Resenha dupla: A outra vida

Quando saíram os lançamentos da Novo Conceito, A outra vida me chamou muita atenção. Mas como vocês sabem, nós dividimos os livros e esse era muito mais parecido com a Karen. Mas ela ficou com medo do livro ter romance “mimimi” e não focar na distopia (como aconteceu com Estilhaça-me) e por isso eu fiquei com o livro. Porém, como gostei bastante dele, a Karen resolveu ler e TCHARAM – teremos resenha dupla! Essa resenha vai ser especial porque nós temos a opinião de uma pessoa muito medrosa (eu) e uma veterana de livros de terror (Karen).

A outra vida“O mundo de Sherry — de uma hora para outra — mudou completamente. Por causa de um vírus muito contagioso, as pessoas que ela costumava conhecer, e quase todas as pessoas de sua cidade, Los Angeles, na Califórnia, se transformaram em mutantes assustadores. Esses mutantes têm uma força excessiva, são ágeis, o corpo é coberto de pelos, eles lacrimejam um líquido imundo e… comem gente! Portanto, não há muito o que fazer — talvez tentar fugir — quando se encontra algum deles. A não ser que você tenha ao seu lado a força e a determinação de um jovem como Joshua. Joshua perdeu uma irmã para os mutantes e sua raiva é tão grande que ele seria capaz de vingar todos aqueles que perderam alguém para as criaturas. No entanto, para que esta revanche aconteça, é preciso prudência. Afinal, até que ponto a disseminação deste vírus foi uma coisa realmente natural? Que poderosos interesses estão por trás desta devastação? E será que Joshua e Sherry conseguirão ter a cautela necessária para lutar contra as criaturas justo agora que seus corações estão agitados pelo começo de uma paixão?”

Sherry está em um abrigo com seus pais, sua avó e seus dois irmãos mais novos. O motivo? Um vírus muito contagioso havia afetado quase todas as pessoas em Los Angeles. As pessoas infectadas se tornavam mutantes que a gente poderia até comparar com zumbis se não fossem certas características diferentes. Eles possuem pelos no corpo e lacrimejam um líquido pelos olhos, que fazem com que eles pareçam estar sempre chorando. Mas é claro que, assim como os zumbis, eles comem pessoas. Na verdade, eles comem qualquer tipo de animal – é só dar bobeira. A família de Sherry estava esperando notícias dos militares, avisando quando eles poderiam sair. Mas o rádio não dava mais sinal e depois de mais de 3 anos trancafiados, a comida acaba. Sherry e o pai tem que sair do confinamento para conseguir algum alimento. Mas a situação se complica quando o pai de Sherry é atacado pelos mutantes e ela é salva por Joshua…

Os primeiros capítulos são bastante introdutórios, mas já são tensos, começando com uma briga entre os pais de Sherry dentro do abrigo por causa da falta de comida. Aqui, sob a visão em primeira pessoa de Sherry, conhecemos sua família e nos ambientamos com o que aconteceu e como eles vivem. É uma narração bem Y.A., então, meus caros, vistam sua capinha de quinze anos porque esse é um livro bastante adolescente.

Como todo mundo já sabe, eu não leio muitos livros de suspense/terror porque sou muito medrosa. O que me chamou atenção em A outra vida foi a possibilidade de termos um livro de “zumbis”, mas que não fosse tão forte. Os personagens principais tem em torno de quinze anos e, portanto, o livro tem uma característica muito marcante de livro jovem adulto. Mas, mesmo assim, ele continua com aquele clima de “fim do mundo”, “o que vamos fazer?”, “somos os únicos sobreviventes?”, “quanto tempo iremos aguentar?”. Sim, porque em A outra vida o foco é nesse mundo dominado pelos mutantes. Tem cenas de luta, cenas com sangue, cenas nojentas, cenas doloridas… Para quem está acostumado com terror, pode ser que elas sejam “leves”. Mas, no meu caso, eu fiquei na pontinha da cadeira durante a leitura e fiz “Ewww” em algumas partes – mas nada que me fizesse desistir do livro. Muito pelo contrário: eu precisava saber o que iria acontecer depois.

Aliás, o romance não é o ponto central do livro como sugeria a sinopse: ele ficou completamente no background. Mas então a sinopse está errada? Não sei. Talvez a autora tenha escrito assim para poder transmitir a ideia de um livro jovem adulto. Eu gostei do pouco de romance que foi trabalhado e sinceramente, não senti falta dele, porque eu estava completamente presa nas cenas de ação.

Gostei muito do foco ser na sobrevivência, nos mutantes e no mundo destruído. Como a Lany me alertou, o livro não era mesmo um romancinho mimimi, era realmente sobre zumbis – na verdade, os “Chorões” – e o romance ficou como um pano de fundo, um a mais no livro, e gostei disso. No entanto, me senti incomodada lendo o livro e, pasmem, não foi por causa de romance, mas sim pelas cenas de ação/luta/sobrevivência. Na verdade, por causa de todo o clima do livro: calma, gente, eu explico.

O que me deixou irritada foi que o livro passa uma sensação entediante de segurança, algo que não dá para sentir em um livro do gênero, especialmente de fim do mundo/apocalipse zumbi. Mas como assim, Karen? A Lany acabou de dizer que algumas cenas são nojentas! Sim, elas são. Mas não são angustiantes: pelo menos eu não fiquei com medo em nenhuma delas. Os Chorões foram criaturas incríveis, mas o que eu senti durante toda a história é que a autora não queria matar ninguém no livro. E, realmente, ela só mata uma pessoa (sério, só uma pessoa morre em um apocalipse zumbi?! COMO ASSIM?!) e fiquei com a má impressão de que esse personagem era descartável e foi criado com o único propósito de ser morto. Uma coisa é você criar um personagem já morto na história (para o background de um personagem), outra coisa é você criar um personagem que você já sabe que vai morrer e outra coisa muito diferente é você desenvolver um personagem, fazer o leitor amá-lo e depois matá-lo. Mas isso deve ser feito porque um mundo como esse não é seguro. Ninguém pode estar seguro e, se o leitor tem essa sensação… bem, o terror vai embora e sobra outra coisa no livro que certamente não é horror. Esse personagem que morreu… bem, ninguém vai sentir sua falta. Na verdade, nem no próprio livro, pelos personagens, ele será lembrado. Faltou desenvolvimento, conexão emocional e sentimento quando ele morreu. O que ficou para mim é que não foi uma grande perda e que todos os personagens realmente importantes continuam lá.

Um detalhe que eu gostei bastante no livro foi que antes de cada capítulo tínhamos um trecho da vida de Sherry antes das mutações começarem a ocorrer. Somado com o relato da protagonista sobre como era viver enclausurada, eu conseguia sentir o desespero da protagonista. Eu comecei a me imaginar em um Apocalipse Zumbi e fiquei muito desesperada – porque eu não conseguiria aguentar muito tempo. E a explicação para o vírus foi ótima! Concordo em gênero, número e grau aqui com a Lany. Gostei muito dos pequenos capítulos com “a outra vida” de Sherry e gostei MESMO da explicação para o vírus. Foi ótimo, foi ficção científica e foi muito inteligente. No começo gostei também da personagem ficar contando os dias/horas/minutos para coisas que ela ficou sem, que ela não fazia mais… Mas depois de um tempo isso se tornou um pouco cansativo. A autora utilizou o recurso demais e o esgotou. É como contar a mesma piada várias vezes: uma hora perde a graça.

Apesar de ter amado o livro, eu tenho uma grande crítica a fazer. Ele é o primeiro livro de uma SÉRIE. E POR QUE EM NENHUM LUGAR ESTÁ ESCRITO ISSO? (Cara, eu também detesto isso. É tão irritante. Por quê? POR QUÊ? Mas dessa vez não fiquei irritada, mas só porque a Lany já tinha me contado essa tragédia antes que eu lesse. rs). Sério, fiquei com muita raiva quando cheguei no final e percebi que a história não tinha sido finalizada. Nós ficamos sabendo de uma informação bombástica, que eu até tinha pensado, mas não esperava que fosse acontecer porque o livro estava acabando. Ou seja, A Outra Vida não é aquele tipo de série que você lê o primeiro livro e depois se quiser não lê o resto. O enredo dele realmente continua no segundo livro (para quem leu, ele é bem parecido com A Seleção, da Kiera Cass). É claro que fiquei curiosa para ler a continuação, mas… Eu queria saber que ele não era livro único.

Enfim, A Outra Vida não está nem perto (não mesmo!) de ser o melhor livro de zumbi já publicado, mas é uma ótima leitura para quem não se aventura muito nesse universo! Eu diria que é um bom livro para que gosta de Y.A. e nunca leu muito sobre zumbis, ou é medrosa… Oi, Lany! HÁ! Agora, se você já é meio hardcore no assunto… Melhor deixar passar.

 Livro gentilmente cedido em parceria para resenha pela Editora Novo Conceito.

Ficha Técnica

Título: A Outra Vida
Autor: Susanne Winnacker
Editora: Novo Conceito
Páginas: 272
Onde comprar: Livraria Cultura / Livraria Cultura (e-book) / Amazon (e-book)
Avaliação da Lany: 

Avaliação da Karen: 

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  • Melissa de Sá disse:

    Apocalipse zumbi YA? Que coisa. Ah, eu não sou tão empolgada com apocalipse zumbi não. Não sei, tem tanto hype em torno disso que eu costumo deixar passar…

    Inclusive, Kakazinha, você já leu “I am legend” do Matheson? É o livro que deu origem ao gênero “apocalipse zumbi”. Eu tive que ler pra escrever minha dissertação (mas não li o livro todo, só uns pedaços porque não tinha tempo). Não tem muito a ver com o filme do Will Smith não (na verdade quase nada). Apesar de não ser tãaaaaaaaaaaaaao assustador, é interessante ver a origem de livros no estilo.

  • Karen disse:

    Tu já leu meu conto de zumbis, háaaaaaaaaaaaaaaa!!!
    Eu preciso ler esse livro. Marido já leu e gostou muito, ele detesta o filme porque pra variar assassinou o livro… mas não é muito zumbis, são outras criaturas né. Que nem disse a Mari, tão mais pra vampiros, acho.

  • Mari disse:

    Quero ler, porque apesar de já ter lido alguns livros de zumbis e gostar de algo mais forte, ainda amo um bom YA. Para mim, muito do livro que trata do apocalipse zumbi depende da explicação. Prefiro explicações inteligentes, e fico feliz em saber que esse livro tem uma.

    Aliás, concordo com a Mel, Kakazinha: Eu Sou a Lenda, do Richard Matheson, é um must read, não porque a história do livro é ótima, mas porque dá para ver como que ele influencia todo o gênero até hoje… mesmo sendo um livro de vampiros e não de zumbis. Hahaha

  • Karen disse:

    Ok, ok, vocês me convenceram, vou ler “Eu Sou a Lenda”! rs
    Acho que talvez você goste de “A Outra Vida”, Mari. A Lany gostou bastante. A explicação é mesmo inteligente, foi uma das coisas que mais me agradou.

  • Douglas Fernandes disse:

    Eu adoro historias de terror, sou super fã, eu ja tinha visto esse livro em varios lugares, até ganhei ele em uma promoção(ainda vai chegar aqui em casa o livro) mas nunca parei pra ler a sinopse, nem sabia que era uma historia sobre zumbis, eu gosto muito, ja li os 2 primeiros livros da serie The Walking Dead e acompanho a serie, estou super ansioso pelo terceiro livro, pq parece que nele aparece os personagens principais da serie….
    mas entao, eu me considero um hardcore no assunto…. hahahahahaha sério esses livros de terror pra mim sao os melhores, *–*
    apesar de nao recomendar esse livro pra quem ja leu sobre zumbis eu quero muito lê-lo, porque fiquei super curioso pra saber o motivo do virus…. ja comecei a imaginar aqui… hahahaha
    adorei a resenha dupla… muito bacana, ainda mais que uma ja é veterana e a outra medrosa… isso passa uma visao bem bacana…
    🙂

  • Karen disse:

    É, Douglas, se você tem o livro e se animou pra ler, vai fundo! Mas não crie muitas expectativas, principalmente você que já leu Walking Dead – não é nada daquilo. O motivo do vírus é muito bacana, mas foi uma das poucas coisas que achei legais. Esse é mais um livro para iniciantes no assunto.
    Obrigada! Que bom que curtiu a resenha! 😉

  • Jullyane Prado disse:

    Eu também odeio ler um livro e chegar no final descobrir que ele pertence a uma serie!!! É muiiito chato! O que custa por na capa né?! Eu não gostei da capa desse livro e bom distopias não é o eu forte! SOu muiito medrosa também, mas achei legal o fato dele não ser tão horroroso assim e ainda transmitir uma certa confiança, rsrs!!!

    Beijos!

  • Shadai disse:

    ótima resenha dupla, gostei muito do ponto de vista das duas.
    mas, ao mesmo tempo, fiquei meio confuso se tenho vontade de ler esse livro ou não hahahaha
    quando terminar de ser lançada a série toda aí sim eu penso se dou chance ou não.

  • Caroline Centeno disse:

    HAHA!
    Sou uma pessoa super suspeita de falar sobre livro de zumbis porque sou viciada,mas isso não são zumbis é uma coisa que nem o livro sobre explicar direito o significado xDD
    O que mais me deixou intrigada é que conseguiram fazer um livro de infecção zumbi com adolescentes, isso foi surpreendente e muito mais interessante porque normalmente é muita questão de sobrevivência.
    Adorei o livro e estou com os dedos cruzados na continuação, espero que a escritora saiba desenvolver melhor as pontas soltar e que faça mais suspense. (:

  • Promoção: A outra vida « Por Essas Páginas disse:

    […] passada falamos desse lançamento da Novo Conceito: A outra vida (resenha aqui), um apocalipse quase zumbi em um universo Young Adult. Curiosos? Então que tal concorrer a um […]

  • Sabrina disse:

    Não sei, ao ver a capa e ler a sinopse, não me animei muito… Nada contra apocalipses zumbi, quando bem trabalhados podem ser interessantíssimos (é só ver “Independência ou Mortos”, por exemplo), mas não creio que combine muito com romances… Mas acho que vou dar uma chance para ele, quem sabe…

  • ELIZABETH MACHADO SALLES disse:

    Esse negócio de zumbis e vírus sempre penso se por acaso acontecesse o que faria? Tenho até medo de pensar muito. Mas com certeza não gostaria de estar no lugar da personagem. Quero ver se ainda consigo este livro e estou ansiosa pra saber mais sobre essa história. Beijos.

  • Isa Aragão disse:

    Não sou muito fã de terror, só assisto The Walking dead e American Horror story (<3), mas tenho muita vontade de ler algo assim. Sobre "zumbi". Coloquei ele na minha wishlist, não como prioridade, mas como "caso tenha um dinheirinho sobrando e ele esteja em promoção eu compro" haha

  • Maria Shirlandia disse:

    Gostei muito da resenha maravilhosa!parabéns.Estou super curiosa!

  • Ana Lima disse:

    Um apocalipse que fale de zumbi, ou algum tipo de vírus ou pessoas se tornando monstros esta na moda e vem com tudo! Gosto de algumas produções que falam ou lembram o tema, são poucas produções que realmente alcança o sucesso. Lendo a resenha do livro me lembrei muito de “Meu namorado é um zumbi”, mas tenho certeza de que esse é diferente, mas deve ser legal.
    Parabéns pela resenha, ótima!
    😀

  • REBECCA DE SALLES NEWBOLD disse:

    Estou ansiosa pra conhecer a história da personagem que irá enfrentar esses zumbis. Não sei se teria a mesma coragem dela. Beijos.

  • Jessica Lisboa disse:

    Ainda indignada pelo fato do livro tratar sobre zumbi.

    xx

  • Nardonio disse:

    Nossa! Confesso que essa mescla de distopia com apocalipse zumbi me agrada bastante. No início, pela capa, imaginava que esse livro era um daqueles dramas bem parados e chatos, mas vi que me enganei completamente (ainda bem). Uma pena que tenham rolado esses probleminhas, principalmente pela questão do não-aviso em relação a ser uma série, mas acho que vale a pena ser lido. Espero que consiga em breve.

    @_Dom_Dom

  • graziela segredo silvestre disse:

    quero muito ganhar otimo livro para ler

  • Bruu Gonçalves disse:

    Eu curti tanto esse livro, é uma mistura de temas incrível! a resenha ficou maravilhosa, como sempre

  • Gabriela S. disse:

    Todo mundo diz que esse livro é bastante legal. To começando a achar isso também! rs

  • Sandy Mayara disse:

    Gente… nao gostei muito nao… alias, uma duvida, o que é Y.A? ‘-‘

  • Lany disse:

    YA é uma sigla para Young Adult, ou seja, livros Jovens Adultos. Só que aqui no Brasil, oficialmente, ainda não existe essa classificação! Os livros só são classificados como Juvenil ou Infanto-Juvenil.

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