Resenha: Dias de despedida

“Cadê vocês? Me respondam.”
Essa foi a última mensagem que Carver mandou para seus melhores amigos, Mars, Eli e Blake. Logo em seguida os três sofreram um acidente de carro fatal. Agora, o garoto não consegue parar de se culpar pelo que aconteceu e, para piorar, um juiz poderoso está empenhado em abrir uma investigação criminal contra ele.
Mas Carver tem alguns aliados: a namorada de Eli, sua única amiga na escola; o dr. Mendez, seu terapeuta; e a avó de Blake, que pede a sua ajuda para organizar um “dia de despedida” para compartilharem lembranças do neto.
Quando as outras famílias decidem que também querem um dia de despedida, Carver não tem certeza de suas intenções. Será que eles serão capazes de ficar em paz com suas perdas? Ou esses dias de despedida só vão deixar Carver mais perto de um colapso — ou, pior, da prisão?”

Dias de despedida é um livro que todo mundo deveria ler. Mas ele não deve ser lido quando a pessoa quer algo leve ou para se divertir. Não, Dias de despedida é para aqueles momentos em que o leitor quer algo que o faça refletir (e muito) sobre as relações humanas.

Não tem como não começar a resenha sem dizer que Dias de despedida é um livro muito difícil de ser lido. Ele não é ruim, muito pelo contrário: ele é maravilhoso. O autor consegue prender o leitor na história com poucos capítulos. Porém, o tema central dele é um muito delicado. Carver possui três amigos mais do que especiais que com ele formam a “Trupe do Molho”: Mars, Eli e Blake. Os três sofreram um acidente de carro fatal logo depois de Carver ter mandando a seguinte mensagem para eles: “Cade vocês? Me respondam!”. O pior de tudo é que na cena do acidente foi encontrado o celular de Mars, que estava dirigindo o carro, com o início de uma resposta sendo digitada. Ou seja: ele estava ao celular no momento do acidente. É claro que Carver se sente profundamente culpado pela morte dos melhores amigos. Se isso já não fosse o suficiente, o pai de Mars, que é juiz, quer entrar com um processo para culpá-lo judicialmente. No meio disso tudo Carver tem que encontrar uma forma de conseguir superar todo o trauma causado por toda essa situação.

Dias de despedida cumpre exatamente o que o título propõe: nós acompanhamos a despedida de Carver dos seus melhores amigos. Preciso dizer que não é nada fácil? Porque não, não é nada fácil. Ele acha amizade na ex-namorada de Eli, começa a ir ao terapeuta e a avó de Blake tem uma ideia inusitada: ela pede a sua ajuda para organizar um “dia de despedida” para o neto. Isso seria algo como o que ela gostaria de fazer se eles tivessem um último dia juntos. Ou seja, ela compartilharia as lembranças que tinha de Blake e Carver também contaria histórias que ela não conhecia. Porém, os outros familiares também resolvem embarcar nessa ideia e nem todo mundo é tão compreensivo como a avó de Blake.

É exatamente por descrever um momento de luto que faz com que Dias de despedida não seja um livro fácil de ser lido. Ele é um livro sobre como conviver a culpa e tentar voltar a ser como antes. Porém, o que é mais belo no livro é que assim como na vida real ele não oferece nenhuma fórmula mágica, porque isso não existe. É até difícil fazer essa resenha sem soltar spoilers mas Dias de despedida mostra que pessoas queridas sempre vão deixar uma marca na gente e ela nunca vai se apagar. A dor pode diminuir, mas ela vai continuar ali, para sempre. E é por isso que temos que procurar apoio na família, nos amigos, no terapeuta… Em todos os lugares. Cada pessoa é única e tem que lidar com o sofrimento da sua forma e por isso que as partes que eu mais gostei do livro foram exatamente com o terapeuta. Eu acredito que quem tenha vivenciado situações parecidas vai se identificar bastante com o livro.

Eu li em algumas resenhas pessoas reclamando das cenas de flashback com a “Trupe do Molho” porque elas não eram necessárias. Para mim, elas foram essenciais. Uma coisa é Carver fala que ele tinha 3 amigos, outra coisa é nós termos cenas com eles, mostrando como eles eram. Sem contar que é assim que nós entendemos as dinâmicas do “dia de despedida” com cada uma das famílias.

Enfim, Dias de despedida é um livro que trata um assunto tão delicado de uma forma muito bonita. Ele é aquele tipo de livro que fica com o leitor mesmo quando ele virou a última página.

Livro gentilmente cedido para resenha pela Companhia das Letras.

Ficha Técnica:

Título: Dias de despedida
Autor: Jeff Zentner
Tradutor:  Guilherme Miranda
Editora: Seguinte
Páginas: 392
Onde comprar: Livraria Cultura / Amazon / Saraiva / Livraria da Folha / Livraria da Travessa /  Americanas
Avaliação:

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  • Milena Soares disse:

    Olá! Não conhecia esse livro, que história tensa, mega emocionante, essa resenha me deixou super curiosa em conferi isso tudo que foi dito aqui.

  • Gabriela Cerqueira disse:

    Não pssei por momentos assim na vida mas tenho um certo apego por livros nessa emática, parecem que todos os autores que escrevem sobre lut tem uma habilidade imensa de conseguir transmitir para os seus livros todos os sentimentos que os personagens sentem,gostei muito da dica, ela está mais do que anotada.

  • Suzzy Chiu disse:

    Heiii, tudo bem?
    Não tinha gostado mto da sinopse qdo vi o lançamento, mas ao ler a sua resenha e empolgação, senti uma curiosidade agora pra ler tudo.
    Gosto de livros que tem flashback, acho que se estão lá é pq sao importantes.
    Amei a dica, vou ver sim ” Dias de despedida”.
    Beijos.

    Livros e SushiFacebookInstagramTwitter

  • Cabine de Leitura disse:

    Pela resenha já fiquei sensíbilizada com Carver, mas fico muito feliz em saber que o livro não traz a formula mágica, o distanciando de um auto-ajuda.
    Não li o livro, quero ler, mas acredito que os flashback são necessários para nos envolvermos com os personagens que nos convencermos da amizade entre os personagens. Dica anotada.

    Beijos.

  • Driely Meira Almeida disse:

    Oiee ^^
    Eu olho para a capa desse livro e imagino que é um tiro atrás do outro. Não quis pedi-lo para a editora porque não queria ler nada triste ou reflexivo demais, mas não nego que um dia eu vou ler esse livro. Parece mesmo ser um livro muito delicado e lindo, estou doida para conhecer os amigos do Carver (e a ele também, claro)
    MilkMilks ♥
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br/2018/01/underground-airlines.html

  • Dayhara Ribeiro Martins disse:

    Eu não daria nada por essa capa, não imaginava que fosse um livro com uma história tão tocante! Eu do jeito que sou chorona, ia molhar o livro todo, me parece ser uma obra triste mas extremamente necessária, fico feliz que tenha gostado.

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