Resenha: Cujo

Como resistir a um livro do Stephen King? Para mim, isso não existe. Se um livro dele cai na minha mão, eu leio. Ah, e eu tenho uma pequena biblioteca dele aqui em casa – ainda não lida – para quando livros novos não aparecem (o que é difícil) e então eu vou lá e escolho mais um para ler. Enfim, o fato é que quando a Suma de Letras republicou Cujo nessa nova edição – capa dura linda! -, ficou mesmo impossível resistir. E eu ainda não tinha lido Cujo, só assistido à adaptação (aliás, de longe, o livro é mil vezes melhor, detestei o filme). Mergulhei de cabeça no livro e foi uma jornada tensa, assustadora e maravilhosa – prepare-se para seu coração em pedaços.

cujo-stephenking“Frank Dodd está morto e a cidade de Castle Rock pode ficar em paz novamente. O serial-killer que aterrorizou o local por anos agora é apenas uma lenda urbana, usada para assustar criancinhas. Exceto para Tad Trenton, para quem Dodd é tudo, menos uma lenda. O espírito do assassino o observa da porta entreaberta do closet, todas as noites. Você pode me sentir mais perto… cada vez mais perto. Nos limites da cidade, Cujo – um são Bernardo de noventa quilos, que pertence à família Camber – se distrai perseguindo um coelho para dentro de um buraco, onde é mordido por um morcego raivoso. A transformação de Cujo, como ele incorpora o pior pesado de Tad Trenton e de sua mãe e como destrói a vida de todos a sua volta é o que faz deste um dos livros mais assustadores e emocionantes de Stephen King.” Fonte

Cujo é o nome o de um são-bernardo simpático e enorme, mas muito manso. Mas como assim, ele não era uma fera? Não. O coitado só pegou raiva. E essa abordagem, muitas vezes levando o leitor para dentro da cabeça do cachorro, é um dos diferenciais da obra. Você sabe como Cujo pensa, antes e depois da raiva, e isso torna tudo mais triste e penoso.

O começo do livro, como geralmente acontece com King, é um pouco mais moroso e dedicado a apresentar seus personagens, seus problemas, suas vidas. É o momento em que, naturalmente – pelo menos eu – leio o livro um pouco mais devagar, às vezes até o deixo de lado para fazer outra coisa. Dessa vez, porém, talvez por termos vários personagens, mas menos que em obras como por exemplo A Dança da Morte, essa apresentação dura menos e é um pouco mais interessante. O que importa é que não demora muito, a ação começa e, antes mesmo que Cujo seja infectado, você já está envolvido com os personagens e com outras tramas que vão fazer toda a diferença na história.

Mas então… o pobre Cujo é tomado pela raiva. E aí as coisas realmente esquentam.

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Clique na foto acima para assistir um pequeno vídeo sobre a edição

Claro, não vou contar spoilers aqui, fiquem tranquilos. O fato interessante aqui é que esse é um dos livros mais violentos e, ironicamente, ao mesmo tempo com mais terror psicológico de todas as suas obras. Quando Cujo ataca… bem, é simplesmente cruel. As descrições são bastante gráficas e é impossível não ficar horrorizado. Mas, ao mesmo tempo que toda essa violência acontece, você também sente o medo real e brutal que as pessoas sentem e, ainda por cima, você sente como o cachorro está se sentindo, o que ele pensa naqueles momentos e, principalmente, como ele também está sofrendo. É terrível. E toda a sequência de tensão que dura quase o livro todo, especialmente com dois personagens muito importantes, é completamente claustrofóbica.

O medo é maior nos intervalos entre a violência que nos momentos brutais propriamente ditos. É como se você estivesse o tempo todo na borda de um precipício. Você fica tenso o tempo inteiro e, quando não está, você fica com absoluta pena dos personagens, até mesmo dos que não são pessoas muito legais (ok, nenhum é perfeito, mas ainda há os que são pessoas bastante detestáveis, e você se compadece até mesmo deles). A narração é completamente envolvente e, quando você chega em certa parte do livro, é impossível largar e você abandona tudo o que estiver fazendo para terminar de ler.

Uma das melhores coisas, para mim, nessa obra, foi que o sobrenatural é muito leve na história e você, leitor, pode até mesmo se escolher se ele existe ou não. Somente um cão com raiva ou talvez algo mais sinistro? No final, não importa, mas é interessante ver como King brinca com isso e mexe com sua cabeça. Outra coisa fantástica é ver como a escrita dele tem suas diferenças nas suas obras mais antigas, mas nunca perde sua essência. Eu adoro Stephen King de toda maneira, mas estou gostando bastante das obras recentes dele, mais maduras. Porém, é muito bom ver como as obras antigas, ainda assim, não perdem seu brilho.

“Cujo olhava para o MENINO e não o reconhecia mais: não reconhecia o rosto, nem os tons das roupas (ele não conseguia ver exatamente cores, não da forma como os humanos viam) nem o cheiro. O que via era um monstro de duas pernas.” Página 116 e 117

E o final? Surpreendente. Digamos que eu esperava, mas também não esperava que isso acontecesse. Foi tão… cruel! Um dos finais mais tristes e melancólicos de Stephen King, com toda certeza. Mas quando você pensa, não tem como ser de outra maneira. Outro final correria o risco de deixá-lo um livro banal e, com esse desfecho, King torna seu livro uma obra emocionante e inesquecível.

Nem preciso dizer o quanto essa edição é fantástica, né? Capa dura lindíssima, com o detalhe da pata de Cujo afundada na primeira capa. Diagramação caprichosa, que contribui para o leitor não querer largar o livro. Aliás, a própria experiência de ler o livro nessa edição ajuda tudo a ficar melhor; o peso confortável do livro nas mãos, as páginas que se abrem direitinho. E, no final, ainda tem várias páginas bônus com uma entrevista com Stephen King (você já leu uma entrevista com ele? Até hoje não li ou vi nenhuma que não fosse incrível; o fluxo de pensamento e criação desse cara é fantástico!). Há, inclusive, uma pergunta muito interessante, em que King explica que Cujo não foi originalmente concebido para ser como é – um capítulo único no livro inteiro -, mas que ele acabou fazendo o livro assim para que o leitor sentisse o impacto da obra como um tijolo jogado pela janela. Bem, não é nem um tijolo jogado pela janela, é mais um tijolo jogado na sua cara!

Impossível não se emocionar por esta história e se apaixonar por esta edição de Cujo. Imperdível para os fãs de Stephen King, mas imperdível também para fãs de uma boa literatura de terror.

Livro gentilmente cedido para resenha pela Suma de Letras, selo do Grupo Companhia das Letras.

Ficha Técnica

Título: Cujo
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 376
Onde comprar: Livraria Cultura / Amazon / Saraiva / Livraria da Folha / Livraria da Travessa / Submarino / Shoptime
Avaliação: 

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  • Douglas Fernandes disse:

    Sou um fã de carteirinha do mestre King tb, já li Muitos livros, incluindo a famosa saga A torre negra, fantastico, sem palavras pra descrever tamanha genialidade do escritor, e igual a você, sempre que vejo algum livro dele eu já me interesse antes mesmo de ler a descrição, e agora lendo essa resenha maravilhosa só posso dizer que esse livro já entrou na minha lista!

  • Milena Soares disse:

    Estou doida pra ler esse livro, curto muito o mestre Stephen King, parece ser bem emocionante e cada resenha que leio dele me deixa ainda mais ansiosa em conferi essa história que parece maravilhosa.

  • Kemmy Oliveira disse:

    Eu não fazia ideia do queesse livro se tratava
    Lembro que ele tinha uma edição com um cachorro latindo na frente, imaginei que fosse algo de lobisomem hahaha
    Curti a premissa mas confesso que achei meio estranho saber o que o cachorro pensa e sente. Fiquei imaginando como isso foi narrado
    Beijos

  • Sexta do Sebo #204 « Por Essas Páginas disse:

    […] indicações para a sexta-feira 13 são Cujo de Stephen King (resenha aqui) e Jantar Secreto de Raphael Montes (ainda estou escrevendo a resenha, logo sai!). Ah, e se […]

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