Tudo fica ainda mais complicado quando surge a oportunidade de se encontrarem em uma feira da empresa responsável pelo Feéricos… O que fazer? Continuar com a mentira? Contar a verdade?

~ Dica: acompanhe nosso Instagram e fique por dentro das resenhas e indicações em primeira mão! ~

Durante alguns anos, eu li bastante livros “Young Adults” (traduzido como jovem adulto mas que muitas pessoas ainda chamam pela sigla YA) só que depois de um tempo eu simplesmente cansei. Eu não sei se foi um problema meu porque eu me distanciei muito da idade dessas protagonistas, mas na maioria dos livros elas estavam me irritando profundamente. Eu resolvi dar uma chance para Conectadas porque ele é um livro LGBTQIA+ e uma das minhas metas de 2019 foi ler mais livros que tivessem uma diversidade maior de personagens, seja por causa da sua etnia ou sexualidade. E eu fico muito feliz por ter feito isso porque Conectadas é um livro maravilhoso em muitos aspectos e por isso é até difícil colocar em palavas o quanto que eu gostei desse livro. Acho que eu entendo o sentimento da Lany aqui, porque eu também cansei de alguns YAs. Mas o que comecei a fazer nos últimos anos – meio que sem perceber -, foi ler apenas YAs escritos por autores brasileiros; sério, gente, é outra energia! Sei lá, a gente realmente se sente mais conectada (batumtss!). Talvez porque nos remete à nossa adolescência e não uma importada? Não sei. Mas os YAs BR estão arrebentando, recomendo que acompanhem os lançamentos, inclusive os que exclusivos em e-book, porque até agora só li histórias maravilhosas.

Primeiro, as protagonistas são adolescentes típicas. Elas tinham inúmeras dúvidas, elas erravam, elas acertavam, em alguns momentos eu fiquei “NÃO FAÇA ISSO”, mas elas não me irritaram durante a leitura. A Raíssa, a Ayla e o Leo são muito reais e esse foi um dos principais motivos para que a leitura fosse tão prazerosa. Eu fiquei preocupada com os personagens e em como eles iriam resolver os seus conflitos porque eu senti como se eles fossem meus amigos.  Nesse livro também nós temos a presença muito marcante dos pais dos personagens. Em muitos YA é feito a crítica de que os pais quase não aparecem já que nessa faixa etária normalmente eles tem uma presença muito marcante. Conectadas não tem esse problema. Acho que isso é outro toque brasileiro mesmo; aqui a gente tem uma conexão enorme com a família, com os pais, e isso não se perde, nem mesmo quando somos adultos, então a influência e presença deles na adolescência é enorme. E os autores nacionais sabem como falar disso, é tudo muito natural!

O outro motivo que faz com que Conectadas seja especial é exatamente os temas que ele aborda. O primeiro e mais evidente é claro sobre a sexualidade e como um adolescente, que já está em uma fase muito conturbada, consegue lidar (ou não) com isso. Mas ele também passeia por outros temas que são importantíssimos, como o machismo em jogos (que aliás é o que começa todo o enredo desse livro), a própria formação de uma amizade virtual e se ela é realmente relevante, a relação entre os jovens hoje em dia e os pais… E tudo sem parecer que está sendo dada uma lição. Nós aprendemos vivendo e é assim que acontece com os personagens.

A estrutura do livro também é bastante interessante: ele tem a narração alternada entre a Raíssa e a Ayla. Entre os capítulos nós temos trechos de conversas entre as duas que aconteceram desde quando elas se conheceram. Eu achei isso maravilhoso porque além dos acontecimentos recentes nós temos as provas de tudo o que aconteceu anteriormente, ficando muito mais claro os sentimentos das duas. Como a Lany disse, a gente sente como se os personagens fossem nossos amigos, e essa proximidade das duas narradoras contribui bastante nesse sentido. É muito legal ver algo acontecer e depois a visão da outra personagem. Tudo é construído de maneira muito natural e divertida, tanto que no final dá maior saudade e a gente quer abraçar todo mundo no livro.

Também preciso dizer que, pra mim que sou de São Paulo (não da cidade, mas sempre vou muito lá pra eventos e tals) foi MUITO bacana ler grande parte da história se passando ali, no pavilhão de eventos que eu sempre visito, e em lugares que eu adoro como o bairro da Liberdade, por exemplo. Parecia um passeio com duas grandes amigas (enquanto eu torcia para que elas se beijassem e ficassem juntas).

Um dia desses eu vi no twitter o autor Vitor Martins (aliás LEIAM OS LIVROS DELE) comentando que a literatura precisa de mais livros LGBTQIA+ que sejam romances que representem casais da vida real, que façam com que os leitores sonhem que eles também vão ter um final feliz e Conectadas é exatamente isso. Porque todo mundo precisa de finais felizes, né, gente? Leiam esse livro delícia, sério. Vocês vão terminar com muito amor no coração e um sorriso enorme no rosto.

Este livro foi gentilmente cedido para resenha pela Seguinte, selo da editora Companhia das Letras

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...


  • Lilian de Souza Farias disse:

    Não conhecia o livro e parece fofinho, eu já li YA há alguns anos, mas depois parei porque realmente não é para mim, às vezes, quando dá, pego algo e até me surpreendo. Ano passado, me joguei em livros infantis e amei a experiência. Conectadas parece um livro adolescente legal e aprecio livros que tragam a sexualidade do adolescente.

  • Ana Caroline disse:

    Olá, meninas.

    Eu tenho visto bastante a respeito desse livro nas redes sociais, o que me chama mais a atenção nele é justamente por trazer personagens diferentes do que estão sendo abordados ultimamente.
    Uma coisa que vocês citaram que me chamou a atenção foi essa dos livros do YA brasileiros serem melhores, não sabia disso, vou começar a me aprofundar mais nesse gênero!

  • Larissa Dutra disse:

    Olá, tudo bem? Esse livro parece ser mesmo muito bom, vejo falarem bastante dele – e só coisas boas! Tenho bastante vontade de ler, pois parece ser uma leitura bem fofa. Adorei a resenha!

    Beijos,
    Duas Livreiras

  • Lana Silva disse:

    Quando vi esse livro eu não imaginava que se tratava de um romance LGBTQQ+, principalmente porque a capa parece que representa duas crianças. Mais enfim e um livro adolescente. Pois bem, esse ano li vários romance do gênero e me apaixonei. Portanto após ler tantas descrições positivas e claro que me interessei pela leitura desse livro. Já vou inclui na lista de desejados.

  • Camila - Leitora Compulsiva disse:

    Olá, meninas!
    Gostei muito da resenha de vocês e me diverti lendo a opinião dupla! Rs…
    Eu vi muitos elogios a esse livro, mas já sei que não é o tipo de história que eu vá curtir. Já estou meio cansada de livros de adolescentes e os últimos que eu li me deixaram tão irritada que percebi que não vale mais a pena para mim!
    Vou anotar a dica para indicar para algumas pessoas que imagino que irão gostar!
    beijos
    Camis – blog Leitora Compulsiva

  • Diane Ramos disse:

    Olá…
    Adorei a sua resenha!
    Esse livro está na minha lista de desejados e estou simplesmente loooooouca pra ler! Seus comentários a respeito me fizeram desejar a leitura ainda mais…
    Bjo

    http://coisasdediane.blogspot.com/

  • Ivi Campos disse:

    Achei a premissa desse livro muito original, além de siper bem contextualizada porque essa realidade de games on line e pessoas reais por trás das telas é muito atual. Tenho vontade de ler.
    Beijis

  • Luna disse:

    É maravilhoso saber que a experiência de leitura de vocês foi tão boa, que superou suas expectativas e se tornou um dos melhores livros.

    Todavia, eu leio pouquíssimo Young Adult e esse universo de games não é para mim, não curto muito as histórias que têm esse tema no meio. Acho que nunca vou conseguir gostar desses jogos mais atuais.

    Mas é legal saber que a autora se preocupou em contar uma história mais real, para provocar identificação e fazer os leitores se sentirem representados.

  • Giovana Diniz Soares disse:

    Oii, tudo bem?
    Eu ainda não conhecia esse livro e devo que fiquei apaixonada pela premissa dele. A historia parece ser muito real e aborda temas muito atuais, fico muito feliz que você tenha gostado e pode ter certeza que o livro esta na minha listinha de desejados.

  • Jéssica disse:

    Oi Lany! Ahh que bom que o livro te surpreendeu e a história ficou além do que esperava. Sempre bom quando um livro marca o ano, mas como YA realmente não é pra mim acho que a história não funcionaria tão bem assim comigo

  • Tay Meneses disse:

    Cheguei a folhear esse livro um dias desses e quase comprei, só não trouxe ele pra casa porque quero terminar de ler primeiro oa que tenho antes de sair comprando mais. Não sabia que ele era nacional, talvez se soubesse teria o adquirido mesmo assim. Também não sabia que era um romance LGBTQ+ , senão o teria pego, estou lenso um que estou amando e sempre vejo elogios a esse tipo de romance, fica até fácil entender por que. Esse livro acabou de ir para o topo de futuras aquisições. Ah, e adorei a resenha dupla, inovador!

  • Yvens Castr4o disse:

    Olá, tudo bem?

    Eu não conhecia esse livro, é realmente uma novidade para mim. Eu gostei da sua resenha, ficou bem escrita e organizada, mas infelizmente o livro não me despertou muita atenção, eu não curto muito romances. Fica para a próxima!
    Abraço!

  • Pollyanna Campos disse:

    Olá, tudo bom?
    Não conhecia esse livro, mas confesso que fiquei muito interessada na leitura! Curti a abordagem de machismo em jogos! Na maior parte do universo geek ainda existe muuuuito machismo, mas nos jogos parece que a coisa piora em níveis absurdos! Curti muito saber que acaba rolando uma identificação e proximidade com as personagens, adoro isso! Também acredito que os YA’S brasileiros nos envolvam mais por estarem mais perto de uma realidade que já vivemos <3 Adorei a resenha e já anotei a sugestão de vocês!
    Beijos!

  • CRIS disse:

    Oi!
    Não conhecia esse livro, mas sua resenha me fez ter os mesmos sentimentos que torce e apoia um final feliz. A trama perece ser bem real e nessa época que estamos vivendo, então a conexão é bem rápida com a história, parabéns pela resenha, vou anotar a dica, assim que der irei ler também. Bjs!

  • Delmara Silva disse:

    Olá, iniciei a leitura desse livro um pouco antes dele ser lançado e embora a narrativa tenha fluido bem não consegui me conectar aos personagens e aos seus dramas. Talvez por não me interessar tanto pelo assunto principal, jogos e cosplays, mais voltado para o público nerd. Sinto que se o assunto de interesse dos personagens fosse outro, eu teria me ligado mais a história. Mesmo assim pretendo terminá-lo em algum momento.

    Abraços!
    Nosso Mundo Literário

  • Grazielli disse:

    Oie amore,

    Não conhecia o livro, de primeiro momento não me interessei – porque não curti muito a capa, mas…
    Ao ver sua empolgação, confesso que fiquei interessada em conhecer.
    Gosto dessas histórias que envolvem amizades.
    Dica anotada oir aqui!

    Beijokas!

PREENCHA OS CAMPOS ABAIXO PARA DEIXAR SEU COMENTÁRIO




Mensagem