Resenha: Dexter – A mão esquerda de Deus

“Dexter Morgan é um educado lobo vestido em pele de ovelha. Ele é atraente e charmoso, mas algo em seu passado fez com que se transformasse numa pessoa diferente. Dexter é um serial killer. Na verdade, é um assassino incomum que extermina apenas aqueles que merecem. Ao mesmo tempo, trabalha como perito da polícia de Miami… Em Dexter, a Mão Esquerda de Deus, o livro que deu origem à aclamada série de TV, o adorável matador depara-se com um concorrente de estilo semelhante ao seu, encanta-se e incomoda-se com ele, prevê seus passos… A escrita requintada de Jeff Lindsay nos faz mergulhar na mente de um dos personagens mais ambíguos da história da literatura de suspense. Nunca o macabro foi tratado com tanto refinamento e leveza. Dexter Morgan é uma obra-prima.” Fonte.

Esse é um dos livros que eu mais queria ler já há um bom tempo (desde que eu comecei a ver a série de televisão, para ser mais exata; aliás, perdoem-me, mas vou acabar falando um pouco da série aqui nessa resenha, além de falar do livro). Eu queria tanto ler esse livro, que um dia passei na livraria, naquelas vezes que entro lá só para fazer uma horinha, olhei para o título e não resisti: comprei. E olha que eu não sou de fazer isso, quem tem esse costume é nossa querida Lucy. Mas enfim, não aguentei: entrei, comprei, saí e logo comecei a ler. E devorei o livro todinho em poucos dias.

Como diz a sinopse do livro, Dexter é uma narrativa requintada. Quem nos apresenta a história é o próprio Dexter Morgan, narrando em primeira pessoa (aliás, a série também imita essa perspectiva, já que temos algumas narrações do Dexter em meio às cenas), e sendo em primeira pessoa, temos toda a visão do próprio Dexter: e sim, ele consegue ser um assassino elegante. Dexter nos mostra sua própria visão do mundo, quase todas as vezes assustadoramente real. Ele vê as pessoas como são, sem mistérios nem máscaras, e analisa-as como se fossem seus borrifos de sangue – Dexter é especialista em borrifos de sangue na polícia de Miami. Ele próprio diz usar uma máscara, mostrando-se para os outros como um bom rapaz, charmoso e atraente, mas por trás dessa fachada é um assassino em série. A grande diferença é que ele não mata qualquer um: apenas quem merece. Apenas assassinos, como ele.

Isso é porque Dexter foi moldado a partir do código de Harry, seu pai adotivo, que percebeu quem ele se tornaria e o treinou para não ser pego. Dexter também tem uma irmã adotiva, a única pessoa que ele diz remotamente se importar – porque Dexter não sabe o que é ter sentimentos – Deborah Morgan. Ela é policial também, e uma das personagens mais interessantes do livro, talvez seu grau de importância esteja tão próximo ao do próprio Dexter. E aqui começo com algumas comparações com a série: gosto muito da Debra na série, mas no livro ela é ainda mais interessante. Isso porque ela é muito mais esperta, principalmente ao que se refere ao seu irmão. Na série, Deborah não percebe muito Dexter, mas no livro, ela desconfia muito mais de quem ele seja e de seus palpites muito certeiros sobre assassinos.

No livro temos todas as personagens que nos envolvem na série, como Batista – no livro conhecido como “Angel-sem-parentesco”, Masuka, que continua sendo engraçado e pervertido, e LaGuerta, que me surpreendeu no livro. Aliás, engana-se quem pensa que só porque viu a série não vai se surpreender com o livro. Realmente, o enredo desse primeiro livro e da primeira temporada da série aproximam-se muito, porém, ao chegar ao final, o leitor tem uma surpresa; tendo visto a série ou não. Tudo o que posso dizer é que vale a pena chegar lá – na série e no livro.

Além de ser um livro policial, Dexter também é terror – com suas imagens aterrorizantes e sangrentas -, Dexter também é mistério, com seus segredos e surpresas, e finalmente Dexter também é um drama. Pois, apesar dele não ter sentimentos, não conseguimos deixar de desenvolver nossos próprios para com Dexter – e também seus vários personagens cativantes. E aí fica a pergunta: é errado justificar o que ele faz? É errado encarar como um bem todo o sangue que ele derrama? E mais: é errado amar um assassino?

Ficha Técnica

Título: Dexter – A mão esquerda de Deus

Autor: Jeff Lindsay

Editora: Planeta

Páginas: 272

Onde comprar: Livraria Cultura

Avaliação:

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  • Flabiana Felipe Madeira disse:

    Muito boa a resenha até me deu vontade de ler.

  • Karen Alvares disse:

    Flabi, te falei já pra ler quando puder e baixar a série! É viciante!!! 🙂

  • Lucy disse:

    Eu tenho medo de Dexter. o.o’
    Mas com a sua resenha eu fiquei curiosa pra ler e pra assistir. rsrs
    E esse ano eu to fazendo terapia, tá bom? u_u’ Não to comprando de impulso… Mas tb pq faz tempo q ñ vou a uma livraria hahahaha
    Bjos bjos!

  • Melissa disse:

    Então, eu já te falei isso antes, acho, mas eu tenho pavor de serial killers. É sério. Esse tipo de história me impressiona muito e eu normalmente evito porque literalmente passo mal. Não me atrevo a tentar ler um livro desse (muito menos ver a série!) porque sei que não consigo. Eu sei que a história é boa e tudo mais, mas é mais do que consigo.

    Mas a resenha ficou ótima!

  • Melissa disse:

    Ah, outra coisa: a única história de serial killer que já li até o final foi a sua! ha! E eu gostei apesar de ter tido dois pesadelos com aquelas “obras”…

  • Michelle disse:

    Dexter é uma das minhas séries favoritas. Ainda não tive a oportunidade de ler os livros da série, mas dizem que são tão bons quanto. É legal saber que o livro guarda surpresas mesmo para quem acompanha a série de TV.
    bjo

  • Nivia Fernandes disse:

    Dexter é uma série que eu sempre quis ver, e quando pude tinha tantas temporadas que bateu forte a preguiça, mas preciso muuuuito ver! Embora seja bem capaz que comece pelos livros, se continuar assim.
    Quase peguei um na biblioteca, mas seria pela ordem errada, tinha o segundo lá na prateleira e eu pensei que era o primeiro.
    Eu não tenho medo da série, mas gosto de ler sobre serial killers. Até pra ver se consigo fugir de um! huahuahuahuahua
    As coisas estão tão injustas e caóticas hoje em dia que é difícil não se sentir solidária a quem faz alguma espécie de “justiça” livrando o mundo de quem só sabe causar o mal. Mas é um dilema complicado, confesso… Acho que dá pra amar um assassino, sim. O problema é lidar com isso depois!

    É o clima aterrorizante que gosto também, então certamente ainda vou ler e ver a série. xD Parabéns pela resenha! ^^

    Beijos!

  • Vania disse:

    Eu fiz o caminho oposto Parceira: li o livro, ainda quero ver a série. Gostei bastante do livro e você sabe que eu tenho medo, então tive que deixar a luz acesa algumas noites haha. O que eu achei mais interessante no livro é o fato de que o Dexter não mata qualquer pessoa, não mata por matar, achei isso demais. E também como ele descreve os “sentimentos” quando aquela urgência de derramar sangue o domina, como se tivesse um motorista o controlando e ele não pudesse fazer nada pra evitar. Adorei também como que queria detestá-lo mas não consegui. Impossível não gostar do Dexter haha. Um dia eu crio coragem pra ver a série… e ler os outros livros!

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  • Isadora disse:

    Eu realmente to decidida a comprar esse livro e o segundo. Sério. Eu ia começar a assistir a série, mas queria primeiro ler o livro.. ou seja, vai demorar um pouquinho. Mas já coloquei na minha Wishlist 😀

  • Karen disse:

    Bem, eu fiz o caminho inverso… já vi a série até o final da sétima temporada e só agora estou lendo os livros, e eles mesmo assim são MUITO bons. Quando sobrar um dinheirinho aí, reserva pra ele porque vale cada centavo. 😀

  • Sâmela Laís disse:

    Gostei d+ da resenha, que é interessante assim como o livro deva ser! Se GANHAR ficarei muito feliz amo series policias e AMEI O TEMA ! A mão esquerda de DEUS. . LINDO .

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