Resenha: Coraline

“A história de Coraline é de provocar calafrios. Ao mesmo tempo sutil e cruel, o autor gosta de desafiar as imagens simples dos livros infantis tradicionais. No livro, a jovem Coraline acaba de se mudar para um apartamento num prédio antigo. Seus vizinhos são velhinhos excêntricos e amáveis que não conseguem dizer seu nome do jeito certo, mas encorajam sua curiosidade e seu instinto de exploração. Em uma tarde chuvosa, a menina consegue abrir uma porta que sempre estivera trancada na sala de visitas de casa e descobre um caminho para um misterioso apartamento ‘vazio’ no quarto andar do prédio. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado, e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus “outros” pais. Na verdade, aquele parece ser um “outro” mundo mágico atrás da porta. Lá, há brinquedos incríveis e vizinhos que nunca falam seu nome errado. Porém a menina logo percebe que aquele mundo é tão mortal quanto encantador e que terá de usar toda a sua inteligência para derrotar seus adversários.” Fonte

Coraline foi minha iniciação na obra de Neil Gaiman. Podem me censurar por nunca ter lido nada dele, mas é um fato e eu escolhi esse livro para começar. E que começo!

Sempre que lia algo sobre essa história, minha curiosidade se aguçava. Em alguns lugares vi dizerem se tratar de literatura infantil, que de infantil, meus caros, não tem quase nada – talvez, exceto, a imaginação, que costuma ser algo abundante nas histórias para crianças e é algo que sempre me atrai. Esse livro na verdade é uma história de terror muitíssimo inteligente e criativa. Lembra um pouco sim Alice no País das Maravilhas, por ser tão alternativa, porém (apesar de Alice também ter alguns elementos assustadores) Coraline é bem mais aterrorizante.

Como se pode ler na sinopse, Coraline é uma menina inteligente, corajosa e exploradora, até mesmo inquieta, que sempre está pronta para descobrir coisas novas. No seu novo apartamento, há uma porta trancada, que sua mãe diz ser uma falsa porta, com uma parede atrás dela. Mas quando Coraline abre essa porta, descobre um corredor escuro e, depois dele, uma casa igual à sua, onde tudo era melhor: os brinquedos e a comida, mas também havia seus outros pais, que apesar de parecerem no início muito carinhosos e atenciosos, eram bastante sinistros. Um ponto que eu achei de um terror sem igual foi que os olhos dos seus outros pais (os olhos são sempre um elemento aterrorizante) eram costurados com botões negros e brilhantes. E era exatamente esse o preço que a “outra” mãe de Coraline disse à menina que ela deveria pagar para continuar naquela casa.

Quando Coraline volta à sua casa de verdade, descobre que seus pais verdadeiros desapareceram. Ela logo liga uma coisa a outra e percebe que seus pais foram sequestrados – e pela sua “outra” mãe. Ela retorna à outra casa e propõe um jogo à outra mãe, um jogo de exploração, para resgatar seus pais e as almas de outras crianças que foram presas naquela casa. Coraline também conta com a ajuda de um gato (Ah, que lindo, um gatinho! Quando vi isso percebi que já estava completamente arrebatada pela história – um gatinho!) muito inteligente, que no lado real não fala, porém no “outro lado” fala e bastante.

A história toda é conduzida de maneira simples, mas com um terror crescente nos pequenos detalhes, como as descrições da outra mãe e seus jogos de palavras sutis, os ratos no outro quarto de Coraline, o ambiente às vezes opressivo, as almas das crianças presas  em objetos e outras coisas sinistras (algo que achei horrível), o “outro” pai de Coraline – que se mostra na verdade outra vítima nas mãos da malévola “outra” mãe da menina.

A própria Coraline é uma personagem fantástica, em todos os sentidos. Ela é a típica menina esperta, inteligente, curiosa e destemida (porém, ainda temendo o que se deve temer, o que é uma qualidade dos destemidos de verdade). Certamente, a sua personagem, junto com a do gato, são os mais queridos e interessantes do livro (mas a “outra” mãe também tem seu destaque e é muito bem escrita, no seu papel de vilã absoluta).

Coraline é leitura obrigatória para quem gosta de uma boa fantasia e, principalmente, de terror. Eu diria até que é leitura obrigatória para quem gosta de ler. Todos os capítulos são belamente ilustrados e o leitor sempre fica curioso quando vê o desenho e imagina qual cena ele representará. Mas não sei se é um livro que eu daria para um filho meu ler… pelo menos não até certa idade. Em vários momentos, Neil Gaiman é de gelar os ossos.

Ficha Técnica

Título: Coraline
Autor: Neil Gaiman
Editora: Rocco
Páginas: 160
Onde comprar: Livraria Cultura
Avaliação: 

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  • Rita Neves disse:

    Olá! Adorei tua resenha! Esse também foi meu primeiro Neil Gaiman, e me conquistou totalmente, tornou-se um de meus livros preferidos. Eu vi o filme e achei que não conseguiu transmitir todo a tensão do livro. Como quando Coraline abre a porta misteriosa e diz que de lá vem o cheiro de alguma coisa muito velha e muito lenta, não tem como colocar isso num filme! E a cena assustadora de ficar presa atrás de um espelho, num lugar totalmente escuro, com fantasmas! Eu fiquei impressionada como pode um livro tão pequeno conter uma história tão magnífica! Infelizmente, não consegui convencer meus filhos a ler. Minha filha gosta de ler, mas não gosta de terror. Meu filho gosta de terror, mas não gosta de ler. Eu sinceramente gostaria de ter lido quando criança, histórias assustadoras sempre me atraíram. Ah, eu também amei o gato, com certeza um personagem incrível! Leitura altamente recomendável, para todas as idades!

  • Karen disse:

    Olá Rita! 🙂
    Então Coraline foi seu primeiro Neil Gaiman também? Pois é, eu precisava conhecê-lo e fiz uma ótima escolha.
    Vou procurar o filme para tirar minhas impressões, mas acredito em você: dificilmente um livro consegue passar certas tensões e emoções em um livro. Realmente é aterrorizante “o cheiro de alguma coisa velha e lenta”… É uma figura muito forte. E eu fiquei horrorizada com os botões costurados nos olhos, argh! Tem muita coisa impressionante nesse livro.
    Ah, eu também gostaria de ter pego um livro desses quando pequena… Eu acho difícil discernir o que a gente deve ou não passar pros nossos filhos em termos literários. Na verdade acho que depende da gente conhecê-los mesmo, né. Eu ainda não tive filhos, mas acho que só vou ter o feeling quando os conhecer. Uma pena que seu filho não goste de ler… nenhum jeito de convencê-lo?
    Eu adoro o gato! E eu adoro gatos!!! *_*

  • Lucy disse:

    Eu assisti o filme Coraline, mas ainda não li o livro – embora o tenha comigo.
    Eu achei bastante assustador, mesmo que tenham feito como animação. rsrs Já o meu primeiro Neil Gaiman foi Stardust, que adorei!

  • Bruu Gonçalves disse:

    Se eu disser que tenho medo vou ser julgada? hahaha eu quero tanto ler, o filme é maravilhoso, e a resenha incrivel, todas as avaliações são boas, mas eu fico com medo, pior que de filme de terror!

  • Resenha Dupla: Os Filhos de Anansi « Por Essas Páginas disse:

    […] Oi, eu também li esse livro!) já tinha lido outras obras do Gaiman. Obras MUITO boas, como Coraline e alguns contos, inclusive de Doctor Who (isso sem contar alguns episódios épicos que ele […]

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