Resenha: Dark House

Dark House, de Karina Halle, tinha todos os elementos de um livro de terror: uma capa sinistra e sombria, uma chamada convidativa “Experimente o terror“. Por isso, todas as minhas expectativas eram de… um livro de terror. Só que não, esse livro, definitivamente, não é de terror. É uma cilada.

“Há sempre algo fora do normal em Perry Palomina. Embora ela esteja vivendo uma crise ao passar pela síndrome pós-faculdade, assim como qualquer garota de vinte e poucos anos, ela não é o que chamaríamos de comum.Perry possui um passado que prefere ignorar, e há também o fato de que ela consegue ver fantasmas. Tudo isso vem a calhar quando se depara com Dex Foray, um excêntrico produtor que está trabalhando em um webcast sobre caçadores de fantasmas.Dex, que se revela um enigma enlouquecedor, arrasta Perry para um mundo que a seduz e ameaça sua vida. O farol de seu tio é pano de fundo de um mistério terrível, que ameaça a sanidade da moça e faz com que ela se apaixone por um homem que, como o mais perigoso dos fantasmas, pode não ser o que parece.” Fonte

Perry tem 22 anos, uma carreira monótona e estagnada, um passado do qual se envergonha, uma família que cobra seu sucesso e uma irmã adolescente que é mais bonita e bem-sucedida que ela em todos os sentidos. Não é à toa que Perry se sente um fracasso. Ela gosta de lembrar a si mesma (e a autora os leitores) o quanto é gordinha e desajeitada; na verdade, isso é mencionado à exaustão durante a narração, inclusive em momentos completamente desnecessários. Só que Perry anda tendo alguns pesadelos estranhos, que a assustam (mas só ela mesmo, porque o leitor não sente nada). Em um final de semana qualquer, sua família decide ir para casa de um tio, dono de um farol antigo e abandonado. Num surto de aventura, Perry decide visitar o farol, no meio da noite, e encontra algo maligno e sinistro, além de um homem misterioso que é aparentemente um “caça-fantasmas”, Dex.

Depois disso, Perry acaba narrando suas estranhas aventuras no farol no blog da irmã, obtendo sucesso imediato. O misterioso Dex volta a procurá-la, convidando-a a retornar ao farol para filmar um programa para seu canal no Youtube. E Perry entra nessa aventura de cabeça. Sem nem questionar direito no que está se metendo. E com quem.

darkhouse

Basicamente é só isso que acontece no livro. Não há grandes revelações, não há grandes reviravoltas. Tudo é previsível e, pior, apesar do “Experimente o terror” na capa, terror aqui é o que menos existe. Grande parte do livro gira em torno de como Perry se sente deslocada, fora dos padrões, e sua atração quase instantânea por Dex, um cara que ela mal conhece. Aliás, embarcar em uma aventura dessa, com um cara que você conheceu ontem? Completamente bizarro, não faz o menor sentido! As ações dos personagens chegam a ser surreais de tão absurdas. Impossível entender o que se passa na cabeça deles, nada corresponde à realidade. O livro inteiro parece um pesadelo louco do qual você não consegue acordar.

Não tem como dizer de outra maneira: a narração e a escrita são fracas. Frases e construções absurdas, tanto que cheguei a procurar o livro em inglês para ter certeza de que não se tratava de um problema de tradução. Não era. É assim mesmo, o que é mais inacreditável! Claro, o livro tem sim problemas de revisão, muitas e muitas palavras e ideias repetidas, mas isso vem, obviamente, do texto original. Poderia ter sido corrigido no português? Poderia. Mas não há tradução e revisão que salve um texto ruim. Ele é cru, parece ter saltado de um Wattpad direto para o livro, sem nenhum crivo. Preciso mostrar algumas frases pra vocês:

Estupradores são gentis hoje em dia, pensei vagamente e ergui meu braço contra a luz que irradiava implacável sobre mim.” Página 45, quando Perry encontra Dex pela primeira vez no farol.

“Talvez este fosse mesmo um palácio de estupro e ele estivesse me encurralando aqui enquanto caras maiores faziam o resto do trabalho sujo. Havia um ar de perigo iminente nele, mas isso poderia ser apenas a impressão pela situação ou por seu cabelo escuro jogado e desgrenhado e seu jeito de Lord Byron.” Página 52, ainda a mesma cena. Notem que essa descrição é para o Dex, o mesmo cara que Perry se apaixona instantaneamente e que segue sem pensar duas vezes em uma aventura maluca em um farol aparentemente assombrado.

Deu pra notar o sentimento lendo esse livro? Chegou a alguns momentos que eu lia apenas por ler, rindo das abobrinhas que estavam escritas. Nada, absolutamente nada faz sentido. E o terror? Praticamente inexistente. Fraco, forçado, anti-natural. Não assusta e corresponde a praticamente uns 30% do livro. Ou menos. A história toda é um romance disfarçado de terror. E não, não é um romance bom.

Há muita narração completamente inútil, que poderia ser cortada sem piedade. Em contrapartida, especialmente no início, há pouquíssimos diálogos, o que dá um ritmo arrastado ao livro e gera pouca conexão com os personagens. Perry (a narração é em primeira pessoa) se perde em descrições longas e desnecessárias sobre coisas que não fazem a menor diferença na história. Como seus sapatos, por exemplo. Ela tem 22 anos, mas parece que tem 16; aliás, o livro todo seria muito mais crível se ela realmente fosse adolescente, porque é difícil acreditar que uma mulher de 22 anos falaria as asneiras que Perry diz ou agiria do jeito insano que age.

No final, o grande mistério do farol assombrado é muito pouco explorado, em uma cena corrida e mal escrita, que nem remotamente é capaz de assustar. A história se perde e logo é esquecida, sendo substituída pela tensão sexual entre Dex e Perry, e na proposta maluca dele que ela faça um programa no Youtube. E, desse jeito, o livro acaba, com um gancho para uma continuação que certamente não irei ler.

Mal escrito, decepcionante, tão absurdo que chega a ser cômico, não recomendo a leitura de Dark House para ninguém.

Esse livro foi gentilmente cedido para resenha pela Editora Única.

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Ficha técnica:

Título: Dark House
Autor: Karina Halle
Editora: Única
Páginas: 352
Onde comprar: Livraria Cultura / Amazon
Avaliação: 

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  • Gustavo disse:

    Eu vi esse ivro um dia, em querer na submarino, e li a sinopse e pensei, “nossa, vai ser muito bom, preciso comprar esse livro”, e mesmo sua resenha super sincera e cheia de verdades, ainda assim pensava em comprar para ver com meus proprios olhos, e mesmo assim, com certeza me decepcionar, mas quando eu li a frase “Estupradores são gentis hoje em dia”, o minimo que posso dizer e que fiquei horrorisado com esse pensamento, alem de completamente erroneo, ainda assim quase com alusão a ela querer isso. Essa personagem é futil e sem a menor noção do que fala, isso pra dizer o minimo. Passarei longe, a quilometros, desse livro. Tirando da minha lista em 3… 2… 1…

  • Ileana Dafne disse:

    Olá, Karen!
    Nossa, achei tão interessante quando vi a capa e li a sinopse… Eu acho extremamente frustrante quando um livro que tinha tudo para ser legal é mal desenvolvido e até mesmo mal escrito… Amei o fato de teres sido sincera e vou passar esse livro.
    Excelente resenha!!
    Bjs

  • Douglas Fernandes disse:

    Eu ganhei esse livro e fiquei empolgado, pq é o estilo que gosto, terror, mas agora lendo fiquei com medo.. hahahaha sim com medo, mas não esse medo gostoso do tipo de historia pode passar, mas medo da decepção que ineflizmente alguns livros podem trazer, TALVEZ algum dia eu o leia, mas por enquanto vai ficar na estante…

  • Milena Soares disse:

    Não curto muito livro de terror, já não estava interessada em ler e depois dessa resenha agora tenho certeza que não lerei.

  • Shadai disse:

    Nossa, a capa é muito bonita, mas pena que o livro é extremamente fraco!
    Maior roubada ler essa história, que parece ter sido escrita por uma amadora que pagou bastante para ser publicada.

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